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ARTIGO - vida após o diagnóstico = Por Juliana Pampanini Bertelli
O diagnóstico de autismo em uma criança costuma ser um momento marcante para toda a família. Ainda que o acesso à informação tenha aumentado e a compreensão sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) esteja cada vez mais presente na sociedade, muitos pais e responsáveis passam por um processo emocional semelhante ao luto após receberem o diagnóstico.
Esse luto não está relacionado à perda de um ente querido, mas sim à perda de expectativas e idealizações construídas ao longo da gestação e dos primeiros anos de vida. Sonhos, planos e imagens sobre o futuro do filho podem precisar ser ressignificados. É comum que nesse período surjam sentimentos de tristeza, negação, culpa, medo e insegurança diante do desconhecido.
No entanto, é importante compreender que esse processo faz parte da adaptação da família a uma nova realidade. Com o tempo, informação adequada, acolhimento emocional e suporte profissional, muitas famílias conseguem transformar o sofrimento inicial em um movimento ativo de cuidado, aprendizado e fortalecimento dos vínculos familiares.
Nesse contexto, o acompanhamento por uma equipe interdisciplinar qualificada torna-se fundamental. Profissionais de diferentes áreas — como médicos, psicologia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, psicopedagogia, neuropediatria e outras especialidades — trabalham de forma integrada para compreender as necessidades específicas da criança e planejar intervenções adequadas ao seu desenvolvimento.
Além de apoiar a criança, essa equipe também oferece orientação e suporte à família, ajudando os responsáveis a compreenderem melhor o diagnóstico, desenvolverem estratégias de comunicação e manejo no cotidiano e fortalecerem a rede de apoio necessária para o desenvolvimento da criança.
O trabalho desenvolvido pela ACESA Capuava se destaca por compreender que o cuidado à criança vai além das intervenções terapêuticas individuais. A instituição valoriza um olhar ampliado, que acolhe não apenas as necessidades da criança atendida, mas também as demandas emocionais, sociais e informativas de sua família. Por meio de uma escuta sensível e de um acompanhamento próximo, a equipe busca construir, junto aos responsáveis, estratégias que favoreçam o desenvolvimento da criança e o fortalecimento do ambiente familiar. Esse cuidado integrado promove um espaço de acolhimento, orientação e parceria, no qual família e profissionais caminham juntos no processo de desenvolvimento e inclusão da criança.
Quando o cuidado acontece de forma colaborativa e contínua, a família deixa de se sentir sozinha no processo. O olhar interdisciplinar amplia as possibilidades de intervenção e favorece o desenvolvimento global da criança, respeitando suas singularidades, potencialidades e ritmo.
Pensando nisso, a ACESA Capuava iniciou recentemente o atendimento psiquiátrico e psicológico voltado aos familiares das crianças atendidas, atendendo a uma demanda antiga e frequentemente solicitada por eles. Esse avanço representa um importante passo no cuidado integral, reconhecendo o papel fundamental da família no desenvolvimento e bem-estar das crianças. A instituição se destaca como uma das poucas na região a oferecer esse tipo de acompanhamento de forma integrada, fortalecendo o suporte emocional e promovendo assim, os melhores resultados para todos os envolvidos.
Assim, embora o momento do diagnóstico possa trazer dor e incertezas, ele também pode representar o início de um caminho de descobertas, construção de novas expectativas e desenvolvimento de recursos que permitam à criança e à sua família viverem com mais compreensão, apoio e qualidade de vida.
Juliana Pampanini Bertelli
Coordenadora Tecnica ACESA Capuava
