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Funeral deixa de ser tabu e movimenta setor bilionário no Brasil
Planejar o próprio funeral já não é mais um assunto restrito aos momentos de perda ou às conversas evitadas dentro de casa. Impulsionado pelo envelhecimento da população, pela busca por segurança financeira e pela ampliação dos serviços oferecidos, o setor funerário brasileiro atravessa uma fase de forte expansão econômica e modernização. Hoje, o segmento movimenta cerca de R$13 bilhões por ano no país, segundo levantamento da Zurik Advisors para o Sindicato dos Cemitérios e Crematórios Particulares do Brasil (Sincep).
O mercado passou a incorporar estratégias de relacionamento, tecnologia, benefícios assistenciais e serviços personalizados, aproximando-se de áreas como seguros, saúde suplementar e assistência familiar. O que antes era visto apenas como um serviço emergencial tornou-se um modelo de negócio contínuo, baseado em acolhimento, planejamento e conveniência.
Expansão - Dados do Sincep apontam que o Brasil possui mais de 11 mil empresas ligadas ao setor funerário, incluindo funerárias, cemitérios, crematórios e administradoras de planos funerários. A expansão acompanha uma mudança cultural no comportamento dos consumidores, que passaram a enxergar o planejamento funerário como parte da organização financeira da família.
A cremação é um dos exemplos mais visíveis dessa transformação. Levantamentos do setor indicam aumento significativo da procura pelo serviço nos últimos anos, impulsionado pela praticidade, pela redução de custos de manutenção e por questões ambientais. Em paralelo, empresas investem em memoriais digitais, velórios transmitidos online, homenagens virtuais e plataformas de atendimento remoto.
Modernização - Na Bahia, o movimento também ganha força. Em Salvador, o plano funerário Campo Santo Familiar vem se consolidando como um dos principais cases de crescimento do segmento ao ultrapassar recentemente a marca de 20 mil vidas assistidas. Com chancela da Santa Casa da Bahia, o serviço ampliou sua atuação apostando em benefícios em vida, atendimento humanizado e parcerias na área de saúde.
Segundo o gestor de projetos do Campo Santo Familiar, Eduardo Fernandes, o setor passou a ocupar um espaço mais estratégico dentro do orçamento familiar. “As pessoas começaram a compreender que o plano funerário não atende apenas um momento de despedida. Ele oferece proteção financeira, acolhimento e tranquilidade para toda a família”, afirma.
Ele ressalta, ainda, que a profissionalização ajudou a mudar a imagem do setor perante a sociedade. “Hoje existe investimento em tecnologia, experiência do cliente, qualificação de equipes e melhoria dos serviços. O segmento deixou de atuar apenas na urgência para construir relacionamento permanente com as famílias”, diz.
Benefícios - A coordenadora de marketing do Campo Santo Familiar, Samara Bastos, destaca que os benefícios agregados vêm aproximando novos públicos do setor funerário. “Os serviços em vida fizeram muita diferença nesta transformação. Muitas famílias chegam inicialmente interessadas nos descontos em consultas, exames, farmácias e outros parceiros, e acabam entendendo a importância do planejamento”, explica.
Segundo ela, a comunicação do segmento também precisou mudar. “As pessoas querem acolhimento, praticidade e transparência. O setor funerário precisou se humanizar ainda mais e adaptar sua linguagem para um consumidor mais informado e conectado”, afirma.
Tecnologia - A digitalização virou uma das principais apostas do mercado funerário brasileiro. QR Codes em lápides, sistemas online de atendimento, cerimônias híbridas e plataformas digitais de homenagem já fazem parte da rotina de muitas empresas do setor. A tendência é que a personalização dos serviços continue crescendo nos próximos anos.
Especialistas apontam que a chamada “economia da despedida” se tornou um dos segmentos mais resilientes do país, mantendo crescimento mesmo em períodos de instabilidade econômica. A regulamentação nacional dos planos funerários e a ampliação do acesso aos serviços contribuíram para atrair novos investimentos e acelerar a profissionalização do mercado.
Mais do que lidar com o luto, o setor funerário brasileiro passou a atuar em áreas como assistência familiar, experiência do cliente, tecnologia e planejamento financeiro — uma transformação que ajuda a explicar por que um tema historicamente tratado como tabu passou a movimentar bilhões de reais no país.
Por Carla Santana
