Foto: Divulgação UNIFACS (Magnific)
Eventos climáticos extremos: especialistas orientam como preparar a casa e reduzir riscos
A frequência crescente de tempestades
severas, ondas de calor e períodos de estiagem prolongada tem acendido o
alerta em diversas regiões do país. Diante de previsões que indicam a
intensificação de fenômenos meteorológicos globais, a
preparação das cidades e das residências deixa de ser apenas uma medida
eventual e passa a fazer parte da rotina de segurança da população.
Entender os fatores climáticos envolvidos e adotar cuidados preventivos
são passos fundamentais para
mitigar danos materiais e proteger vidas.
Diante desse cenário, especialistas da Universidade Salvador (UNIFACS),
integrante da Ânima Educação, o maior e mais inovador ecossistema de
ensino de qualidade do país, orientam que a prevenção deve começar antes
dos períodos
de maior risco, com a identificação das características de cada local e a
adoção de medidas capazes de reduzir impactos.
De acordo com o arquiteto e urbanista Bruno Andrade,
coordenador do Escritório de Arquitetura da UNIFACS, compreender a
relação entre os fenômenos climáticos e o ambiente construído é
fundamental para pensar estratégias de
prevenção. Para o especialista, a arquitetura e o planejamento dos
espaços precisam considerar as características e os possíveis impactos
de eventos climáticos extremos, especialmente em regiões mais
suscetíveis a chuvas intensas, ventos fortes,
alagamentos ou períodos prolongados de calor.
Nesse contexto, a expressão “Super El
Niño”, que vem chamando a atenção da sociedade, é uma denominação
utilizada por especialistas e órgãos internacionais de meteorologia para
descrever eventos em que a anomalia de temperatura da
superfície do mar no Pacífico Central supera o patamar de +2 °C acima da
média histórica de forma sustentada.
“Nos últimos 150 anos de monitoramento,
episódios dessa magnitude extrema foram registrados em poucas ocasiões,
como em 1982 e 1983, 1997 e 1998 e 2015 e 2016. A apreensão recente
decorre de projeções e medições que indicam um acúmulo
expressivo de energia térmica tanto na superfície quanto nas camadas
subsuperficiais do oceano, aumentando o risco de um evento com impactos
globais de grande severidade”, explica.
O arquiteto ressalta que eventos dessa
magnitude também podem ampliar a pressão sobre as cidades e sobre o
ambiente construído. “Quando pensamos em arquitetura e urbanismo diante
de cenários climáticos extremos, precisamos considerar não apenas o
fenômeno em si, mas também a forma como as edificações e os espaços
urbanos respondem a ele. Características como a localização do imóvel, a
ocupação do terreno, a circulação de água e a exposição aos ventos
podem influenciar diretamente a
capacidade de uma construção de enfrentar situações adversas”, detalha o
docente.
Arquitetura preventiva e engenharia: cuidados na infraestrutura residencial
Para enfrentar cenários de instabilidade
climática, a manutenção predial preventiva e o diagnóstico de pontos
vulneráveis nas moradias são as primeiras linhas de defesa.
Especialistas destacam que pequenos reparos realizados antecipadamente
podem
evitar falhas graves durante temporais.
Bruno Andrade ressalta que o ponto de
partida deve ser a observação cuidadosa da própria edificação. Telhados,
fachadas, muros e esquadrias precisam ser avaliados com frequência.
“Uma das principais medidas preventivas é conhecer as condições
da própria residência. Problemas que parecem pequenos, como uma telha
deslocada, uma calha obstruída ou uma fissura que está evoluindo, podem
ganhar proporções maiores diante de uma chuva intensa ou de ventos
fortes. A manutenção preventiva é
sempre mais segura do que tentar corrigir o problema durante uma
emergência”, orienta Bruno Andrade.
Por sua vez, a engenheira ambiental e sanitarista Raissa da Matta,
coordenadora do curso de Engenharia Civil da UNIFACS, enfatiza a
atenção necessária ao escoamento da água e aos sistemas de drenagem.
Calhas, ralos e condutores devem
estar sempre limpos, e o terreno deve estar preparado para absorver e
conduzir o fluxo de água sem gerar represamentos.
