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Notificação obrigatória dos casos de esporotricose pode ampliar medidas de controle e mapeamento dos focos da doença, diz especialista
A determinação
do Ministério da Saúde, publicada no último dia 23 de janeiro, que exige
notificação obrigatória pelos agentes sanitários dos casos de
esporotricose humana em todo o Brasil, é uma medida essencial para as
autoridades mapearem os principais focos da doença e evitarem o avanço
da doença.
A avaliação é do professor titular de medicina
veterinária da UNIP, Carlos Brunner, um dos maiores especialistas no uso
de pulsos elétricos no tratamento de doenças, incluindo a esporotricose
felina. A doença é causada por um fungo do gênero Sporothrix spp,
que provoca lesões cutâneas e úlceras em gatos, tanto domiciliados
quanto os de rua, podendo ser transmitida para outros animais e também
para os humanos. Em 2025, uma mulher faleceu vítima da doença, no estado
do Amazonas.
Segundo a nota
divulgada pelo Ministério da Saúde, “nos últimos anos, tem sido
observado aumento expressivo de casos relacionados à transmissão
zoonótica, o que reforça a necessidade de integração entre vigilância em
saúde, atenção primária e serviços veterinários”.
Para o professor Brunner, trata-se de um grave problema
de saúde pública. “Para se ter uma ideia, o fungo já se tropicalizou e
gerou uma espécie 100% nacional, a Sporothrix brasiliensis, que
é muito mais transmissível e já está se espalhando para fora do
Brasil”, explica. “A esporotricose é infeciosa e agressiva. Os gatos são
as principais vítimas e os potenciais transmissores. Causa lesões
cutâneas que podem começar como pequenos caroços (nódulos) e evoluir
para úlceras com secreção. Essas feridas não cicatrizam facilmente e
costumam espalhar-se pelo corpo. O tratamento com antifúngico é demorado
e muitas vezes não traz os resultados esperados”, acrescenta.
O médico-veterinário é precursor da eletroquimioterapia
no Brasil e um dos fundadores da Akko Health Devices, desenvolvedora de
soluções em tratamentos com eletroquimioterapia para medicina humana e
medicina veterinária. Há quase duas décadas, Brunner estuda os efeitos
da técnica no tratamento de diversas doenças, entre elas a
esporotricose, e desenvolveu um equipamento inédito que vem sendo
testado em clínicas veterinárias e em universidades, com previsão de
lançamento para o primeiro semestre de 2026.
Com a inclusão da esporotricose humana na Lista
Nacional de Notificação Compulsória de Doenças, Agravos e Eventos de
Saúde Pública, passa a ser obrigatória a notificação semanal dos casos
confirmados. Segundo a coordenadora-geral de Vigilância de Tuberculose,
Micoses Endêmicas e Micobactérias Não Tuberculosas (CGTM) do Ministério
da Saúde, Fernanda Dockhorn, com a notificação obrigatória, “será
possível construir um panorama epidemiológico mais consistente e
fortalecer a tomada de decisão em todos os níveis de gestão. Isso
melhora o planejamento das ações de vigilância, prevenção e assistência,
com impacto direto na proteção da população.”
A transmissão da esporotricose para humanos é feita por
meio do contato com o animal infectado. Os arranhões são a principal
porta de entrada. A lesão ocorre geralmente nas mãos, braços, rosto ou
pernas e começa como um nódulo avermelhado e firme. Depois, evolui para
uma ferida ulcerada, que pode drenar pus. Ela não causa dor, mas demora
para cicatrizar. O problema é que a infecção se espalha pelos vasos
linfáticos e quando encontra uma pessoa com o sistema imunológico
comprometido (caso dos imunossuprimidos) ela pode atingir ossos,
pulmões, olhos e até o sistema nervoso central, levando à morte.
Esperança no tratamento da esporotricose felina
Uma nova técnica está trazendo esperança para no
tratamento da esporotricose felina. Batizado de SPORO PULSE, o
equipamento desenvolvido pelo pesquisador Carlos Brunner, pela startup
Akko Health Devices, usa a eletroporação para matar o fungo causador da
doença. A técnica exige menor número de manipulações do gato, menor
custo, boa eficácia em animais resistentes à terapia convencional e
redução do período de tratamento.
“As células da pele do gato permanecem vivas, porque os
poros se formam e se fecham. Já a estrutura celular dos fungos é
diferente, então os poros se formam e não se fecham mais,
matando o fungo. Como trabalho com eletroporação há 18 anos pensei na
possibilidade de provocar a formação dos poros irreversíveis nos fungos,
devido suas características celulares. Ou seja, matando o fungo e
preservando o tecido normal do gato”, explica o prof. Brunner.
Sobre o professor Carlos Brunner
Graduado em Medicina Veterinária pela Universidade de
São Paulo USP e mestre em Clínica Médica e doutor em Anatomia dos
Animais Domésticos e Selvagens pela USP. Professor titular na
Universidade Paulista UNIP; Membro da diretoria da ABROVET – Associação
Brasileira de Oncologia Veterinária; Membro da ISEBTT - The
Internacional Society for Electroporation Based Thecnologies and
Treatments. Pioneiro no uso clínico de etroquimioterapia no Brasil
Sobre a Akko Health Devices
A Akko Health Devices desenvolve soluções inovadoras em
tratamentos com eletroquimioterapia para medicina veterinária. Formada
por profissionais com mais de 30 anos de experiência, tem como objetivo
promover a evolução do setor por meio da melhoria constante na saúde e
no bem-estar dos seres humanos e animais.
O equipamento SPORO PULSE é um aparelho fabricado pela
Akko Health Devices, destinado ao uso em veterinária (cães, gatos e
outros animais). O aparelho aplica uma sequência pulsos elétricos
específicos para o tratamento e vem sendo usado com sucesso em clínicas e
hospitais veterinários para tratar esporotricose em gatos.
Por Thiago Nassa
