Foto: André Zimmerman/MCom
Energia limpa e cabos submarinos colocam Nordeste na disputa por novos data centers, afirma ministro das Comunicações
O Nordeste reúne dois dos principais ingredientes para se transformar
em um dos grandes polos de infraestrutura digital do mundo: energia
renovável em abundância e conectividade internacional de alta
capacidade. A avaliação é do
ministro das Comunicações, durante participação, nesta terça-feira (15),
do evento Transição Energética: O Nordeste como hub digital do futuro,
realizado em Fortaleza (CE).
Para o ministro, a combinação coloca a região em posição privilegiada
na disputa global por investimentos em data centers, estruturas
consideradas estratégicas para o avanço da inteligência artificial, da
computação em nuvem e dos serviços
digitais.
“Quando uma grande empresa de tecnologia decide onde instalar um data
center, ela olha para três coisas: energia, conectividade e segurança
jurídica. O Nordeste tem as duas primeiras de forma natural, e o Brasil
está construindo a terceira”,
afirmou o ministro.
O cenário energético é um dos principais diferenciais. Enquanto 86,8%
da matriz elétrica brasileira é renovável, o Nordeste concentra mais de
90% da energia eólica produzida no país e 52% dos projetos de geração
solar fotovoltaica
centralizada.
A disponibilidade de energia renovável ganha ainda mais relevância
diante da demanda crescente dos data centers. Segundo o ministro, a
energia é um dos principais custos de operação dessas estruturas, o que
torna a proximidade com grandes fontes
de geração um diferencial para a atração de investimentos.
“Energia limpa e conectividade internacional no mesmo lugar é uma
combinação que poucas regiões do mundo conseguem oferecer. O Nordeste
tem as duas, e o Governo Federal está trabalhando para que o país
aproveite essa vantagem”,
destacou.
Fortaleza concentra nove cabos submarinos
Além da matriz energética, a posição geográfica do Nordeste fortalece
a competitividade da região. O Brasil possui atualmente 16 sistemas de
cabos submarinos com presença no país, dos quais nove aterrissam em
Fortaleza.
A capital cearense é uma das principais portas de entrada e saída de
dados do país para o tráfego internacional. Cerca de 90% do tráfego
internacional brasileiro passa pela cidade, aproximando fisicamente a
infraestrutura digital brasileira dos
grandes mercados dos Estados Unidos, Europa e África.
Para o ministro, essa infraestrutura cria uma combinação estratégica
para a instalação de grandes centros de processamento de dados.
“Um data center instalado em Fortaleza está a poucos milissegundos
dos Estados Unidos, da Europa e da África, com mais rotas e mais
redundância do que em qualquer outro ponto da costa. Isso é uma vantagem
competitiva enorme para o Ceará e para o
Nordeste”, disse.
Outro ponto destacado pelo ministro é a possibilidade de os data
centers ajudarem a aproveitar parte da energia renovável que atualmente
deixa de ser gerada em determinados momentos por limitações de demanda
ou transmissão.
Entre janeiro e abril de 2026, o Nordeste registrou 2.233 MW médios
de curtailment, termo utilizado para designar a redução ou interrupção
da geração de energia renovável que poderia ser produzida, mas não é
aproveitada naquele
momento.
A expansão da infraestrutura digital próxima aos grandes centros de
geração pode contribuir para aumentar o aproveitamento dessa energia,
segundo o ministro.
“O data center não é um problema para o sistema elétrico do Nordeste.
Ele pode ser parte da solução, dando destino a uma energia que já está
disponível”, afirmou.
O ministro ressaltou ainda que a intermitência característica das
fontes solar e eólica não significa falta de segurança para os data
centers. O fornecimento é integrado ao Sistema Interligado Nacional, que
combina diferentes fontes de geração,
enquanto baterias e outras tecnologias de armazenamento ampliam as
possibilidades de gerenciamento da demanda.
Redata cria ambiente para novos investimentos
Durante o evento, o ministro também destacou o papel do Regime
Especial de Tributação para Serviços de Data Center (Redata) na criação
de um ambiente mais previsível para novos investimentos no país.
O regime prevê incentivos tributários para equipamentos e
infraestrutura de tecnologia e estabelece mecanismos para estimular a
instalação de data centers nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
“O que o investidor mais pede é previsibilidade. O Redata cria um
marco legal mais claro e dá condições para que o Brasil dispute
investimentos que hoje poderiam ir para outros países”, afirmou o
ministro.
A política também busca reduzir a concentração da infraestrutura
digital no Sudeste e estimular novos polos em outras regiões do país.
Ceará está na frente
O Ceará aparece como um dos principais exemplos dessa estratégia.
Fortaleza recebeu, em janeiro deste ano, o primeiro financiamento com
recursos do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações
(Fust) destinado a um data center no
país: R$ 233 milhões para a expansão do Mega Lobster.
O empreendimento deverá chegar a 20 MW de capacidade até 2029 e tem previsão de gerar cerca de 400 empregos.
O estado também abriga, no Complexo Industrial e Portuário do Pecém,
um dos maiores projetos de data center em desenvolvimento na América
Latina, reforçando a posição do Ceará na nova economia digital.
Para o ministro, o objetivo é fazer com que a experiência do Ceará seja replicada em outros estados nordestinos.
“O Pecém é uma referência, e o que o Ceará construiu ali serve de
modelo para toda a região. O que o Governo Federal quer é que esse
modelo se repita”, afirmou.
A expansão dos data centers ganha importância ainda maior com o
crescimento da inteligência artificial, que exige capacidade cada vez
maior de processamento e armazenamento de dados.
Estudo da Fundação Getulio Vargas citado pelo ministro estima que um
único data center voltado à inteligência artificial poderia mobilizar
cerca de R$ 25 bilhões em investimentos, gerar aproximadamente 12,5 mil
empregos durante a implantação e
cerca de 1.860 postos permanentes.
Além dos empregos diretos, os investimentos movimentam setores como
construção civil, energia, telecomunicações, serviços especializados e
formação de profissionais.
“A tendência mundial é de uma infraestrutura digital mais
distribuída, com processamento mais perto de onde está a energia e mais
perto de quem utiliza os serviços. O Nordeste é um candidato natural
para receber essa nova camada da economia
digital”, concluiu o ministro.
A estratégia do Governo Federal é combinar energia renovável,
conectividade internacional, financiamento, incentivos e segurança
jurídica para criar condições para que novos projetos de infraestrutura
digital sejam instalados no
Nordeste.
“Os fundamentos estão espalhados por vários estados. O governo trabalha para que a infraestrutura digital chegue de forma distribuída, aproveitando a vantagem de cada estado. O Nordeste tem tudo para ser um dos grandes hubs digitais do futuro”, afirmou.
