Foto: Fernando Barbosa/IPAC
Residência artística “Dançando Memórias” ocupa Museu do Recôncavo com oficinas, instalação e ações sobre memória e cultura popular
O Museu do Recôncavo Wanderley Pinho recebe, até o dia 21 de junho, a residência artística “Dançando Memórias”, projeto que investiga as relações entre corpo, memória, religiosidade popular e tradição no contexto cultural do Recôncavo baiano e do Território de Identidade Portal do Sertão. A programação reúne oficinas, instalação imersiva, exibição audiovisual, rodas de conversa e apresentações artísticas abertas ao público.
Desenvolvido no âmbito da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), o projeto é idealizado pela artista, pesquisadora e produtora cultural Antonia Lyara, articulando práticas de dança contemporânea, instalação artística, audiovisual, educação patrimonial e cultura popular.
Segundo Antonia Lyara, a residência nasce de uma pesquisa acadêmica atravessada por experiências pessoais ligadas às tradições populares do Recôncavo. “Venho de uma família que reza a trezena há mais de 60 anos. Esse foi um dos pontos de partida das minhas pesquisas dentro da universidade, que resultaram no interesse em investigar as relações entre corpo, memória e religiosidade popular no contexto do Recôncavo”, afirma.
A proposta transforma o museu em um espaço de encontro, escuta e partilha, aproximando a arte contemporânea dos saberes tradicionais presentes nas trezenas de Santo Antônio e em outras manifestações culturais do território. “Mais do que um espaço de preservação histórica, entendemos o museu como um território de memória viva, um lugar de circulação de afetos, narrativas, corpos e práticas culturais diversas”, completa a pesquisadora.
Elementos da tradição popular, como a Trezena de Santo Antônio, o samba de roda, os cortejos e os gestos de devoção, inspiram os processos criativos da residência. A pesquisa também parte do cotidiano das comunidades, observando práticas como caminhar, rezar, acender velas e sambar como expressões de memória corporal e afetiva.
Como parte da programação, o projeto inaugurou, no dia 21 de maio, uma instalação artística imersiva composta por ex-votos, fotografias, tecidos, bordados, flores e objetos simbólicos que dialogam com memória afetiva, religiosidade popular e práticas comunitárias do Recôncavo baiano.
As atividades formativas ocorrem em diferentes espaços do Museu do Recôncavo Wanderley Pinho, incluindo áreas expositivas, salas de atividade, ambientes externos e ambientes destinados às práticas performativas e educativas. Entre as ações previstas estão oficinas de dança contemporânea e bordado livre, visitas mediadas à instalação, exibição de documentário, rodas de conversa sobre cultura popular, memória e educação patrimonial, além de compartilhamentos performativos e ações artísticas ao longo do processo.
Oficinas
A Oficina de Dança Contemporânea acontece às sextas-feiras, das 13h às 16h, e aos sábados, das 9h às 12h e das 13h às 16h, entre os dias 29 de maio e 19 de junho. A atividade é conduzida pela artista Sauara Costa, natural de Candeias (BA), cuja pesquisa dialoga com o corpo, a memória, a cultura popular e as práticas afro-brasileiras, além da participação de artistas convidadas.
Já a Oficina de Bordado Livre será realizada entre os dias 29 de maio e 19 de junho, das 9h30 às 11h30, sob condução de Maria Alice Cavalcante.
Atualmente, o projeto reúne 15 participantes inscritos nas atividades formativas, oriundos de diferentes territórios e comunidades da Bahia, entre eles Ilha de Maré, Caboto, Candeias, Salvador, São Francisco do Conde e Feira de Santana. A diversidade territorial fortalece o caráter coletivo e formativo da residência, promovendo trocas entre diferentes trajetórias e experiências culturais.
A culminância do projeto acontece no dia 21 de junho, com apresentações públicas dos participantes das oficinas, compartilhamento performativo do espetáculo “Dançando Memórias” e uma ação surpresa de encerramento aberta ao público.
A iniciativa foi contemplada por Edital da Política Nacional Aldir Blanc Bahia (PNAB), e conta com apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura (Secult-BA), via PNAB, com recursos do Ministério da Cultura – Governo Federal.
Por Dori Machado
