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Editora Mostarda lança Pequena Leitora, Grande Escritora
O comportamento do leitor infantil no Brasil revela uma transformação profunda: as crianças não querem apenas consumir narrativas, elas também manifestam o desejo urgente de criá-las. O fenômeno dos autores mirins — crianças e adolescentes que publicam os próprios livros — ganha força em um cenário onde a infância lidera com folga os índices de leitura no país. Dados da última pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Instituto Pró-Livro (IPL), apontam que a faixa etária de 5 a 10 anos se consolida como o público mais assíduo no consumo de literatura, impulsionada pelo estímulo compartilhado entre a escola e a família.
Esse protagonismo na infância e a vontade latente de colocar as próprias ideias no papel servem de pano de fundo para o novo lançamento da Editora Mostarda: o livro Pequena Leitora, Grande Escritora, escrito por Marcos Cajé. Na obra, esse cenário ganha vida e sensibilidade por meio de Amora, uma garota apaixonada por literatura que sonha em escrever seus próprios livros.
A inspiração para a obra nasceu do desejo do autor de desmistificar o ofício da escrita para as novas gerações. "As crianças sempre dizem que querem ser médicas, engenheiras ou advogadas, mas ser escritor também é uma profissão. A Amora é uma menina que sonha em escrever e está inserida em um contexto muito rico: seus pais são cientistas e viajam para a África a fim de pesquisar o baobá. O repertório vem desse continente que poucos conhecem de perto, enquanto a Amora personifica arte, afeto e esperança. É um olhar diferenciado para a literatura voltada a crianças de 5 a 10 anos. Trabalhar essa fase é fundamental para formar adolescentes e adultos leitores", explica Marcos Cajé.
Realismo afrofantástico e afroafetividade
Para construir a narrativa, Cajé uniu dois conceitos fundamentais de sua bagagem acadêmica e literária: o afrofantástico e o afroafetivo. Na trama, a viagem de Amora ganha contornos de resgate histórico e conexão de identidades.
"A obra transita pelo realismo afrofantástico quando Amora é convidada por uma fada a conhecer seus antepassados e receber uma mensagem deles. Há o elemento da magia. Por outro lado, trago a literatura afroafetiva, expressa no dengo e no cuidado da mãe, no aconchego da avó e no olhar dessa menina para o pai. É uma história moldada pelo afeto e pela ciência", explica o escritor.
O livro une o trabalho de dois grandes nomes da literatura afro-brasileira contemporânea. O baiano Marcos Cajé é professor e mestre em História da África, da Diáspora e dos Povos Indígenas pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). Já as ilustrações são assinadas por Lhaiza Morena. Nascida na periferia de Salvador (BA) e finalista do Prêmio Jabuti em 2022, a artista utiliza cores vivas e texturas digitais para garantir a representatividade preta em cada página.
Recomendado para crianças a partir dos 6 anos, Pequena Leitora, Grande Escritora chega ao mercado como uma alternativa pedagógica e literária para escolas, famílias e educadores que buscam incentivar o hábito da escrita, a autoestima e o letramento cultural desde a infância.
Ficha Técnica:
Título: Pequena Leitora, Grande Escritora
Série / Coleção: Coleção Pequena Leitora
Autor: Marcos Cajé | Ilustradora: Lhaiza Morena
Preço de Capa: R$ 49,90
Páginas: 24
Público-alvo: Infantil (Faixa etária: A partir dos 6 anos)
Sobre a Editora Mostarda
A Editora Mostarda nasceu com o compromisso de fortalecer a educação por meio de histórias que ampliem a representatividade e valorizem identidades historicamente invisibilizadas. Seu catálogo inclui a Coleção Black Power, com biografias ilustradas de personalidades negras, e a Coleção Kariri, dedicada a lideranças indígenas brasileiras.
A editora também investe em acessibilidade, com edições em braille e versões com fonte ampliada. Voltado ao público adulto, o selo Referência reúne títulos dedicados à reflexão social e ao desenvolvimento humano. Já o selo Melancia contempla obras para a primeira infância.
Com essas frentes, a Editora Mostarda reafirma seu compromisso com uma produção editorial plural, inclusiva e socialmente engajada.
Por Cassia Cunha
