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Dia do Trabalhador Portuário: quem move o comércio exterior brasileiro a partir de Paranaguá
Nesta quarta-feira, 28 de janeiro, é celebrado o Dia do Trabalhador Portuário, data que coincide com o Dia do Comércio Exterior. A ocasião marca o reconhecimento do papel de um profissional essencial para o funcionamento da economia e para a conexão do país com os mercados globais. Presente no cais, no pátio e, cada vez mais, nas salas de controle atuando diretamente com as tecnologias da informação, o operador portuário é o elo humano que garante que mercadorias circulem com eficiência, segurança e previsibilidade pelas cadeias globais de suprimentos.
Na
TCP, empresa que administra o Terminal de Contêineres de Paranaguá, essa
atuação ganha escala nacional. Em 2025, o Terminal registrou uma
movimentação recorde equivalente a 1.662.549 contêineres de 20 pés
(TEU), alta de 7% em relação a 2024, tornando-se o primeiro terminal
portuário da Região Sul e o terceiro do Brasil a atingir esse patamar.
2025 também foi o ano em que mais de 1.000 navios atracaram no cais do
Terminal, cerca de 600 mil contêineres passaram pelas vias de acesso
rodoviário (gate) e mais de 100 mil contêineres foram transportados por
meio da ferrovia, modal no qual a TCP é referência no Sul do país.
“Por
trás desses números, está o trabalho diário de profissionais que operam
equipamentos de grande porte, planejam manobras complexas e tomam
decisões que impactam diretamente o comércio exterior brasileiro. Hoje, a
TCP conta com uma equipe de mais de 1.600 colaboradores e boa parte
deles ocupa cargos nos setores de planejamento e de operações”, explica
Felipe de França, gerente de recursos humanos da TCP.
Um desses profissionais é João Luís Oliveira da Silva, de 42 anos, operador de STS (guindaste de cais), equipamento que possui mais de 60 metros de altura e pesa mais de mil toneladas. Antes de ingressar na TCP, ele trabalhava como motorista de caminhão, até optar por uma mudança que lhe permitisse maior estabilidade e convivência com a família. Admitido em 2015 como operador de Terminal Tractor (caminhão de terminal), passou a atuar como operador de guindaste pórtico (RTG) em 2019 e, em 2024, alcançou o cargo que almejava desde o início: operar o maior equipamento do Terminal, o guindaste STS.
"Após
muita dedicação e comprometimento, hoje atuo como operador de STS.
Neste posto, nosso trabalho vai muito além de movimentar contêineres,
garantimos aos clientes do Terminal a prestação do melhor serviço
logístico possível, de forma ágil e segura", afirma. Ao longo de 11 anos
na empresa, João acompanhou de perto a evolução das operações. "Vi
mudanças importantes em tecnologia, sistemas operacionais, novos
equipamentos e, principalmente, avanços significativos na segurança do
trabalho. Ser colaborador da TCP é um privilégio, porque o
desenvolvimento profissional é tratado como prioridade."
Para
ele, o Dia do Trabalhador Portuário carrega um significado especial.
"Nós conectamos mercadorias do mundo inteiro. Nesta data, o sentimento é
de comprometimento, orgulho e gratidão por fazer parte dessa operação."
França
identifica que essa percepção se conecta a uma visão institucional mais
ampla sobre o papel do operador portuário no funcionamento do comércio
exterior. Em um terminal que funciona como elo entre cadeias produtivas
nacionais e mercados internacionais, a atuação diária no cais, no pátio e
no planejamento exige responsabilidade compartilhada entre diferentes
equipes e funções.
“Um
volume grande de mercadorias e matérias-primas que abastecem o mercado
interno e a indústria nacional passam diariamente pelo Terminal, o que
exige um alto nível de comprometimento, precisão e responsabilidade em
todas as etapas da operação. Por isso, a TCP investe continuamente na
capacitação e no treinamento de seus colaboradores, de modo a
fortalecermos nossas equipes e conquistarmos novos recordes e
resultados. Por exemplo, todos os novos operadores de guindaste RTG e
STS são formados diretamente dentro da companhia”, afirma França.
Se no cais e no pátio a operação exige precisão, atenção e experiência, nos bastidores a tecnologia passou a ocupar papel igualmente estratégico. É nesse contexto que surgem profissionais como Higor Laufer, de 31 anos, vessel planner da TCP.
Com
formação técnica em Administração, Higor ingressou no Terminal em 2023 e
atua diretamente no planejamento das operações dos navios. Cabe à sua
equipe estruturar toda a sequência de carga e descarga dos contêineres
nas embarcações, orientando cada movimento realizado no cais por meio de
informações transmitidas em tempo real aos tablets dos operadores de
STS.
Com
apoio de dados operacionais e simulações de produtividade, o
planejamento passou a antecipar cenários, ajustar sequências de
movimentação e ampliar a previsibilidade das operações, garantindo
eficiência, segurança e alinhamento com os compromissos assumidos junto a
clientes e armadores.
Mesmo com o uso intensivo de sistemas, o contato com os operadores de campo segue fundamental.
"Estamos
em diálogo constante com quem está no pátio e no cais. Precisamos
entender as condições reais de cada operação para alinhar o planejamento
sistêmico com a prática, garantindo a estabilidade da embarcação, a
segregação correta de peso dentro do navio e o respeito às normas de
atracação nos portos de destino", destaca Higor.
Ao reunir profissionais com décadas de experiência e novos perfis especializados em dados, sistemas e planejamento, a TCP demonstra que a operação portuária moderna depende da soma entre tradição e inovação. No Dia do Operador Portuário, o Terminal reforça seu papel como um ambiente de desenvolvimento profissional, onde diferentes gerações e funções trabalham de forma integrada para manter o Porto de Paranaguá como um eixo fundamental do comércio exterior brasileiro.
Por Thainy Osório
