Foto: Divulgação Poliedro
Projeto criado por estudantes de São José dos Campos representa o Brasil em conferência científica na Índia
Estudantes do Poliedro Colégio, de São José dos Campos, representaram o Brasil na International Conference of Young Scientists (ICYS) 2026,
conferência científica internacional realizada em Nova Delhi, na Índia,
com um projeto desenvolvido
para auxiliar pessoas diagnosticadas com Doença de Parkinson a
realizarem atividades cotidianas com mais estabilidade e autonomia.
A
tecnologia, batizada de “STABILUVA”, foi criada pelas estudantes Bianca
Elisa Dias, 17 anos, Giovana Estrela Teixeira, 16 anos, e Larissa
Thomas de Siqueira, 16 anos, sob a orientação dos professores Israel
Peres, Alex Silva e Thiago Pavan. O
dispositivo funciona como uma luva equipada com sensores capazes de
identificar tremores involuntários das mãos e acionar pequenos motores
de vibração que auxiliam na estabilização dos movimentos.
As
alunas participaram da conferência internacional após o projeto ser
premiado na 24ª edição da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia
(Febrace), organizada pela Universidade de São Paulo e considerada a
principal mostra pré-universitária de
ciência e engenharia do país.
“A
experiência na ICYS foi muito especial, tanto pela oportunidade de
apresentar o nosso projeto em inglês quanto pelas trocas que tivemos com
estudantes de outros países. Além da parte científica, vivemos muitos
momentos de intercâmbio cultural
e pudemos conhecer diferentes realidades e formas de pensar. Também
ficamos muito felizes por conquistar o terceiro lugar tanto na
apresentação do banner quanto na apresentação oral, o que tornou essa
experiência ainda mais marcante”, afirma
Larissa Thomas de Siqueira, estudante do Poliedro Colégio.
Durante
o processo de desenvolvimento, a tecnologia foi testada com uma
paciente de 82 anos diagnosticada com Parkinson há 15 anos, atendida
pelo Lar Sociedade de São Vicente de Paula. Segundo as estudantes, a
usuária apresentou melhora na firmeza ao
segurar objetos e maior estabilidade na realização de movimentos
cotidianos utilizando o dispositivo.
O
diferencial da STABILUVA está na distribuição estratégica dos motores
de vibração em regiões específicas da mão, definidas a partir de estudos
realizados pelas próprias estudantes sobre a propagação dos tremores. A
proposta foi desenvolvida
para reduzir as oscilações involuntárias sem limitar os movimentos
naturais do usuário, permitindo mais independência em tarefas simples do
dia a dia, como beber água, segurar objetos e tomar medicamentos.
A
ICYS reúne anualmente jovens pesquisadores de diferentes países para
apresentação de projetos nas áreas de ciência, tecnologia e engenharia. A
participação das estudantes brasileiras no evento representa um
reconhecimento internacional para a
pesquisa desenvolvida ainda durante o ensino médio.
Além
da participação internacional, o projeto também conquistou resultados
expressivos na Febrace. Competindo com outros 296 projetos de diferentes
regiões do país, a STABILUVA conquistou o 1º lugar na categoria
Ciências Moleculares, o 4º lugar
geral em Engenharia e ainda recebeu o prêmio de publicação de artigo
científico no Fórum CCNTs (Fórum Intersetorial de Condições Crônicas Não
Transmissíveis no Brasil).
“Quando estudantes ainda no ensino médio conseguem desenvolver uma solução com potencial de impacto social real e apresentar esse trabalho em uma conferência internacional, vemos na prática como a pesquisa científica pode transformar a educação. Esse reconhecimento mostra a capacidade dos jovens brasileiros de produzir inovação desde cedo. Essa conquista não seria possível sem o suporte dos professores que orientaram as estudantes durante todo o processo.”, afirma Thiago Pavan, coordenador de Projetos, Inovação e Olimpíadas Científicas do Poliedro Colégio.
Por Laís Souza
