Perspectivas do painel de Rodrigo Borges no Museu da República / Foto: Divulgação
‘O Jardim da Memória’: Rodrigo Borges inaugura, dia 13 de junho, um painel de grandes proporções na Galeria do Lago, Museu da República
Toda memória é uma busca, mas nem sempre se sabe o que está procurando. O artista visual carioca Rodrigo Borges inaugura no dia 13 de junho de 2026, na Galeria do Lago, no Museu da República, a exposição “O Jardim da Memória”. Com entrada gratuita, a mostra tem como principal destaque o painel homônimo, uma obra de grandes proporções que cobre quase toda a extensão da galeria: 1,50 metro de altura por 14,4 metros de extensão, criado com técnica mista que une desenhos e textos. Ainda compõem a exposição 24 estudos preparatórios em grafite que documentam o processo criativo.
Esta é a segunda exposição individual de Borges. Depois de “A Floresta que Habito”, realizada no início de 2025 na Galeria Iconic, o artista aprofunda sua investigação sobre tempo, mito, memória e imagem em uma obra de escala e ambição inéditas em sua trajetória. O painel é resultado de mais de dois meses de trabalho ininterrupto em seu ateliê, e ficará em exibição até 6 de setembro de 2026. A curadoria é assinada por Isabel Portella.
Uma obra que investiga memória, legado e morte
“O Jardim da Memória” acompanha a jornada de uma personagem: a Memória, representada por uma criança, que adentra o jardim do museu em busca de uma lembrança esquecida. À medida que avança em direção ao passado, ela se confunde, inventa, mistura escalas e temporalidades. O cenário se transforma: flores cedem lugar a fungos, a arquitetura se desconstrói.
O painel incorpora elementos reais do Museu da República: o portão, o relógio, a cadeira, a fachada do palácio, entre outros, tecendo conexões entre o espaço e o universo fictício criado pelo artista. O final da jornada da Memória não existe para revelar a verdade, mas para instigar quem observa a refletir seus múltiplos significados.
Sob a superfície de imagens delicadas e atmosféricas, “O Jardim da Memória” carrega um simbolismo profundo que, além da memória em si, também tem a ver com dois tipos de morte. A primeira, biológica. A segunda, o esquecimento.
"A segunda é o que me interessa. Até quando você consegue enganar a morte? O quão longe você consegue que seu legado sobreviva sem você?", questiona Borges, que completa: "Só morremos de fato quando alguém para de falar o nosso nome".
Para o artista, a obra é também uma reflexão sobre a tentativa frustrada de vencer algo invencível. “É a inevitabilidade da derrota diante do tempo", afirma. E é justamente nessa tensão que reside uma das marcas mais fortes do seu trabalho: "Existe um contraponto interessante entre a delicadeza das imagens e o simbolismo melancólico do visual e do texto", conclui.
Formado em Design Gráfico pela PUC-Rio com especialização em animação, Borges desenvolveu ao longo dos anos um universo visual próprio, influenciado pelo Art Nouveau, o Simbolismo, e pela mitologia nórdica, no qual o grafite é tanto técnica quanto estrutura conceitual.
SOBRE RODRIGO BORGES:
Rodrigo Borges é artista visual e pesquisador da imagem, formado em Design Gráfico pela PUC-Rio, com especialização em animação. Sua prática transita entre desenho, ilustração e motion design, articulando uma produção centrada no grafite como dispositivo de construção simbólica e investigação sensível.
Partindo de processos manuais, o artista desenvolve composições de forte densidade atmosférica, onde figuras, elementos orgânicos e arquiteturas imaginárias emergem como fragmentos de narrativas abertas. Sua obra opera em um território entre o sonho e a memória, instaurando espaços de suspensão nos quais a imagem não se oferece de maneira imediata, mas se revela através de camadas, vestígios e relações sutis.
Influenciado pela Art Nouveau e pelo Simbolismo, Borges investiga a permanência do gesto e da materialidade em um contexto contemporâneo marcado pela aceleração e pela virtualização da experiência visual. O grafite, em sua prática, torna-se não apenas técnica, mas estrutura conceitual: uma superfície de acúmulo, erosão e permanência. Sua produção já integrou publicações internacionais dedicadas à ilustração e tipografia, além de exposições coletivas na Arch Enemy Arts, na Filadélfia, EUA. Em 2025, realizou sua primeira exposição individual, A FLORESTA QUE HABITO, na Galeria Iconic, no RJ.
FICHA TÉCNICA:
Artista: Rodrigo Borges
Curadoria: Isabel Portella
Montagem: Adriano Trindade
Assessoria de imprensa: Prisma Colab
SERVIÇO:
O Jardim da Memória, de Rodrigo Borges
Inauguração: 13 de junho de 2026
Período de visitação: de 13 de junho de 2026 a 6 de setembro de 2026
Local: Galeria do Lago - Museu da República
Endereço: R. do Catete, 153 - Catete
Horário de visitação: De terça a domingo, das 11h às 17h
Grátis. Livre.
Por Mario Camelo
