Foto: Verônica Nascimento
Voltar às origens transforma o olhar sobre moda e identidade, afirma estilista Dih Morais após visita a escola quilombola em Jequié
Mais do que uma viagem, a passagem do estilista Dih Morais por Jequié, no interior da Bahia, representou um reencontro com suas raízes e uma oportunidade de fortalecer o diálogo entre moda, educação e ancestralidade. Durante a visita, Dih conheceu uma escola quilombola da região, onde teve contato com estudantes, educadores e com uma realidade marcada pela preservação da cultura afro-brasileira. Vale ressaltar que essa escola, faz parte do território do território do quilombo do Barro Preto, único quilombo urbano que pertence a Jequié.
A experiência inspirou uma reflexão sobre o papel da moda como ferramenta de pertencimento, memória e valorização das identidades negras. Em um momento em que o setor discute diversidade de forma cada vez mais ampla, o estilista acredita que conhecer e reconhecer esses territórios é fundamental para construir uma indústria mais representativa e conectada às histórias que formam o Brasil.
"Estar em uma escola quilombola foi um daqueles momentos que transformam a forma como a gente enxerga o próprio trabalho. Ali eu encontrei muito mais do que uma visita: encontrei memória, resistência, conhecimento e um sentimento profundo de pertencimento. Voltei a entender que a moda também pode ser um instrumento para preservar histórias, valorizar identidades e dar visibilidade a quem durante muito tempo esteve à margem", afirma Dih Morais.
Para o estilista, iniciativas como essa também reforçam a importância da educação na preservação das tradições e no fortalecimento das novas gerações. Segundo ele, conhecer esses espaços amplia o olhar sobre criatividade e inspira narrativas mais autênticas para além das passarelas.
"Quando a gente escuta essas histórias de perto, entende que inovação também nasce da ancestralidade. Voltei de Jequié inspirado pela força daquela comunidade e com a certeza de que precisamos criar mais pontes entre cultura, educação e moda. Dar visibilidade a essas experiências é uma forma de reconhecer a potência que existe nesses territórios e incentivar que mais pessoas conheçam essa realidade", conclui.
Por Felipe Ruffino
