Foto: Divulgação/Denise SouzaStudio
Macroeconomia no Brasil aquece com a chegada do Carnaval e empreendedores se preparam para ‘armadilhas’ no fluxo de caixa
A macroeconomia do país deve superaquecer no mês de fevereiro, com a promessa de movimentar R$ 18,6 bi durante o Carnaval, segundo projeções da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).
Em meio ao menor mês do calendário, os 28 dias que seguem o mês de fevereiro se transformam em ‘oportunidade’ para fortalecer os setores da indústria, desde os microempreendedores (MEI) à donos de pequenos negócios.
Diante do aumento da demanda, os donos de bares, ambulantes, barbearias, salões de beleza, depósitos e outros setores da economia precisam estar atentos para não cair nas ‘armadilhas do caixa’. A notificação é da diretora da Brasís Contabilidade e especialista em assessoria de pequenas empresas, Cristiane Almeida, que alerta para os principais erros de gestão financeira durante o Carnaval.
Entre os mais comuns, a profissional destaca a mistura entre receitas pessoais e da empresa, que dificulta o controle do fluxo de caixa e impede uma visão nítida da lucratividade real. Outro problema recorrente é a falta de registro completo das entradas e saídas, o que pode gerar inconsistências contábeis e dificultar decisões estratégicas, mesmo diante do aumento temporário de vendas.
“O aumento das receitas pode criar a falsa impressão de sobra de caixa, mas sem o devido planejamento tributário, o empreendedor corre risco de inadimplência, multas e problemas fiscais. A dica durante o calendário sazonal, principalmente as mais extensas como o Carnaval e São João, é reservar antecipadamente recursos para tributos e obrigações legais. Assim, além de evitar surpresas com a Receita Federal, o empreendedor pode transformar o fluxo sazonal em crescimento sustentável”, aconselha Cristiane.
Vindo de um ano recorde com 9,2 milhões de turistas internacionais, segundo informativo do Governo Federal, a expectativa brasileira é que a quantidade de estrangeiros aumente consideravelmente durante o Carnaval. Algumas das capitais do país já se preparam para viver dias intensos na economia local, com destaque para São Paulo e Rio de Janeiro, além do Rio Grande do Sul e Salvador, na Bahia.
Para Cristiane Almeida, esse aumento da demanda torna ainda mais importante que os empreendedores reforcem sua gestão financeira. “Mesmo observando o caixa positivo, é fundamental calcular a valoração dos tributos incidentes sobre cada venda, além de gerar guias de pagamento antecipadas, evitando multas ou juros. Nesses casos, a conciliação bancária é bem-vinda; assim como comparar extratos e registros contábeis auxiliam à identificar pagamentos em atraso, inadimplência de clientes ou desvios de fluxo; antes que escalem de prioridade”, complementa.
A orientação da profissional é reforçar a análise de margens e custos por produto ou serviço, visto que o aumento na movimentação faz com que vários comerciantes vendam mais, no entanto, sem conseguir discernir a régua de lucratividade. A chegada do Carnaval, segundo Cristiane, é motivo de alívio nas contas, mas a falta de uma estruturação contábil pode vir à desandar os negócios – principalmente ao se tratar de pequenas empresas.
“Saber o custo real de cada produto ou serviço, assim como revisar esses valores antes e depois das festas, é essencial para manter o negócio saudável e competitivo em 2026. Para isso, é fundamental controlar o custo de mercadoria vendida (CMV), acompanhar despesas variáveis e fixas, e calcular a margem líquida. Esses indicadores permitem tomar decisões estratégicas sobre preço, estoque e contratação temporária de pessoal. Assim, é possível garantir que o lucro gerado pela alta temporada seja sustentável até o final de fevereiro e nos meses seguintes”, conclui.
Por Anna Vilarina
