Estratégia e conexão são apontados como pontos chave para atravessar 2026 / Foto: Divulgação
Setor madeireiro aposta em estratégia para 2026
A perspectiva para 2026 no setor madeireiro passa por decisões estratégicas, leitura de cenário e reorganização interna das indústrias. Esse foi o principal debate do episódio 23 do Podcast WoodFlow, que reuniu especialistas para analisar os efeitos do comércio internacional sobre a cadeia da madeira e apontar caminhos para o próximo ciclo. Para Marcelo Wiecheteck, Head de Desenvolvimento Estratégico da STCP, o foco deve estar na antecipação. “Em 2026 devemos pensar de forma estratégica, com eficiência, redução de custos e capacidade de leitura de cenários, porque o protecionismo tende a permanecer”, afirmou.
Ao avaliar o ambiente externo, Higor de Menezes, Gerente de Relações Internacionais da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), destacou a instabilidade das regras comerciais e a dificuldade de planejamento. “O desafio é a velocidade com que tarifas são anunciadas e retiradas. Acordos comerciais tendem a ser mais relevantes do que anúncios pontuais”, disse. Segundo ele, a diversificação de mercados seguirá como prioridade, com atenção a América Latina, Europa e Ásia, além da manutenção das relações com os Estados Unidos.
O debate também revisitou 2025, ano que começou com expectativas elevadas e terminou marcado por restrições comerciais. Para Patrick Reydams, consultor técnico no conselho da madeira da Fiep, os números não refletem todo o impacto. “Quando olhamos apenas os dados consolidados, parece que o setor se manteve, mas houve uma perda potencial. A expectativa inicial era de um crescimento maior, especialmente no compensado de pinus”, explicou. Ele ressaltou que produtos ligados à construção civil, como molduras e portas, sofreram com a inviabilização do mercado após as tarifas.
Do ponto de vista estatístico, Wiecheteck detalhou que o volume exportado de madeira serrada cresceu cerca de 5% em 2025, enquanto o compensado recuou 3,9%, com queda de aproximadamente 10% em valor. A madeira serrada tropical apresentou aumento de 20%, mas houveram retrações relevantes em molduras, pisos e portas. “Até julho, alguns produtos chegaram a superar os volumes de 2024. Após a tarifação, a queda foi acentuada”, afirmou. Segundo ele, a estimativa é de cerca de US$ 320 milhões não exportados na comparação anual.
As consequências se estenderam para além do comércio exterior. Higor apontou impactos diretos em municípios e cadeias de fornecimento, além da perda de compradores internacionais. Dados da Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (ABIMCI) indicam mais de cinco mil postos de trabalho perdidos até setembro de 2025, cenário que, segundo o gerente da Fiep, não deve apresentar reversão imediata no início de 2026.
Na avaliação de Gustavo Milazzo, CEO da WoodFlow e apresentador do programa, o aprendizado coletivo aponta para uma mudança estrutural. “Ficou claro que não é possível depender de um único mercado. Informação, conexão e estratégia serão essenciais para atravessar 2026”, concluiu. O episódio encerra reforçando que, após um ano de resiliência, o setor entra em um novo ciclo em que planejamento e inteligência comercial ganham centralidade.
Por Mariana Rudek
