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Consulta odontológica vai muito além de dentes e gengiva
Uma consulta odontológica pode revelar mais do que a necessidade de uma restauração ou de uma limpeza. Ao examinar os dentes, língua, mucosas e outras estruturas orais, o dentista pode identificar alterações que merecem uma investigação mais profunda. São feridas de difícil cicatrização, alterações na língua ou gengiva, sangramentos frequentes, boca excessivamente seca, e que, a depender do caso, indicam o encaminhamento do paciente a outros profissionais.
Anemia e deficiências nutricionais, por exemplo, podem provocar alterações na mucosa oral. O ressecamento constante da boca pode estar relacionado a medicamentos ou condições sistêmicas. Alterações persistentes podem levantar suspeitas de doenças metabólicas, autoimunes e até alguns tipos de câncer.
"Em uma consulta odontológica não olhamos apenas para dentes e gengivas, mas para uma saúde integral, já que podemos identificar, através de uma alteração na boca, indícios de doenças, como diabetes, anemia ou aquelas autoimunes. Ao reconhecer esses sinais, que diferem do padrão, encaminhamos o paciente para uma avaliação médica especializada", afirma Sandra Castro, dentista e coordenadora do curso de odontologia da Afya Salvador.
Embora o último grande levantamento nacional sobre saúde bucal tenha sido concluído pelo Ministério da Saúde em 2024, o SB Brasil 2023, conseguiu produzir uma fotografia epidemiológica fiel à realidade brasileira. Na ocasião, a pesquisa avaliou condições como cárie, doenças periodontais, traumatismos, necessidades de próteses e acesso a tratamentos, tendo a Bahia sido representada por 19 municípios.
Segundo a pesquisa, a Bahia registrou na época, uma importante redução na proporção de procedimentos mutiladores, como a exodontia, nas macrorregiões de saúde do estado, no entanto, ocorreu uma queda na cobertura populacional estimada das equipes de Saúde Bucal (eSB) e diminuição de ações preventivas tradicionais, como escovação supervisionada.
Já a estimativa mais recente do Instituto Nacional do Câncer (INCA) aponta 17.190 novos casos de câncer da cavidade oral no Brasil em 2026, sendo 12.260 entre homens e 4.930 entre mulheres. No âmbito estadual, o Instituto dimensionou a ocorrência esperada de 1.120 novos casos de câncer de lábio e cavidade oral na Bahia. O quarto tumor mais incidente na população masculina no estado, o que acende alerta para visitas regulares ao dentista e cuidados diários com a boca.
Para a coordenadora do curso de Odontologia da Afya Salvador, qualquer alteração na boca merece atenção, mas não deve ser motivo para desespero. "Ao perceber uma ferida, mudança de coloração, sangramento ou qualquer outra alteração na boca, é importante procurar um dentista para que o caso seja avaliado. Isso não significa, necessariamente, que exista uma doença mais grave, mas a avaliação profissional é importante para identificar a causa e, quando necessário, fazer o encaminhamento para outros especialistas. O paciente também deve observar se a alteração persiste ou evolui, principalmente quando não há uma causa aparente", destaca.
Por Flamarion Reis
