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Em clima de Copa do Mundo, projeto audiovisual ocupa comunidade em Salvador e une arte, memória e coletividade
Em sintonia com o clima vibrante da Copa do Mundo, período em que ruas, cores e afetos coletivos ganham ainda mais força, o lançamento de Primavera nos Dentes, neste sábado (13), propõe uma reflexão sobre memória, juventude e identidade cultural. Inspirado na relação entre os anos de 2016 e 2026, o projeto audiovisual independente transforma referências afetivas da década passada em uma experiência contemporânea, conectando nostalgia, pertencimento e transformação.
Com forte influência da cultura urbana de Salvador (BA), a obra incorpora referências do cotidiano das ruas, das manifestações culturais periféricas e das experiências compartilhadas por jovens brasileiros, valorizando expressões que historicamente atuam como espaços de resistência e criação. O processo de realização do projeto foi guiado por um cuidado essencial com o território e seus moradores.
“Um final de semana antes, fizemos uma visita técnica para conhecer a comunidade, já que não havia ninguém da equipe que fosse morador de lá. Desde o início, parte do cuidado da nossa produção era não invadir o território para gravar, mas entender de que forma poderíamos integrá-los ao filme. Fomos muito bem acolhidos, especialmente por Ueslei e Rosiel, que disponibilizaram seus estabelecimentos e deram todo o suporte necessário para a realização. A Rua 13 se transformou em um palco aberto para receber Primavera nos Dentes, e fomos recebidos com muita generosidade por toda a comunidade. Se não fosse pelos moradores da Rua Sousa Uzel, não teríamos o projeto bonito que conseguimos construir”, destaca Klismann Schramm, um dos idealizadores do projeto.
Ao todo, Primavera nos Dentes reuniu mais de 50 artistas independentes, coletivos culturais e grupos percussivos ao longo de duas diárias de gravação. A ocupação artística da Rua 13 teve como propósito evidenciar uma periferia viva, diversa e criativa, distante das representações estigmatizadas frequentemente reproduzidas pela mídia. Elementos como o amarrar das bandeirolas, a cultura ballroom e a força dos grupos percussivos compõem o tecido simbólico do projeto.
O cinema atuou como ponte para integrar essas múltiplas expressões, mas a realização da obra só foi possível graças ao envolvimento direto e indireto de dezenas de pessoas. Sendo um projeto independente, Primavera nos Dentes também contou com o apoio de mais de 30 colaboradores por meio de financiamento coletivo, reforçando o caráter colaborativo e comunitário da produção.
O projeto será veiculado em mídias digitais, com o objetivo de ampliar seu alcance e promover o diálogo com diferentes públicos. A iniciativa também aponta para desdobramentos futuros, buscando fortalecer a interdisciplinaridade e a união entre linguagens artísticas em novos projetos que continuem valorizando a potência criativa das periferias brasileiras.
Por Anna Vilarina
