O Radar IDHM 2024 mostra que a população negra registrou crescimento do desenvolvimento humano nas três dimensões que compõem o índice. O IDHM Educação passou de 0,623 para 0,770. Foto: Divulgação/IF
Brasil alcança patamar de muito alto desenvolvimento humano pela primeira vez na história, revela Radar IDHM 2024
O Brasil chegou a 2024 com um Índice de
Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de 0,805 e ingressou, pela
primeira vez na história, no grupo de países com muito alto
desenvolvimento humano. O avanço é resultado de políticas públicas
voltadas à
ampliação do acesso à educação, à saúde e à geração de renda. Os dados
integram o Radar IDHM 2024, publicação elaborada pelo Programa das
Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), em parceria com a Fundação
João Pinheiro (FJP) e o
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
“Um resultado que não é coincidência, mas
reflexo de escolhas políticas consistentes e coordenadas, com impacto
direto nos indicadores de educação, longevidade e renda mapeados pelo
IDHM”, afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seu
perfil no X. “Sabemos que ainda temos um longo caminho pela frente, com
desigualdades regionais, de gênero e de raça que precisam ser superadas.
O resultado já alcançado mostra que estamos no caminho certo”,
destacou.
Pela primeira vez na história, o Brasil alcança o patamar mais elevado do Índice de Desenvolvimento Humano (IDHM). O IDHM avalia o bem-estar de uma população numa escala que varia de 0 a 1. Um país é classificado no patamar de Muito Alto Desenvolvimento Humano quando seu índice… pic.twitter.com/ZtudC3sWdp
— Lula (@LulaOficial) May 26, 2026
A série histórica analisada pelo
levantamento abrange um recorte de 2012 a 2024. Após enfrentar quedas
severas em 2020 e 2021, o IDHM do país demonstrou forte poder de
recuperação nos últimos dois anos avaliados: o índice geral saltou de
0,788 em 2022 para 0,798 em 2023, até romper a barreira do
desenvolvimento muito alto em 2024.
O relatório destaca que os avanços recentes
ocorreram em todas as dimensões aferidas. A educação foi a área que mais
evoluiu, com crescimento médio anual de 1,35%, enquanto a longevidade
recuperou perdas provocadas pela pandemia e registrou o
maior patamar da série histórica em 2024 (0,86). A renda, impactada nos
anos anteriores pela crise econômica e sanitária, também retomou
crescimento.
Nesse contexto, a coordenadora da Unidade de
Desenvolvimento Humano do Pnud Brasil, Betina Barbosa, destacou os
impactos de políticas públicas de transferência de renda sobre os
indicadores sociais e educacionais. Segundo ela, o Bolsa Família
contribuiu para ampliar a permanência de crianças e adolescentes na
escola e reduzir o trabalho infantil. “É o programa Bolsa Família que
retira quantidade enorme de crianças do trabalho e dá a elas a condição
da escola e a obrigatoriedade,
também, de estar na escola. Então, aqui vejo diretamente o efeito de uma
política pública brasileira”, afirmou.
Betina Barbosa ressaltou ainda que programas
estruturantes produzem efeitos graduais ao longo do tempo. Segundo ela,
o Bolsa Família, criado em 2003, começa a apresentar resultados mais
evidentes cerca de dez anos depois, quando os primeiros
beneficiários completam ciclos mais longos de escolarização.
REDUÇÃO DAS DESIGUALDADES RACIAIS
O Radar IDHM 2024 mostra que a população negra apresentou, nos
últimos 13 anos, ritmo de crescimento do desenvolvimento humano quase
duas vezes maior que o registrado pela população
branca. Entre 2012 e 2024, o IDHM da população negra cresceu 10,3%,
enquanto o da população branca, que partia de patamar mais alto, avançou
5,5%.
O IDHM da população negra passou de 0,694 em
2012 para 0,774 em 2024. Entre a população branca, o índice evoluiu de
0,804 para 0,851 no mesmo período. O relatório aponta que, embora as
desigualdades persistam, a distância caiu de 14% para
9%.
UNIDADES DA FEDERAÇÃO
O
crescimento do IDHM foi registrado em todas as unidades da Federação
entre 2012 e 2024. Segundo o Radar IDHM, dez UFs alcançaram o patamar de
muito alto desenvolvimento humano em 2024, enquanto as
demais permaneceram na faixa de alto desenvolvimento humano.
Os maiores avanços proporcionais no período
ocorreram em estados do Nordeste. Alagoas, Piauí e Rio Grande do Norte
lideraram o crescimento do IDHM entre 2012 e 2024, consolidando uma
tendência de redução gradual das desigualdades
regionais.
Em 2024, o Distrito Federal registrou o
maior índice do país, com IDHM de 0,866, seguido por São Paulo, com
0,838. Na sequência aparecem Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul,
todos na faixa de muito alto desenvolvimento humano. Já Maranhão
(0,745) e Alagoas (0,746) apresentaram os menores índices nacionais,
embora ambos tenham avançado ao longo da série histórica.
REGIÕES METROPOLITANAS
O
Radar IDHM aponta ainda crescimento em todas as 20 regiões
metropolitanas analisadas e na Região Integrada de Desenvolvimento
(Ride) da Grande Teresina entre 2012 e 2024. Os maiores avanços
ocorreram
nas regiões metropolitanas de Natal e João Pessoa, além da Ride da
Grande Teresina.
Em 2024, os melhores resultados foram
registrados nas regiões metropolitanas de Florianópolis (0,874) e
Curitiba (0,856). Os menores índices apareceram nas
regiões metropolitanas de Macapá (0,762) e Maceió (0,776). Das 21
regiões analisadas, 17 alcançaram a faixa de muito alto desenvolvimento
humano.
O levantamento também aponta redução gradual das
desigualdades raciais nas regiões
metropolitanas. Em 2024, o IDHM da população negra alcançou a faixa de
muito alto desenvolvimento humano em sete regiões metropolitanas,
enquanto o IDHM da população branca atingiu esse patamar em todas as
regiões analisadas.
Fonte: Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República
