Foto: Bruna Costa/Golden Comunicação
UPA Pirajá-Santo Inácio promove roda de conversa sobre acolhimento a mulheres vítimas de violência doméstica
Em alusão à campanha Agosto Lilás, a UPA Pirajá-Santo Inácio promoveu, na última terça-feira (18), uma roda de conversa voltada ao acolhimento e atendimento de mulheres vítimas de violência doméstica.
A iniciativa reuniu multiprofissionais da unidade para discutir temas como autocuidado, rede de apoio, enfrentamento à violência e canais de denúncia e proteção.
Realizado na sala de reunião da unidade, o encontro contou com a participação do psicólogo e investigador da Polícia Civil Artur Felipe Câmara de Carvalho; das assistentes sociais Emily Menezes, do Hospital da Mulher, e Jéssica Costa, que atua na própria UPA; e da psicóloga do Centro de Referência de Atenção à Mulher Loreta Valadares, Marilia De Labio.
A atividade foi proposta pela administração da unidade, gerida pelo Instituto de Gestão e Humanização (IGH), como forma de ampliar o conhecimento dos profissionais sobre uma situação que também faz parte da rotina dos serviços públicos de saúde. O objetivo foi oferecer ferramentas para que as equipes estejam preparadas para identificar sinais de violência e realizar uma abordagem cada vez mais acolhedora e humanizada.
Escuta qualificada e acolhimento
Para a assistente social Jéssica Costa, o primeiro contato com a vítima pode ser determinante para que ela consiga revelar a situação vivenciada e tenha acesso à rede de proteção.
“Começa com a escuta qualificada, às vezes lá na triagem, quando a enfermagem identifica que a paciente sofreu violência e ela é encaminhada para o serviço social, ou vai ocorrer com o próprio médico que nos aciona no atendimento. A gente leva a paciente para a nossa sala para que essa conversa seja humanizada, onde ela se sinta confortável para falar. Tudo é muito sigiloso, sem juízo de valor, que é muito importante”, explicou.
Com experiência na Polícia Civil, Artur Felipe abordou os diferentes ciclos e sinais que podem estar presentes em situações de violência doméstica, contribuindo para que os profissionais reconheçam comportamentos que podem indicar que uma mulher está em situação de vulnerabilidade.
“A fase número 1 desse tipo de violência, que sempre acontece e que recebemos muito também nas delegacias, é o aumento da tensão. É justamente isso, como a gente entende em um contexto doméstico, como acontece, o que que acontece, o que é esse aumento de tensão, e isso aqui é muito interessante porque é quando a gente vai começar a compreender enquanto seres envolvidos nesse processo”, destacou.
Já a psicóloga Marília De Labio, do Centro Loreta Valadares – que hoje funciona na na Casa da Mulher Brasileira, na Avenida Tancredo Neves –, também chamou atenção para manifestações cotidianas que podem passar despercebidas, mas que ajudam a identificar situações de sofrimento e violência.
“O ciclo da violência há fases, como a questão da evolução da atenção, sempre marcada pela angústia. A gente tem exemplos claros disso no nosso trabalho, quando a paciente se mostra apreensiva falando ‘tenho que ir para casa, vai demorar muito, doutora? Porque eu tenho que fazer a janta, eu tenho que limpar a casa, o menino está doente…’, e isso vale a nossa atenção”, alertou.
A roda de conversa, que foi bastante aprovada pelos participantes, integra as ações de educação permanente e segurança do paciente do IGH, fortalecendo a qualificação das equipes e a construção de práticas de cuidado que considerem a dignidade e a realidade social dos usuários SUS.
