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23ª Parada do Orgulho LGBT+ da Bahia na luta pelo respeito aos lares homoafetivos
Salvador recebe no próximo domingo, dia 6 de setembro, a 23ª
Parada do Orgulho LGBT+ da Bahia, que traz este ano o tema: "Do coração
de Salvador para mundo". Milhares de pessoas são aguardadas no Farol da
Barra para acompanhar as apresentações no Palco da Diversidade e se
unir aos trios elétricos que
vão percorrer o circuito Barra Ondina. O evento ocorre na véspera do
Feriado da Independência e é considerado o maior ato público
de direitos humanos, saúde coletiva e diversidade das regiões Norte e
Nordeste. Uma das principais reivindicações é o respeito aos direitos
dos lares homoafetivos.
Hoje,
a reprodução assistida contempla projetos familiares de casais do mesmo
sexo. No Brasil, o uso das técnicas por pessoas em relacionamento
homoafetivo foi reconhecido formalmente pelo Conselho Federal de
Medicina (CFM) em 2013. Desde então, as
resoluções do órgão passaram a detalhar critérios éticos para
procedimentos como útero de substituição, conhecido popularmente como
barriga solidária, e doação de gametas (as células reprodutivas, -
óvulos e
espermatozoides).
Enquanto
as regulamentações do CFM respaldam o sonho dos casais homoafetivos de
exercerem a parentalidade, os avanços da medicina reprodutiva ampliam as
chances e a eficiência dos tratamentos para as diferentes configurações
familiares.
“Evoluções como o uso da Inteligência Artificial em diferentes etapas da
fertilização in vitro, a vitrificação, que é uma técnica de
congelamento ultrarrápido de óvulos, e a ampliação dos testes genéticos
têm tornado os tratamentos
mais personalizados, seguros e eficazes”, afirma Dr. Cesar Cornel,
especialista em reprodução humana da Clínica Embryo/Fertgroup.
Neste
cenário de transformações sociais e inovações tecnológicas, a demanda
de casais homoafetivos por reprodução assistida tem aumentado. Em 2025,
os casais femininos foram responsáveis por 50% das importações de sêmen
feitas pelo LabSaúde
Reprodutiva/Fertgroup para a realização de fertilização in vitro. A
procura por esse serviço registrou aumento de 33% em comparação com
2016.
Apesar de terem alguns exames e procedimentos em comum, as jornadas dos casais femininos e masculinos diferem, com desafios e possibilidades únicas. Conheça as especificidades de cada uma.
Jornada homoafetiva feminina
Para
casais formados por mulheres, uma das primeiras decisões é sobre quem
vai gestar o bebê, o que leva em conta fatores médicos e pessoais. O
especialista em reprodução assistida vai avaliar cada uma das parceiras
do ponto de vista do histórico
de saúde, idade, reserva ovariana (quantidade de óvulos disponíveis no
ovário) e condições do útero, e discutir as possibilidades considerando o
desejo individual de engravidar ou não.
Uma
das possibilidades é a fertilização in vitro (FIV) compartilhada,
também chamada de recepção de óvulos da parceira. “Nesse modelo, ambas
mulheres participam ativamente do processo: uma fornece os óvulos, que
são fertilizados em
laboratório com sêmen de doador, enquanto a outra recebe o embrião e
vivencia a gestação”, explica Dr. Cesar.
A
paciente responsável pelos óvulos passa pelo estímulo ovariano - etapa
em que medicamentos induzem os ovários a produzirem mais de um óvulo no
mesmo ciclo menstrual, já que, naturalmente, o corpo feminino costuma
liberar apenas uma dessas
células por mês. “Quando atingem o estágio adequado de maturação, os
óvulos são coletados e analisados. Aqueles com maior potencial de darem
origem a embriões saudáveis são fertilizados com o sêmen do doador. Em
seguida, o embrião é
transferido para o útero da parceira que irá gestar o bebê”, diz o
médico.
Outra
opção é a inseminação intrauterina (IIU), na qual o sêmen é inserido
diretamente no útero de uma das mulheres durante o período fértil. De
acordo com Dr. Cesar, esta é uma alternativa mais simples, viável quando
a paciente possui boa
reserva ovariana e não apresenta alterações importantes de fertilidade.
Jornada homoafetiva masculina
Para
casais formados por homens, o processo envolve o uso de um útero de
substituição. Pelas normas do CFM, a mulher responsável pela gestação
não deve utilizar o próprio material genético no tratamento, portanto,
também é necessário recorrer
a um banco de óvulos. Além disso, a mulher que cede o útero deve,
preferencialmente, possuir parentesco de até quarto grau com um dos
parceiros, sendo, por exemplo, mãe, irmã, tia ou prima. Situações
diferentes são submetidas à aprovação dos
conselhos regionais de medicina.
Antes
do início do tratamento, os futuros pais e a mulher responsável pela
gestação passam por uma avaliação médica completa. “Entre os exames
realizados pelos homens, está o espermograma, que analisa fatores como
quantidade, motilidade e
qualidade dos espermatozoides. Já a cedente temporária do útero é
avaliada quanto às condições clínicas e ginecológicas para uma gestação
segura”, elenca Dr. Cesar. A decisão sobre qual dos parceiros fornecerá o
sêmen leva em conta
qualidade seminal e aspectos pessoais definidos pelo casal.
A
gestação pode ocorrer por FIV ou inseminação intrauterina, de acordo
com as condições reprodutivas do homem e da mulher. “A definição da
técnica também leva em conta a qualidade dos espermatozoides. Quando há
alterações importantes na
motilidade ou na concentração seminal, a fertilização in vitro costuma
oferecer maiores chances de sucesso”, destaca o especialista da Clínica
Embryo/Fertgroup.
Por Sig Eikmeier
