Andrea Meza, secretária-executiva da Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD-ONU) / Foto: Divulgação
Carta aberta defende recaatingamento como solução mundial contra a desertificação
Do Nordeste brasileiro poderá vir uma técnica inovadora para recuperar áreas semiáridas em todo o mundo. A solução, já aplicada em vários municípios da região, é o chamado “recaatingamento”, que consiste em enfrentar a desertificação e a degradação da terra com ações que combinam isolamento e preservação de matas nativas ao envolvimento das comunidades locais.
O recaatingamento foi defendido como alternativa mundial de combate à desertificação por uma carta aberta, apresentada no encerramento do 5º Encontro Nordeste ICLEI Brasil, realizado no final de maio, em Salvador. O evento na capital baiana contou com a presença de Andrea Meza, secretária da UNCCD, conferência global da ONU que trata do assunto.
O documento reflete o debate realizado no encontro e aponta que os desafios atuais exigem respostas adequadas a cada território. A carta defende ainda o fortalecimento da cooperação interfederativa e da governança multinível como condição essencial para a implementação efetiva da ação climática, bem como a necessidade de ampliar o acesso de governos subnacionais ao inanciamento climático internacional.
Andrea Meza, secretária-executiva da Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD-ONU), afirmou ver no Brasil uma fonte de inovação e conhecimento para o mundo na questão da desertificação. “O país tem demonstrado possuir todas as condições de adotar medidas de recuperação e preservação que beneficiem as populações locais”, disse ela, durante o encontro.
A secretária ressaltou que a busca de um modelo que equilibre preservação ambiental, desenvolvimento econômico e impacto social é uma questão de governo. “As autoridades precisam encarar esse equilíbrio como um desafio que não é mais local, e sim global. Combater a seca tornou-se uma prioridade mundial”, reforçou ela.
“O encontro promovido pelo ICLEI foi uma oportunidade de levar até a UNCCD e aos especialistas as ações que estão sendo desenvolvidas para a proteção da Caatinga. Enfrentar essa questão é um desafio que exige a cooperação regional”, afirmou Glauber Piva, chefe de Gabinete do Consórcio Nordeste, durante o evento.
Rodrigo Perpétuo, do ICLEI, ressaltou que a realização do encontro após a COP30 fez com que o evento ganhasse ainda mais importância. “As diretrizes estabelecidas em Belém precisam agora ser traduzidas em propostas que atendam às novas metas e compromissos globais em clima e biodiversidade assumidos na conferência”, afirmou o diretor-executivo do ICLEI América do Sul.
O 5º Encontro Nordeste foi uma realização do ICLEI Brasil em parceria com o Consórcio Nordeste e o governo do Estado da Bahia, com patrocínio da MRV e apoio institucional da KAS Brasil, do Fórum CB27 e do Ministério do Meio Ambiente e Mudanças do Clima.
Por Aurea Figueira
