Foto: André Frutuôso
Importação de cacau da Costa do Marfim é suspensa após articulação liderada pela Bahia
O Ministério da Agricultura e Pecuária publicou, nesta terça-feira (24),
o Despacho Decisório nº 456/2026, que determina a suspensão imediata e
temporária das importações de amêndoas fermentadas e secas de cacau
provenientes da República da Costa do Marfim.
A decisão fundamenta-se no risco fitossanitário decorrente do elevado
fluxo de grãos oriundos de países vizinhos para o território marfinense,
o que possibilita a mistura de amêndoas nas cargas destinadas ao
Brasil.
A medida é resultado de uma ação articulada e coletiva, coordenada pelo
Governo da Bahia em diálogo permanente com o Governo Federal, envolvendo
representantes do setor produtivo, da Assembleia Legislativa da Bahia,
do Congresso Nacional, do Ministério da Agricultura
e de outros órgãos estratégicos.
Para os produtores, a decisão tem impacto direto tanto na segurança
fitossanitária da lavoura cacaueira quanto no ambiente econômico do
setor. Ao reduzir o risco de entrada de pragas e doenças no território
nacional, protege-se a produção baiana. Do ponto de
vista do mercado, a diminuição da oferta externa contribui para a
recomposição da renda do agricultor em um momento de forte
instabilidade.
Diante do agravamento da crise na cadeia produtiva do cacau, marcada por
distorções de preços, insegurança regulatória e riscos sanitários, o
Governo da Bahia, liderou a instalação da Comissão para Discussões
Iniciais da Cacauicultura, que passou a atuar de
forma coordenada junto ao Ministério da Agricultura. A comissão
acompanhou o envio de missão técnica à África, que identificou
inconsistências nos fluxos de exportação para o Brasil, culminando na
decisão do Ministério da Agricultura pela suspensão das importações.
A suspensão, portanto, não é uma medida isolada, mas integra um conjunto
de ações estratégicas voltadas à proteção da cacauicultura brasileira,
especialmente dos produtores baianos.
“O que estamos vendo agora é resultado de um trabalho coletivo,
coordenado e responsável. O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues,
liderou essa agenda, reuniu o setor, dialogou com a bancada federal e
construiu, junto ao ministro da Agricultura, Carlos Fávaro,
uma resposta concreta. A suspensão das importações demonstra que
estamos atentos à defesa fitossanitária e à proteção da renda do
produtor”, afirmou Jeandro Ribeiro, diretor-presidente da Companhia de
Desenvolvimento e Ação Regional (CAR) e integrante da comissão.
Agenda estruturante para o setor
A atuação do Governo da Bahia, no entanto, não se limita à questão das
importações. A comissão instalada no início de fevereiro deste ano
estruturou uma agenda mais ampla para enfrentar a crise do setor, que
inclui discussões sobre o regime de drawback, medidas
para coibir distorções de mercado e deságio, fortalecimento da
fiscalização fitossanitária, ampliação da assistência técnica aos
produtores, recomposição da capacidade institucional da Ceplac e
solicitação de um plano nacional de contenção da monilíase.
Também foram articuladas ações junto à Conab e ao Ministério da
Agricultura para garantir maior transparência na divulgação da previsão
oficial da safra, instrumento essencial para a estabilidade dos preços.
A suspensão temporária das importações representa, assim, um
desdobramento concreto de uma agenda estruturada e construída de forma
coletiva, com o objetivo de garantir segurança ao setor e estabilidade
ao mercado do cacau no Brasil.
Por Silvia Costa
