Erik Scheidt comemora título mundial (@SAILINGLENS/Divulgação)
Erik Scheidt compete em Portugal em busca do segundo título mundial de 2026
Por Doro Jr. e Rafael De Marco
Após
conquistar os títulos europeu e mundial da classe ILCA 6 de vela (antiga
classe Laser) na categoria sub-19, Erik Scheidt parte para um novo
desafio internacional. O filho do bicampeão olímpico Robert Scheidt
embarcou para Portugal, onde vai disputar mais um mundial na classe ILCA
6, desta vez, na categoria aberta, ou seja, sem limite de idade.
Com
17 anos completados em agosto, Erik é um dos quatro brasileiros
inscritos para a competição que reunirá 62 velejadores de 18 países. As
regatas serão em Vilamoura, tendo o Capable Planet Clube Náutico como
sede. A programação do evento começou nesta sexta-feira (25), mas a
disputa será a partir da próxima segunda-feira (28), prosseguindo até
sexta-feira (2 de outubro).
De
retorno à Europa após uma temporada perfeita, com vitória na Kieler
Woche/Semana de Kiel, na Alemanha, antes de subir ao lugar mais alto do
pódio nos campeonatos Europeu e Mundial da classe ILCA 6. “Foi uma
temporada muito boa na Europa, onde consegui vencer os três campeonatos
que corri. Esses campeonatos ajudaram muito no meu desenvolvimento.
Agora é seguir em frente e tentar velejar da melhor forma possível em
Portugal”, comenta Erik.
A
ascensão na vela torna as comparações com o pai inevitáveis. Para Erik,
isso é mais motivo de orgulho do que de pressão. “Competir na mesma
classe que meu pai fez história é uma inspiração. Muita gente diz que
nosso jeito de velejar, o estilo, a postura no barco, é bem parecido.
Estou seguindo meu próprio caminho. Não sei se conseguirei conquistar
tudo que ele conquistou, ser impecável como ele, mas a garra para lutar
tem que ser a mesma que a dele. De verdade, eu não sinto muito peso ou
responsabilidade de ser filho de dois campeões. Com certeza eles ajudam
muito, porque já passaram por tudo que estou vivendo e ainda vou viver.
Mas eu não sinto nenhuma pressão especial”, afirma Erik, que
complementa, citando a mãe, a lituana Gintare, medalha de prata nos
Jogos de Pequim/2008 e campeã mundial em 2012, na classe Laser Radial.
“Também
trago muita coisa da minha mãe, com a calma que ela tem, que é muito
importante nos momentos de pressão. A frieza que ela tem em situações
complicadas é bizarro. Ela está sempre tranquila, um pouquinho diferente
do meu pai, às vezes agitado. Mas ambos têm a vontade de ganhar, a
competitividade sem nunca desistir. Tudo isso eles me ensinam pelo
exemplo. Me ensinaram a sempre fazer tudo bem feito, da melhor forma
possível. E, claro, a manter a humildade, sempre. Então, herdei um pouco
de cada um e os mesmos princípios dos dois.”
Outro
ponto que Erik ressalta é o apoio incondicional como um diferencial na
família Scheidt. “Meus pais nunca cobraram resultado. Ficam muito
felizes quando o resultado chega, claro, porque sabem o quanto de
trabalho existe por trás de cada vitória. E isso ajuda especialmente
quando as coisas não saem como eu queria. Quando não vou bem e chego em
casa muitas vezes arrasado, só encontro carinho e compreensão. Para
eles, a colocação nem sempre é o mais importante, mas, sim, o
aprendizado após cada campeonato. Porque, no final, precisamos passar
pelas derrotas para chegar às vitórias. Essa temporada vitoriosa tem
comprovado isso.”
Jogos Olímpicos -
Aos 17 anos, Erik considera cedo falar em Olimpíada. Mas, quando chegar
a hora, a certeza é de que defenderá a bandeira do Brasil. Nascido na
Lituânia, o velejador tem cidadania brasileira e foi com as cores verde e
amarela que subiu ao pódio nas três conquistas recentes. Com residência
fixa na Ilhabela desde 2023, o filho de Robert Scheidt fala com
maturidade sobre o futuro.“Tenho mais um ano na categoria juventude (até
18 anos) e devo continuar no ILCA 6, correndo campeonatos dessa classe
aqui no Brasil e no exterior. Para classes Olímpicas, eu preciso ganhar
mais peso para passar para o ILCA 7 (barco com uma vela maior, passando
de 5,76 m² do ILCA 6 para 7,06 m²)”, afirma ele, que completa.
“Acho
que Los Angeles 2028 é um pouco cedo ainda. Meu pai concorda. Ainda tem
muito trabalho ainda para ser feito. Acho que não é um horizonte muito
real, pode até ser que aconteça se tudo correr perfeitamente, mas eu
acho que ainda não vou estar preparado para alguma chance de medalha”,
avalia Erik, que segue os passos do pai, sempre focado na preparação
para entrar nas competições com chances reais de pódio.
Fonte: ZDL Sports
