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Prefeitura de Cachoeira atua em defesa de terreiro após denúncia de invasão
O
líder religioso Pai Duda de Candola denuncia novo ataque de funcionários da
empresa Penha Papel e Celulose ao Terreiro Ilê Axé Icimimó Aganjú Didê,
localizado no município Cachoeira. De acordo com o babalorixá, o caso ocorreu
no dia 31 de agosto de 2023. Um vídeo feito por Duda de Candola mostra um
funcionário da fábrica confirmando que faz rondas diárias em torno do terreiro.
Com mais de 100 anos de existência, o Icimimó é tombado pelo Instituto do
Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC) e pelo Instituto do Patrimônio
Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). O Pai Duda de Candola informa que o Ilê
Axé Icimimó Aganjú Didê é dono das terras desde 1913, quando foi adquirido por
Mãe Judite. Para ele, a tentativa de retirada de parte do terreno é um nítido
processo de grilagem de terra.
Para tratar do assunto, a Prefeitura de Cachoeira, através da Secretaria de
Reparação e Igualdade Racial, juntamente com a Secretaria de Promoção da
Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais do Estado da Bahia
(SEPROMI), realizaram na última quarta-feira (06), uma reunião no local, para
buscar soluções sobre as invasões de terras que o centenário espaço religioso
vem sofrendo.
“O Município e o Estado, cientes de toda situação, estão tomando todas as
medidas necessárias para garantir a integridade e segurança do espaço e de
todos que fazem parte dessa comunidade”, disse a prefeita de Cachoeira, Eliana
Gonzaga (Republicanos).
O pai de santo afirma que a violência contra o terreiro iniciou no ano de 2020,
quando um grupo de homens armados invadiu a propriedade e destruiu toda a cerca
de proteção. Além disso, assentamentos sagrados foram depredados durante a ação
e tiros teriam sido disparados para o alto.
Na ocasião, um relato de dano ao patrimônio foi enviado à Superintendência do
Iphan na Bahia, ao MP-BA, à Defensoria Pública da União, ao Ipac, à Secretaria
de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi) e ao Ministério Público Federal
(MPF).
Na época, a empresa de papel e celulose, emitiu uma nota negando as acusações
de agressão ao patrimônio do terreiro e disse que a área em questão é de
propriedade do Grupo Penha, adquiridas em 2005 junto com a antiga Indústria de
Papéis da Bahia (IBP). A nota afirmou também que o espaço religioso demarcou a propriedade
de forma irregular.
De acordo com o pai de santo, o Ministério Público estadual expediu
recomendação para que o Grupo Penha não adentre o imóvel utilizado pelo
Terreiro Ilê Axé Icimimó Aganjú Didè, e para que a Polícia Militar, em caso de
nova tentativa de invasão, compareça imediatamente ao local e promova as
medidas cabíveis indicadas na recomendação. O documento foi assinado pelo
promotor de Justiça de Cachoeira, Savio Damasceno, e pela promotora de Justiça
Lívia Vaz, coordenadora do Grupo de Atuação Especial de Proteção dos Direitos
Humanos e de Combate à Discriminação (Gedhdis).
Por Pedro Castro
