Foto: Helio Montferre/MCom
Ministros das Comunicações do BRICS avançam tratativas sobre cooperação em tecnologias digitais, IA, conectividade e segurança
Os ministros de
Comunicações dos países do BRICS participaram de reunião ministerial que
resultou na apresentação, pela presidência pro tempore indiana, de uma
Declaração da Presidência, documento que reforça a cooperação em
tecnologias
digitais, inteligência artificial (IA), conectividade e segurança
cibernética, com ênfase na soberania tecnológica e na redução das
desigualdades digitais entre países em desenvolvimento. O documento foi
apresentado durante a 12ª Reunião dos
Ministros de Comunicações do bloco, realizada em Pune, na Índia.
A Declaração da
Presidência substitui a Declaração Ministerial quando não há consenso
entre os países do bloco quanto ao texto da declaração conjunta. Nesse
caso, o documento é emitido pela presidência do Grupo de Trabalho no
âmbito do BRICS
e registra os principais resultados, discussões e entendimentos
alcançados ao longo da reunião, sem representar, necessariamente, uma
posição consensuada por todos os membros.
A declaração reafirma o
compromisso dos membros com ecossistemas digitais "acessíveis,
inclusivos, seguros, interoperáveis e sustentáveis" e destaca o papel
das tecnologias da informação e comunicação (TICs) como ferramentas para
promover o
desenvolvimento econômico, a inclusão social e a modernização dos
serviços públicos. Os países defendem uma transformação digital baseada
na resiliência das infraestruturas, na inovação e na cooperação entre os
membros.
Entre as principais
iniciativas anunciadas está a proposta da Índia de criar um repositório
de Infraestruturas Públicas Digitais (DPIs, na sigla em inglês) para os
países do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia
Saudita,
Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã). A plataforma
deverá reunir boas práticas, modelos bem-sucedidos e materiais técnicos
sobre soluções digitais utilizadas pelos membros do bloco.
O governo indiano também
propôs o lançamento de projetos-piloto de DPIs voltados à transformação
digital dos países-membros, em caráter voluntário e de acordo com as
demandas de cada nação.
Os ministros reconhecem
que ainda existem lacunas significativas de acesso à internet em regiões
remotas e pouco atendidas e defendem investimentos em infraestrutura
sustentável, eficiente em termos energéticos e adaptada às diferentes
realidades
nacionais.
“A conectividade
significativa e acessível continua sendo um desafio para milhões de
pessoas em nossos países. Superar lacunas de infraestrutura, ampliar o
acesso em áreas rurais e remotas e fortalecer a resiliência das redes de
telecomunicações
são objetivos que possuem impacto direto sobre educação, saúde,
inovação, competitividade e cidadania”, disse o ministro das
Comunicações, Frederico de Siqueira Filho.
Inteligência Artificial
A
inteligência artificial ocupa posição central na agenda digital do
bloco. Os países reconhecem o potencial da tecnologia para impulsionar o
crescimento econômico e o desenvolvimento sustentável,
mas alertam para os riscos relacionados à ampliação das desigualdades
tecnológicas.
“É fundamental que os
benefícios da inteligência artificial sejam compartilhados de forma
ampla, evitando a ampliação das desigualdades existentes entre e dentro
dos países. Para os países do Sul Global, essa discussão possui
relevância ainda
maior”, disse Frederico de Siqueira Filho.
Os ministros reiteram a
necessidade de uma governança da IA baseada em transparência, proteção
de dados, segurança, confiabilidade e valores centrados no ser humano.
A preocupação com a
segurança no ambiente digital também consta no documento emitido pela
presidência indiana, passando pelos conteúdos falsos, pela precaução com
a proteção de crianças e idosos, até a necessidade de proteger
infraestruturas
críticas, como equipamentos de telecomunicações, centros de dados, entre
outros.
Os países defendem,
ainda, investimentos em alfabetização digital, formação em ciência de
dados e inteligência artificial, qualificação profissional e capacitação
de servidores públicos. Neste sentido, a Índia propôs a criação de
centros
de capacitação para os membros do BRICS, enquanto a Rússia apresentou
uma iniciativa para o lançamento de uma plataforma voltada à proteção de
crianças no ambiente digital.
Cabos submarinos
No
campo das telecomunicações, os membros do BRICS reafirmaram a
importância das pesquisas em redes do futuro e destacaram o papel
estratégico dos cabos submarinos para a conectividade internacional e a
resiliência digital.
“O Brasil já vem
transformando essa visão em ações concretas. Os programas Norte
Conectado e Nordeste Conectado utilizam a infraestrutura de cabos de
fibra óptica subfluviais e submarinos para ampliar a conectividade e
levar internet de alta
capacidade a regiões estratégicas do país”, destaca o ministro das
Comunicações, Frederico de Siqueira Filho.
Ao final da reunião, os ministros elogiaram a liderança da Índia durante a presidência do grupo em 2026 e manifestaram apoio à China, que sediará a 13ª Reunião dos Ministros de Comunicações do BRICS em 2027.
