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Teatro Vila Velha celebra aniversário com o lançamento do projeto “62 anos do Vila em Rede”
Esta sexta-feira, dia 31 de julho de 2026, o Vila celebra 62 anos como um espaço em permanente estado de evolução, produção, criação, experimentação e de inúmeras ações de políticas culturais de fomento, intercâmbio no mercado nacional e internacional, preservando sempre a sua identidade, originalidade e sua independência política, cultural e artística. E será justamente nesse marco comemorativo que fará o lançamento do projeto “62 anos do Vila em Rede”, que, entre outras ações, estreia o novo site do Vila, uma plataforma de informações e conexões do espaço com o público. E grandes novidades estão por vir: a reestreia da campanha Amigos do Vila e a nova loja on-line do Vila.
O destaque da iniciativa é o acervo do Centro de Pesquisa e Memória do Teatro Vila Velha: Nós, Por Exemplo” com mais de 1 milhão de documentos, que está em fase final de digitalização e muito em breve estará disponível para todos: jornalistas, artistas, produtores culturais, comunidade estudantil, educadores e pesquisadores em geral, graças ao apoio da Fundação Banco do Brasil (FBB), através do projeto TEMPO: “Disseminação Cultural e Inclusão Social no Teatro Vila Velha”, que recentemente contemplou pesquisa e processos criativos em diversas linguagens, formatos e linhas de investigação, nas áreas da Arte-Educação, Audiovisual, Multimídia e Literatura Digital.
Em sua tônica de um equipamento cultural em constante mutação e em fluxo permanente de construção, reitera os seus pilares de um espaço feito e mantido por artistas, que se distribuem nas muitas funções estruturantes do teatro: os setores operacionais, administrativos, criativos e da gestão artística e cultural. Um verdadeiro polo de formação, criação, difusão, fomento e catalisador de políticas culturais. Entre outros investimentos em novos recursos e equipamentos tecnológicos e patrimoniais, reforça o compromisso de oferecer mais segurança para os artistas, funcionários e o público em geral.
Nesse panorama de um espaço histórico de múltiplas parcerias e diálogos, que vem atravessando décadas, gerações e cenários políticos, o encenador e diretor artístico do Teatro Vila Velha, Márcio Meirelles, relembra que “Em 1961 o terreno do Passeio Público de Salvador foi cedido, pelo governador Juracy Magalhães, ao grupo Teatro dos Novos, para a construção do Vila. O Prefeito, Virgildásio Sena, que tinha sido Secretário Municipal de Obras na gestão anterior, muito apoiou a construção realizada pelo grupo.
No dia 31 de julho de 1964, o Vila foi inaugurado com o apoio da Prefeitura de Salvador, do Governo do Estado da Bahia, mas também e muito pelos artistas e sociedade baianos. 59 anos depois, em 2023, o Prefeito, Bruno Reis, que foi Secretário Municipal de Obras na gestão anterior, fez uma visita para conhecer o teatro, levado pelo ex-secretário de Cultura do município, Pedro Tourinho, e por Fernando Guerreiro, atual presidente da Fundação Gregório de Mattos. E, pela importância do Vila para a cidade, o estado e o país, oferece o investimento municipal para sua reforma e requalificação. E neste segundo semestre de 2026 o Vila, que tem apoio financeiro para sua manutenção do Governo do Estado, será reinaugurado com esse investimento da Prefeitura”.
Com obras fundamentais de reestruturação e requalificação financiadas pela Prefeitura de Salvador, o Teatro Vila Velha retorna em breve à cena renovado em diversas vertentes técnicas, sociais e arquitetônicas que reforçam seu caráter arrojado. Exemplos disso são a ampliação dos recursos de acessibilidade para pessoas com deficiência e de mobilidade reduzida, através da implantação de uma rampa de acesso ao Passeio Público para o Vila, de um elevador, camarins e banheiros acessíveis, estabelecendo assim uma relação ainda mais acolhedora e adequada às PCDs.
A obra está sendo realizada pela Prefeitura de Salvador, através da SUCOP e com projeto coordenado pela Fundação Mário Leal Ferreira, assinado pelos arquitetos Nivaldo Andrade e Mário Vitor Bastos, da A+P Arquitetos Associados, com consultoria de Carl von Hauenschild, autor da reforma de 1994.
Ressaltando que mesmo com o andamento das obras de requalificação e reestruturação, o Vila nunca parou. Se manteve em constante processo de criação e realização em diversos espaços culturais, mantendo-se presente na cena baiana, nacional e internacional, através de inúmeras ocupações, no Brasil e em Portugal, promovendo criações e apresentações de espetáculos, mostras e eventos de múltiplas linguagens; além de intercâmbios, atividades formativas e uma série de projetos calendarizados do espaço, como o Pé de Feijão, o Vilerê, o Vila Verão, a Mostra Teatro de Cabo a Rabo, entre outros.
