Foto: Oscar Liberal
Exposição “Constelações – 40 anos do Paço Imperial” é prorrogada e terá rodas de conversa e lançamento do catálogo
A grande exposição “Constelações – 40 anos do Paço Imperial” foi prorrogada até o dia 10 de junho de 2026 e os últimos dias da mostra terão uma série de programações, como rodas de conversa e lançamento do catálogo. Nesta quarta-feira, dia 3 de junho, às 14h30, a artista Iole de Feitas participará de uma conversa na Sala dos Archeiros, com mediação do historiador da arte e professor da Escola de Belas Artes da UFRJ, Ivair Reinaldim. Em seguida, às 16h, a conversa será com o artista Ernesto Neto, com mediação da diretora Claudia Saldanha.
No dia 10 de junho, último dia da mostra, às 14h30, será lançado o catálogo da exposição, com uma mesa redonda com a participação de Rafael Zamorano, diretor substituto do Sitio Burle Marx, Rafael Barros, diretor do Museu Nacional do Folclore e da Cultura Popular, e Eurípedes Junior, coordenador de Projetos da Sociedade Amigos do Museu de Imagens do Inconsciente. Com 144 páginas, o catálogo, que será distribuído gratuitamente, terá textos de Claudia Saldanha e Ivair Reinaldim, Andrey Rosenthal Schlee e Glauco Campello, fotos de Vicente de Mello, design da Dupla Design e edição da AREA27.
Com curadoria da diretora da instituição, Claudia Saldanha, e do historiador da arte e professor da Escola de Belas Artes da UFRJ, Ivair Reinaldim, a grande exposição ocupa 12 salões e os dois pátios internos com cerca de 160 obras de mais de 100 artistas, de diversas gerações.
“Passados quarenta anos, o Centro Cultural do Patrimônio Paço Imperial - primeiro equipamento inaugurado no entorno da Praça XV, no centro histórico do Rio de Janeiro - teve seu caráter de monumento reiterado, mas também tornou-se ponto de encontro e referência para o circuito das artes visuais da cidade. Ao longo do tempo, abrigou grande número de mostras individuais e coletivas, nacionais e internacionais, entre outros eventos; e se no passado foi o cenário de importantes acontecimentos históricos do país, diversas outras memórias foram acrescidas à edificação nas últimas décadas. Celebrar essa história, composta por múltiplas temporalidades, é reconhecer local e nacionalmente a importância do Paço Imperial na promoção das artes e da cultura brasileira”, afirmam os curadores Claudia Saldanha e Ivair Reinaldim.
Ao longo de sua história, o Paço Imperial realizou exposições com diversas vertentes, que vão desde arte contemporânea até arte popular, passando por arquitetura, design, paisagismo, história e patrimônio. Desta forma, a exposição “Constelações – 40 anos do Paço Imperial” abrange esse conceito e traz a ideia de reunião, sem hierarquia, juntando os artistas contemporâneos aos artistas populares, unindo diferentes gerações, técnicas e suportes em uma única mostra, dividida por núcleos temáticos. “Se a palavra constelação define um agrupamento de estrelas, cosmologicamente distantes umas das outras, mas conectadas pela imaginação humana, constituindo uma forma reconhecível com finalidades diversas, aqui reunidas, as obras produzidas por diferentes gerações de artistas procuram reforçar sua singularidade, assim como sua interação por proximidade”, afirmam os curadores, que ressaltam também a importância da constelação institucional, com obras emprestadas por diversos parceiros, como Instituto Moreira Salles, Museu Bispo do Rosário, Museu de Imagens do Inconsciente, Museu de Arte do Rio, Museus Castro Maya, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Museu do Folclore e Sítio Roberto Burle Marx.
Para a mostra, foi realizada uma extensa pesquisa, que demorou cerca de um ano, na qual foram levantadas todas as exposições realizadas no espaço e os artistas que dela participaram. “Não partimos de obras que necessariamente foram expostas no Paço e sim de artistas que já expuseram e foram importantes nessa história”, conta Ivair Reinaldim. Desta forma, na mostra haverá obras icônicas, mas também trabalhos inéditos, além de outros que não necessariamente foram apresentados no espaço, mas pertencem a artistas que ajudaram a escrever a história do lugar. Entre as obras apresentadas está um jardim em homenagem a Roberto Burle Marx (1909-1994), cujo centenário de nascimento ganhou uma grande mostra no Paço Imperial em 2008, com curadoria de Lauro Cavalcanti, diretor da instituição na época. O jardim foi montado pelo Sitio Burle Marx, em parceria com o Paço Imperial, no pátio principal. A exposição também traz obras inéditas, criadas especialmente para esta mostra, como a instalação “Agrupamento”, de José Damasceno, feita com materiais garimpados na feira da Praça XV, em frente ao Paço Imperial, e os trabalhos de Marcelo Monteiro e Regina de Paula.
A exposição é complementada por 15 vídeos da série sobre arte contemporânea produzida pela Rio Arte, com artistas como Amilcar de Castro (filmado no Paço Imperial durante sua exposição em 1989), Anna Maria Maiolino, Antonio Manuel, Lygia Clark, Lygia Pape, Tunga, entre outros. “São vídeos bem importantes, feitos a quatro mãos pelos artistas e diretores. Não são um mero registro em vídeo, mas sim obras de arte, concebidos como peças artísticas”, conta Claudia Saldanha. Dada a importância, uma das salas da mostra será inteiramente dedicada a estes filmes.
