Parceria com RCGI-USP estabelece nova camada técnica no padrão de acreditação dos ativos da B4 / Foto: Divulgacão
B4 e USP firmam parceria estratégica para elevar padrão de acreditação e ciência no mercado de carbono
A
B4, primeira bolsa de ação climática do país, acaba de anunciar uma
parceria estratégica com a RCGI-USP Carbon Registry, registradora de
créditos de carbono da Universidade de São Paulo (USP). O acordo
estabelece uma nova camada técnica no padrão de acreditação dos ativos
da B4, consolidando critérios científicos, metodológicos e de mensuração
de impacto rigorosos para o mercado de ativos sustentáveis.
Diferente
das metodologias internacionais, a RCGI-USP Carbon Registry foca em
soluções adaptadas à realidade brasileira. As métricas incorporam as
especificidades da Amazônia, Cerrado, Caatinga, Pantanal e Mata
Atlântica, além das cadeias industriais nacionais — aspectos
frequentemente pouco contemplados em padrões globais. "A integração com
uma registradora de base científica - sendo ela a Universidade de São
Paulo - garante que o capital e a regeneração caminhem juntos sob o
conceito de Finanças Regenerativas (ReFi)", afirma Odair Rodrigues, CEO e
fundador da B4.
Para
o Diretor Científico do RCGI, Julio Meneghini, que integra a diretoria
executiva da RCGI-USP Carbon Registry, metodologias científicas robustas
são a chave para a credibilidade do setor. “A transição para uma
economia de baixo carbono exige mecanismos confiáveis de registro,
transparência e regras claras para o mercado. Também é fundamental
desenvolver metodologias adaptadas aos biomas e aos sistemas produtivos
brasileiros, porque isso amplia o conjunto de ativos que podem gerar
créditos de carbono e contribui para valorizar os créditos produzidos no
país”, ressalta Meneghini.
Um
dos pilares da parceria é a atuação junto à Confederação União da
Agricultura Familiar do Brasil (CONFAF BRASIL) no projeto Rota do
Babaçu, voltado à bioeconomia de escala global. Esta iniciativa visa a
certificação e o aproveitamento integral do coco babaçu, transformando o
"diamante verde" em ativos ambientais de alto valor para combater a
pobreza rural e as mudanças climáticas.
A
abrangência do projeto é massiva: alcança uma área de ocorrência de 100
milhões de hectares distribuídos em 14 estados brasileiros, com uma
produção anual estimada em 250 milhões de toneladas. A operação cobre o
Nordeste (Maranhão, Piauí, Ceará e Bahia), Norte (Tocantins, Pará,
Amapá, Roraima, Amazonas, Acre e Rondônia) e o Centro-Oeste (Mato
Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás).
Inovação em metodologias agrícolas e transparência
A
parceria também viabiliza a estruturação de projetos de grande escala
em agricultura sustentável, como a metodologia baseada em integração
lavoura-pecuária-floresta (ILPF), atualmente em fase final de
desenvolvimento, que servirá de referência para créditos vinculados a
práticas regenerativas.
A
B4 já conta com R$ 3,35 bilhões em ativos sustentáveis sob custódia e
cerca de 25,2 milhões de toneladas de carbono na plataforma. Além do
rigor técnico, a parceria utiliza o mecanismo CCB-SS (Clima, Comunidade,
Biodiversidade, Ciência & Social), que destina parte dos créditos
ao financiamento de pesquisas científicas e projetos socioambientais,
garantindo que o impacto vá além da descarbonização.
Sobre a B4:
A B4 é uma bolsa de ação climática voltada à negociação e à custódia de créditos de carbono e outros instrumentos ligados à descarbonização, estruturando mecanismos de mercado para conectar projetos sustentáveis a investidores e empresas que buscam cumprir metas climáticas.
Sobre a RCGI-USP Carbon Registry:
Startup vinculada ao Centro de Pesquisa e Inovação em Gases de Efeito Estufa (RCGI) da Universidade de São Paulo (USP) — um dos principais centros de pesquisa do país dedicados à transição energética e à redução de emissões —, a iniciativa é a primeira registradora nacional de créditos de carbono associada a uma universidade pública. Combina governança independente e rigor científico, com metodologias desenvolvidas para a realidade brasileira — considerando as especificidades dos biomas e da estrutura produtiva do país — e alinhadas a padrões internacionais do mercado de carbono. O modelo também inclui o mecanismo CCB-SS (Clima, Comunidade, Biodiversidade, Ciência & Social), que destina parte dos créditos a um fundo voltado ao financiamento de pesquisas científicas e projetos socioambientais.
Por Edu Carvalho