+ sobre a requalificação e reestruturação
Intervenções – O palco, elogiado por todos que o conhecem pelas possibilidades que oferecem à invenções cênicas, permanece o mesmo, com atualização de seus equipamentos - o dobro de varas cênicas, novos sistemas cenotécnicos, iluminotécnicos, de som e audiovisual.
Do lado externo, a construção de uma nova passarela em estrutura metálica já redefine a integração com o Passeio Público, garantindo acessibilidade universal por meio de um novo elevador e escadarias.
O projeto externo também já conta com uma subestação de energia concluída e novos módulos de depósito para materiais cenográficos. Atualmente, seguem em andamento as instalações de esquadrias e o revestimento em telhas metálicas perfuradas. Um projeto ecologicamente consciente e arquitetonicamente ousado.
Já na parte interna do equipamento, a requalificação abrange a atualização completa dos sistemas de ar-condicionado, acústica e elétrica, além da implantação de protocolos rígidos de combate a incêndio e monitoramento por CFTV (Circuito Fechado de Televisão).
Da nova área administrativa em estrutura metálica às salas de ensaio, camarins e áreas de convivência, como o Café/Bar e o Foyer, todos os espaços estão recebendo climatização e sistemas de alarme de última geração. Novos espaços técnicos e administrativos, salas climatizadas, versáteis e preparadas para espetáculos contemporâneos e o Cabaré dos Novos segue reafirmando a sua presença como uma sala de espetáculos independente. Já o acervo, com documentos de 100 anos de história do teatro brasileiro,ganhará espaço para pesquisa, visitação e memória
O Vila antes do Vila/histórico
Muito antes de ocupar o Passeio Público, o Vila já ocupava a cidade.
Foram três sedes provisórias entre 1959 e 1964: um solar no bairro da Graça; outro no Largo da Vitória; e a Galeria Oxumaré, também no Passeio Público de Salvador. Esse espírito inquieto e nômade é marca do Vila.
Muito se fala sobre o marco histórico de aniversário do Teatro Vila Velha, comemorado no dia 31 de julho e sobre os ilustres tropicalistas presentes em seu ciclo de inauguração, em 1964; mencionando sempre o show “Nós, Por Exemplo” e os nomes de Caetano, Gil, Bethânia, Tom Zé, Gal Costa, entre outros artistas da época. O que é motivo de muito orgulho. Mas, abrindo espaço para outras narrativas, é bom saber que este não foi o primeiro evento, como um evento fundador, até porque o icônico show ocorreu em agosto do mesmo ano.
Nascido sob a essência da multiplicidade, entre a vanguarda e o popular, a sagração do Vila foi marcada pela diversidade, entre julho a outubro de 1964, quando, curiosamente, houve de tudo, logo no início, menos teatro. A primeira peça apresentada no Vila, pela Cia. Teatro dos Novos (CTN), só estreou no fim daquele ano, em dezembro, tendo a participação da Escola de Samba da Bahia Juventude do Garcia.
Nesse contexto, a Sociedade Teatro dos Novos, criada em 1959, é quem se constitui como o primeiro grupo profissional de teatro da Bahia. Com diversas iniciativas artísticas e campanhas, ergueu o Teatro Vila Velha. A entidade se organiza após a dissidência de um grupo de alunos da Escola de Teatro da UFBA e que se rebelaram contra a direção (Martim Gonçalves) e abandonaram o curso no último ano. Os alunos são Carlos Petrovich, Carmem Bittencourt, Echio Reis, Othon Bastos, Sonia Robatto e Tereza Sá. Juntamente, na mesma época, o encenador e professor da Escola de Teatro: João Augusto.
Em 1994, houve uma retomada do Vila, liderado por Marcio Meirelles, Angela Andrade, Chica Carelli, Cristina Castro, Gordo Neto, Débora Landim, Marísia Mota e outros artistas, com um novo projeto de ocupação por grupos artísticos. Assim, ao Grupo dos Novos, se juntaram o Viladança, o Bando de Teatro Olodum e, posteriormente a Cia. Novos Novos de Teatro, o VilaVox e A Outra Companhia de Teatro.
Essa retomada levou a uma reforma estrutural do prédio, que transformou o teatro/galpão num moderno espaço cênico, com muitas possibilidades de configuração palco/platéia, com salas de ensaio e um café teatro (Cabaré dos Novos).
Escrevendo novos capítulos dessa rica história, O Vila segue em constante movimento de expansão, inovação, experimentação e criação. Durante a pandemia, foi construído um Novo Vila Digital, e toda uma programação com espetáculos, exposições e ações formativas foi realizada em plataformas digitais. Vale salientar que seis espetáculos foram montados e apresentados online em tempo real, no período.
Para ficar atualizado e bem informado sobre todos os eventos e projetos, acesse o instagram @teatrovilvelha e o site www.teatrovilavelha.com.br e acompanhe as novidades da programação.
O Teatro Vila Velha conta com apoio financeiro do Governo do Estado, através do Fundo de Cultura, Secretaria da Fazenda e Secretaria de Cultura da Bahia.