NÚCLEOS TEMÁTICOS
A exposição está dividida em nove núcleos temáticos: “Paisagem”, “In Situ”, “Simbiose”, “Construção”, “Geografias”, “Corpos”, “Fortunas”, “Terra e Mar” e “Cidade”. No entanto, intencionalmente, não há um circuito pré-definido. Todos os portões do Paço Imperial estão abertos, incluindo o principal, que tem vista para a Baía de Guanabara e está fechado desde a pandemia. “Sempre gostamos quando o visitante faz o seu próprio percurso. Pode começar pelo primeiro ou segundo andar, pode entrar por qualquer um dos portões. A mostra não tem uma cronologia, foi uma decisão da curadoria não classificar, não categorizar, não criar barreiras nem distinções entre as obras, que é um pouco do que tentamos fazer hoje, mostrando artistas de vários perfis, de várias genealogias, com raízes diferentes”, diz Claudia Saldanha, que há dez anos dirige o Paço Imperial.
SOBRE O PAÇO IMPERIAL
Construído em 1733 e inaugurado em 1743, o Paço Imperial foi usado primeiramente como Casa dos Vice-Reis do Brasil. Com a chegada da Corte de D. João VI ao Rio de Janeiro, em 1808, tornou-se Paço Real e sede dos governos do Reinado e do Império. Após a Proclamação da República, em 1889, abrigou a Agência Central dos Correios e Telégrafos. A primeira planta em escala da cidade, feita em 1713, e os vestígios arqueológicos revelam que, no Paço Imperial, também funcionaram a Casa da Moeda e o Armazém del Rei. O casarão foi tombado pelo Iphan em 1938. Desde sua restauração em 1983, conduzida pelo arquiteto Glauco Campello, o Paço Imperial resgatou sua essência histórica e se tornou referência na arte contemporânea. Em 1985, depois de restaurado, tornou-se um centro cultural vinculado ao Iphan.
IOLE DE FREITAS
Estudou na Escola Superior de Desenho Industrial da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e, em 1970, mudou-se para Milão (Itália), onde trabalhou como designer no Corporate Image Studio da Olivetti. Neste mesmo período, iniciou sua produção artística e sua participação em exposições.
Ao longo de mais de cinco décadas de carreira, participou de importantes mostras internacionais, como Bienal dos Jovens de Paris (França, 1975), Bienal de São Paulo (1981, 1998), 5ª Bienal do Mercosul (2005) e a Documenta 12, de Kassel (Alemanha, 2007), além de individuais e coletivas em várias cidades, contando em 2023 as exposições no IMS (Instituto Moreira Salles) e no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo. Seus trabalhos integram importantes coleções, como a do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo; Museus de Arte Moderna de São Paulo e do Rio de Janeiro; Museu de Arte do Rio; Bronx Museum (EUA); Museu de Arte Contemporânea de Houston (EUA) e Daros Foundation (Suíça). No Paço Imperial realizou as exposições individuais: Esculturas, em 1992; Anos 70 - Imagem como Presença, em 2024; e Fazer o Ar, em 2025.
ERNESTO NETO
Produz esculturas e grandes instalações imersivas, utilizando técnicas artesanais como o crochê para compor estruturas flexíveis e interativas. Tece membranas e peles, redes e invólucros que usam a gravidade e o equilíbrio como recursos de composição. Suas obras criam ambientes plurissensoriais, onde o público é acolhido como um coletivo de presenças e corpos ativos nas instalações.
Algumas de suas exposições individuais recentes são Nosso Barco Tambor Terra, Grand Palais, Paris, França (2025); Nosso Barco Tambor Terra, MAAT, Lisboa, Portugal (2024); CapiDanc?aBaribe?Nois, Oficina Francisco Brennand, Recife, Brasil (2023); SunForceOceanLife, The Museum of Fine Arts, Houston, Estados Unidos (2021); Sopro, Pinacoteca do Estado de Sa?o Paulo, Sa?o Paulo, Brasil; MALBA – Museum of Latin American Art, Buenos Aires, Argentina (2021) Mentre la vita ci respira – SoPolpoVit’EreticoLe, GAMeC – Galleria d’Arte Moderna e Contemporanea di Bergamo, Bergamo, Itália (2021); Water Falls from my Breast to the Sky, MCA – Museum Museum of Contemporary Art, Chicago, Estados Unidos (2019). No Paço Imperial participou das seguintes coletivas: Panorama da Arte Brasileira (2004), Caminhos do Contemporâneo (2002), Espelho Cego (2001) e Os 90 (2000).
Serviço: “Constelações - 40 anos do Paço Imperial”
· Dia 3 de junho de 2026
- 14h30 – conversa com Iole de Freitas, com mediação de Ivair Reinaldim, na Sala dos Archeiros
- 16h – conversa com Ernesto Neto, com mediação de Claudia Saldanha, na Sala dos Archeiros
· Dia 10 de junho de 2026, às 14h30
- 14h30 - Conversa com Rafael Zamorano, diretor substituto do Sitio Burle Marx, Rafael Barros, diretor do Museu Nacional do Folclore e da Cultura Popular, e Eurípedes Junior, coordenador de Projetos da Sociedade Amigos do Museu de Imagens do Inconsciente.
- Lançamento do catálogo
Centro Cultural do Patrimônio Paço Imperial [pátios, 1º e 2° pavimentos]
Praça XV de Novembro, 48 – Centro – Rio de Janeiro – RJ
Exposição: até 10 de junho de 2026
Terça a domingo e feriados, das 12h às 18h.
Entrada gratuita
Curadoria: Claudia Saldanha, Ivair Reinaldim e equipe do Paço Imperial
Produção: AREA27
Por Beatriz Caillaux
