Museu Geológico da Bahia promove 1º encontro de colecionadores e exposição sobre a história da Terra
O Museu Geológico da Bahia (MGB), equipamento administrado pela
Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE), realizou no último
domingo (31) o 1º Encontro de Colecionadores de Minerais da Bahia. O
evento reuniu geólogos, estudantes, pesquisadores, colecionadores
e visitantes de diversas idades, incluindo crianças apaixonadas pelo
universo das rochas e minerais. Na mesma ocasião, foi aberta a exposição
"Cristais, Rochas e Tempo Geológico: a arte natural da Terra", em
celebração ao Dia do Geólogo.
Promovida pelo MGB em parceria com a Associação Baiana de Geologia
(ABG), a iniciativa teve como objetivo aproximar a sociedade do
patrimônio geológico baiano, incentivando a troca de experiências e
conhecimentos entre especialistas e entusiastas das geociências.
A exposição, que fica em exibição até 19 de setembro, apresenta parte
da coleção particular do geólogo e colecionador Rafael Daltro. Natural
de Salvador, ele iniciou sua trajetória ainda na infância, aos oito anos
de idade. Frequentador assíduo do MGB, que
definia como "o lugar mais legal do mundo", transformou a paixão em
profissão. Cursou Geologia na Universidade Federal da Bahia (UFBA),
seguido por um estágio no próprio museu. Atualmente, Rafael atua há 14
anos na área de pesquisa e exploração mineral e reúne
um acervo com cerca de 1.500 exemplares provenientes de diversas
regiões do Brasil e do mundo.
“Esse evento é muito especial. É o primeiro encontro de colecionadores
de minerais da Bahia. Eu já participei de encontro de colecionadores em
outros estados como Minas, São Paulo e até fora do país, na Austrália.
Reunimos um público muito interessante, desde
colecionadores mais antigos até crianças que estão começando agora no
colecionismo. É importante fomentar o colecionismo na Bahia, que é um
estado que é uma potência mineral.”
Paixão que atravessa gerações
Entre os destaques do encontro estava Arthur, de apenas oito anos, que
já cultiva uma coleção de minerais. Segundo ele, tudo começou quando
encontrou uma ágata, peça que marcou o início de sua trajetória como
colecionador. Desde então, a curiosidade cresceu
e o jovem vem ampliando seu acervo com exemplares encontrados ao longo
do tempo.
O estudante de Direito Bruno Almeida também participou da exposição
apresentando parte de sua coleção. Colecionador desde os 11 anos, ele
acumula mais de 600 peças e destaca que o interesse aumentou nos últimos
anos, quando passou a buscar minerais de maior
qualidade e diversidade.
De acordo com Bruno, o que mais chama sua atenção são as cores intensas e
as formações cristalinas bem definidas. Entre os exemplares favoritos
estão uma rubelita, variedade da turmalina, uma rara apatita de Minas
Gerais e a suelita, mineral pouco conhecido
no Brasil e encontrado principalmente na África do Sul.
Para o engenheiro geólogo Renato Andrade, a atividade de colecionar está
diretamente ligada à profissão. Ex-minerador de barita e atual geólogo
do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia da Bahia (Crea-BA), ele
destacou uma apatita de cristal hexagonal
como uma das peças mais significativas de sua coleção.
“O mineral tem relevância estratégica por estar associado ao fosfato
utilizado na produção de fertilizantes.” O geólogo ressaltou a
importância de ampliar as pesquisas minerais no país para reduzir a
dependência de importações em um cenário de instabilidade
internacional.
Já o geólogo, engenheiro de segurança do trabalho e professor da UFBA
Leonardo Mascarenhas explicou que: “priorizo minerais com procedência
conhecida, especialmente aqueles originários de minas baianas. Entre
minhas preferências estão os carbonatos e os óxidos,
principalmente os de ferro, manganês e cobre”, diz.
Leonardo destacou que o colecionismo também reserva surpresas, já que
exemplares de grande beleza e relevância acabam sendo incorporados ao
acervo mesmo quando não faziam parte dos planos iniciais.
Educação e divulgação científica
Além de celebrar o Dia do Geólogo, o encontro reforçou o papel do Museu
Geológico da Bahia como espaço de educação, pesquisa e divulgação
científica. Ao reunir diferentes gerações em torno da geologia, a
iniciativa mostrou como a curiosidade despertada por
uma simples pedra pode se transformar em conhecimento, profissão e
ferramenta de valorização do patrimônio natural baiano.
Funcionamento do MGB
Terça a sexta: 13h às 18h
Sábado e domingo: 13h às 17h
Fonte: Ascom/SDE