“É importante observar como a água da
chuva se comporta no terreno e dentro da própria residência. Quanto mais
cedo forem identificados pontos de acúmulo, infiltrações ou falhas no
sistema de drenagem, maiores são as possibilidades de minimizar
os impactos durante um evento extremo”, frisa Raissa da Matta.
Bruno Andrade acrescenta que qualquer
intervenção na estrutura do imóvel deve contar com orientação técnica
qualificada. “Paredes, pilares, vigas e outros elementos estruturais têm
funções específicas na segurança de uma edificação.
Reformas ou intervenções sem orientação técnica podem comprometer o
desempenho da construção”, alerta o arquiteto.
Guia prático: preparação e comportamento em fenômenos extremos
Com base na experiência dos docentes da
Universidade Salvador, foram reunidas orientações práticas para ajudar a
população a se preparar e saber como agir antes, durante e depois de um
evento meteorológico adverso. As informações destacam
medidas preventivas e cuidados que podem contribuir para reduzir riscos e
preservar a segurança de pessoas e famílias.
Antes da chuva
A preparação começa na rotina. Recomenda-se realizar a limpeza de calhas, ralos e sarjetas; verificar a fixação de telhas e rufos; e observar se há trincas ou inclinações em muros de arrimo e fachadas.
Objetos soltos em quintais e varandas,
como vasos, móveis e ferramentas, devem ser recolhidos ou fixados para
evitar que sejam arremessados pelo vento. Em áreas sujeitas a
alagamentos, é prudente proteger documentos pessoais e medicamentos em
sacos
plásticos impermeáveis e mantê-los em locais elevados.
Durante vendavais e ventos fortes
A orientação principal é buscar abrigo dentro de casa ou em edificações consolidadas, mantendo portas e janelas bem fechadas. Deve-se manter distância de janelas de vidro, varandas e estruturas leves.
Na rua, evite se abrigar sob árvores,
postes de energia, torres de transmissão e painéis publicitários. Bruno
Andrade alerta que tentativas de reparar o telhado ou recolher objetos
externos durante a tempestade não devem ser feitas em hipótese
alguma, pois ventos intensos podem transformar itens aparentemente
inofensivos em grandes riscos.
Em caso de alagamentos e enxurradas
Se o nível da água começar a subir, a
prioridade absoluta é a evacuação e a preservação da vida. Não se deve
tentar atravessar áreas inundadas a pé ou de carro. Correntezas
aparentemente rasas podem encobrir buracos, bueiros abertos e fiação
elétrica energizada submersa. Caso a água se aproxime das tomadas e da
rede elétrica doméstica, o desligamento do disjuntor geral só deve ser
realizado se o quadro de distribuição estiver em local totalmente seco.
A professora Raissa da Matta reforça a
importância de as famílias elaborarem previamente um plano simples de
emergência. “É importante saber previamente por onde a água costuma
entrar, quais objetos precisam ser retirados de áreas baixas e onde
estão os registros de água e o quadro de energia. Ter essas informações
facilita uma resposta rápida em uma situação de emergência”, recomenda a
engenheira.
Raissa aponta também a utilidade de manter
um kit familiar com lanternas, pilhas, bateria portátil para celular,
água potável e medicamentos de uso contínuo.
Atenção a encostas e cuidados pós-evento
Moradores de áreas de encosta devem ficar
atentos aos alertas emitidos pela Defesa Civil por SMS ou por meio de
sirenes locais. Sinais de perigo iminente incluem o aparecimento de
novas fissuras nas paredes, estalos na estrutura do imóvel, inclinação
de árvores e pequenos deslizamentos de terra. Ao notar esses indícios,
evacue o imóvel imediatamente e busque os pontos de apoio informados
pelo município.
Após o fim do temporal, o retorno para
casa exige cautela. Não entre em imóveis com danos estruturais aparentes
nem religue equipamentos elétricos que tenham entrado em contato com a
água sem uma avaliação adequada.
Para acompanhar alertas em tempo real e solicitar atendimento emergencial, a população pode acionar a Defesa Civil pelo telefone 199 ou o Corpo de Bombeiros pelo número 193.
Por Andréa Castro
