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ARTIGO - Quando o estande não fica pronto: a dor silenciosa do live marketing = Por André Vaz, diretor da Punch Live
No universo do live marketing, existe uma verdade que nem sempre aparece nas fotos bonitas de projetos entregues: o evento tem hora para começar, e ele não espera. Ainda assim, atrasos na montagem de estandes continuam sendo uma das dores mais recorrentes do setor, afetando diretamente marcas, equipes comerciais e toda a operação de uma feira.
Quem está do lado do cliente sente o impacto de forma imediata. Um estande que não fica pronto a tempo significa equipe parada, oportunidades de negócio perdidas e uma experiência comprometida logo no primeiro contato com o público. Em eventos onde cada hora conta, o atraso não é apenas um problema operacional. É um prejuízo estratégico.
Ao contrário do que muitos imaginam, esse tipo de problema nem sempre nasce na montagem. Ele pode começar muito antes, ainda na fase de concepção do projeto. É comum ver ideias que funcionam perfeitamente no papel, mas que não consideram as limitações reais de prazo, logística, estrutura ou orçamento. Quando o projeto não é pensado de forma executável, a montagem passa a ser uma corrida contra o tempo e, muitas vezes, contra a realidade.
Outro fator crítico é o desalinhamento entre as etapas do processo. Criação, produção e montagem precisam estar integradas desde o início. Quando essas áreas não conversam de forma estruturada, surgem retrabalhos, ajustes de última hora e decisões improvisadas que comprometem o cronograma. Some-se a isso a dinâmica intensa dos pavilhões, com janelas curtas de montagem, múltiplos fornecedores atuando simultaneamente e alto volume de projetos acontecendo ao mesmo tempo, e o cenário fica ainda mais sensível.
A diferença entre empresas que entregam no prazo e aquelas que enfrentam atrasos recorrentes está, principalmente, no método. Um projeto executivo bem detalhado, com todas as definições técnicas e construtivas, reduz incertezas. A validação prévia de materiais e soluções evita surpresas. Um cronograma realista, construído com base na complexidade do projeto, garante previsibilidade. E, acima de tudo, a gestão de capacidade é decisiva.
No live marketing, dizer sim para todos os projetos pode ser o caminho mais rápido para o erro. Trabalhar com volume acima da capacidade compromete o acompanhamento, reduz o controle de qualidade e aumenta o risco de atrasos. Operar com margem e com espaço para lidar com imprevistos é o que permite manter consistência na entrega, mesmo em um ambiente naturalmente dinâmico como o de eventos.
Outro ponto fundamental é a transparência. Dizer sim para todas as demandas, até mesmo para as irreais, é um perigo. A relação entre cliente e fornecedor precisa ser construída com base na realidade, não na promessa. Nem tudo o que é referência ou inspiração pode ser executado dentro das condições de uma feira. Ter a maturidade de ajustar expectativas, propor soluções viáveis e, quando necessário, dizer não é parte do compromisso com a entrega.
O mercado de eventos está evoluindo, e com isso também cresce o nível de exigência das marcas. Não basta mais criar projetos impactantes. É preciso garantir que eles existam, de fato, no momento em que o evento começa. No fim do dia, o que define a qualidade de um estande não é apenas o que foi apresentado no 3D, mas o que está pronto, funcionando e recebendo pessoas quando as portas se abrem.
Porque no live marketing, diferente de outras áreas, não existe segunda chance para a primeira impressão.
André Vaz, diretor da Punch Live
