Foto: Divulgação/Arquivo O Candeeiro
Nutrição contínua ganha espaço no manejo para elevar produtividade do cacau
A
produção brasileira de cacau deve alcançar 324,2 mil toneladas em 2026,
segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE). A Bahia deve responder por 137,4 mil toneladas,
ou 42,4% do total nacional, e concentra quase 70% da área destinada à
produção de cacau no País.
No
estado, a cacauicultura passa por um movimento de aumento da
produtividade associado à adoção de tecnologias, ao controle
fitossanitário e a práticas sustentáveis. O Sul da Bahia permanece como
principal região tradicional de cultivo, enquanto
novas áreas produtoras começam a avançar em outras partes do estado.
É
nesse contexto que o manejo nutricional ganha importância. A combinação
entre períodos de elevada precipitação e a ocorrência de veranicos, na
região, interfere na disponibilidade de nutrientes para as plantas e
exige atenção à eficiência
da adubação. O tema estará em discussão na ExpoCacau, em Ilhéus (BA), durante a palestra “Tecnologia e nutrição eficiente para altas produtividades na cacauicultura”, apresentada pelo engenheiro agrônomo Alan
Veloso, da ICL.
“O
cacau tem uma particularidade importante: diferentes fases de
desenvolvimento podem ocorrer simultaneamente na planta. Enquanto há
frutos em desenvolvimento, outros processos fisiológicos também estão
acontecendo. Por isso, não basta concentrar
a oferta de nutrientes em um único momento. A planta precisa de uma
nutrição contínua e equilibrada”, explica Veloso.
A
dinâmica climática da região torna esse manejo ainda mais desafiador.
Em períodos de chuva intensa, nutrientes podem sofrer perdas por
diferentes processos. O nitrogênio, por exemplo, está sujeito à
lixiviação e à volatilização, enquanto o
potássio também pode ser deslocado no perfil do solo pela movimentação
da água. Já o fósforo apresenta baixa mobilidade e pode ter sua
disponibilidade reduzida por processos de fixação no solo.
A
apresentação que Veloso fará na a ExpoCacau aborda justamente essas
diferenças entre fertilizantes convencionais, produtos de eficiência
aprimorada e tecnologias de liberação controlada, considerando a
dinâmica dos nutrientes no
solo.
“Quando
fazemos a aplicação, o objetivo não deve ser apenas colocar o nutriente
no solo, mas garantir que ele permaneça disponível para a planta. Em
uma região em que podemos ter muita chuva em determinado período e
depois passar um ou dois
meses com pouca precipitação, essa eficiência faz muita diferença”,
afirma Veloso.
Manejo concentrado em duas épocas
Outro
aspecto particular da cacauicultura regional é a concentração das
adubações em duas janelas ao longo do ano, normalmente entre fevereiro e
março e entre agosto e setembro. O calendário acompanha o regime
climático e as duas principais
colheitas da cultura, com a aplicação realizada na sequência.
Há
também uma questão operacional. Parte das lavouras está localizada em
áreas íngremes e de difícil mecanização, o que torna entradas adicionais
na propriedade mais trabalhosas e aumenta a importância de um
planejamento nutricional capaz de
atender a planta por períodos mais longos.
“Existe
uma tradição de manejo muito forte na região, construída ao longo de
décadas pelos produtores. Ao mesmo tempo, temos hoje tecnologias que
permitem trabalhar melhor cada uma dessas entradas na lavoura. Se o
produtor já concentra a
adubação em duas épocas, precisamos pensar em como fazer o nutriente
permanecer disponível durante o intervalo entre elas”, diz o engenheiro
agrônomo.
Essa
necessidade se relaciona também à própria distribuição da produção ao
longo do ano, com duas colheitas de maior concentração, a temporã e a
safra, esta última no segundo semestre. Como a planta pode apresentar
diferentes estágios
simultaneamente, a demanda nutricional não se encerra após uma dessas
etapas.
Nutrientes disponíveis por até seis meses
Entre
as tecnologias que serão apresentadas pela ICL na ExpoCacau está
Polyblen, fertilizante desenvolvido para disponibilizar nutrientes
gradualmente. A tecnologia utiliza encapsulamento para controlar
fisicamente a liberação: o nutriente é
solubilizado dentro do grânulo e disponibilizado ao longo do tempo. Para
culturas perenes, a apresentação da companhia mostra uma opção com
liberação por até 180 dias.
A
proposta é aproximar a disponibilidade dos nutrientes da demanda
contínua do cacaueiro, mantendo uma nutrição mais equilibrada entre as
principais janelas de aplicação e reduzindo a necessidade de
intervenções em períodos mais
curtos.
“O
ganho está em trabalhar o tempo a nosso favor. Se temos uma cultura que
demanda nutrientes continuamente e uma realidade de campo em que o
produtor faz duas aplicações principais no ano, uma tecnologia capaz de
liberar esses nutrientes
gradualmente por até seis meses se encaixa muito bem nesse manejo”,
destaca Veloso.
A
tecnologia já é utilizada pela ICL em grandes propriedades produtoras
de cacau, em conjunto com soluções de nutrição foliar. Na ExpoCacau, a
companhia pretende ampliar a discussão com médios produtores, parcela do
mercado em que ainda há
espaço para maior adoção de tecnologias de eficiência nutricional.
Para
Veloso, essa aproximação passa por demonstrar como novas ferramentas
podem ser incorporadas a práticas já consolidadas nas propriedades.
“O
produtor de cacau do Sul da Bahia é muito tradicional e conhece
profundamente a cultura e a sua área. Tecnologia não chega para
substituir esse conhecimento. Ela precisa mostrar, na prática, onde pode
tornar o manejo mais eficiente. Polyblen
abre essa conversa porque permite partir de uma necessidade muito
concreta, que é manter a planta nutrida ao longo do tempo, e avançar
para um programa nutricional mais completo”, conclui.
SERVIÇO – ExpoCacau 2026
Data: 25 a 27 de agosto de 2026
Local: Centro de Convenções de Ilhéus (avenida Soares Lopes, 1.597, Centro)
Município: Ilhéus (BA)
Palestra: palestra “Tecnologia e nutrição eficiente para altas produtividades na cacauicultura”
Palestrante: Alan Veloso, engenheiro agrônomo da ICL.
Data, horário e local: 25 de agosto, 15h30, na plenária do Centro de Convenções
Por Cláudia Rodrigues
