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Especialista revela as feridas emocionais que alimentam disputas por herança
No livro Nunca é só por dinheiro - Um guia sobre luto, herança, traumas e as conversas que podem salvar uma família, a especialista em desenvolvimento humano, liderança consciente e saúde mental Flávia Lippi investiga
um fenômeno tão comum quanto pouco discutido: os conflitos que surgem
entre familiares após a morte de um ente querido.
A publicação da Matrix Editora parte
da premissa de que as disputas por herança raramente têm origem apenas
em questões patrimoniais. Na maioria dos casos, segundo a autora, o
dinheiro e os bens representam sentimentos mais profundos relacionados
ao pertencimento, reconhecimento, afeto e feridas acumuladas ao longo da
vida.
A
partir de sua própria experiência com a perda da mãe e do pai, que
faleceram assim que o livro foi finalizado, e de uma ampla pesquisa que
reuniu dezenas de famílias e especialistas de diferentes áreas, a autora
analisa como o luto pode funcionar como um catalisador de tensões
antigas. Ressentimentos, rivalidades, segredos e desequilíbrios nas
relações familiares tendem a emergir em um momento de grande
fragilidade, transformando a partilha de bens em um reflexo de conflitos
que já existiam muito antes da abertura de um inventário.
Em
um momento em que o envelhecimento da população brasileira torna cada
vez mais frequentes as discussões sobre sucessão patrimonial, a
publicação amplia o debate para além das questões jurídicas. Segundo o
IBGE, o Brasil possui mais de 32 milhões de pessoas com 60 anos ou mais,
contingente que cresceu 56% entre 2010 e 2022. Com o aumento da
longevidade e das futuras transmissões patrimoniais entre gerações,
temas como luto, herança, planejamento sucessório e relações familiares
tendem a ganhar espaço cada vez maior no debate social.
Ao
longo da narrativa, Flávia demonstra que a morte não cria
conflitos inesperadamente, mas expõe questões que permaneciam ocultas ou
eram mantidas em equilíbrio pela presença da pessoa falecida. Quando
essa figura deixa de ocupar seu papel dentro da dinâmica familiar,
sentimentos reprimidos encontram espaço para se manifestar. Nesse
contexto, a herança deixa de ser uma questão apenas financeira e passa a
representar uma disputa por espaço, reconhecimento, pertencimento e
validação.
Um
dos aspectos mais interessantes do trabalho é a análise sobre o valor
simbólico dos bens herdados. Não são raros os casos em que objetos sem
relevância econômica tornam-se motivo de intensas discussões. Um caderno
de receitas, uma peça de roupa, fotografias antigas ou utensílios
domésticos podem carregar significados afetivos que ultrapassam qualquer
avaliação monetária. Muitas vezes, o conflito não está relacionado ao
objeto em si, mas ao desejo de preservar uma memória ou reafirmar um
vínculo com quem partiu.
A
autora também explora como experiências traumáticas acumuladas ao longo
das gerações influenciam a maneira como cada pessoa lida com perdas e
mudanças. A partir de conceitos ligados à psicologia, à epigenética e à
neurociência, a pesquisa mostra que dores não elaboradas podem ser
transmitidas dentro das famílias, moldando comportamentos, crenças e
formas de relacionamento.
Em
períodos de luto, essas marcas tendem a se manifestar com mais
intensidade, tornando determinadas reações aparentemente
desproporcionais aos acontecimentos. “A morte tem a capacidade de
revelar aquilo que muitas famílias passaram anos evitando encarar”,
destaca a autora.
Outro
tema abordado é o papel de personalidades difíceis nos processos
sucessórios. Perfis passivo-agressivos, narcisistas e manipuladores
podem ampliar tensões e dificultar acordos em momentos já marcados pela
vulnerabilidade. A autora descreve como estratégias de controle
psicológico, distorção de fatos e invalidação dos sentimentos alheios
costumam aparecer durante disputas familiares.
Nunca é só por dinheiro oferece
caminhos para enfrentá-los de forma mais saudável. Flávia apresenta
ferramentas inspiradas na Comunicação Não Violenta e no método VIGÍLIA,
criado por ela, para auxiliar pessoas que precisam atravessar processos
de luto e sucessão sem comprometer seu equilíbrio. A mensagem central é
que a verdadeira herança não está nos bens acumulados, mas na capacidade
de preservar relações, elaborar perdas e transmitir maturidade às
próximas gerações.
Ficha técnica
Título: Nunca é só por dinheiro – uma análise sobre luto, herança e dinâmicas familiares
Autoria: Flávia Lippi
Editora: Matrix
ISBN: 978-65-5616-683-4
Páginas: 168
Preço: R$ 52,00
Onde encontrar: Amazon
Sobre a autora
Flávia Lippi é especialista em saúde mental,
comportamento humano e desenvolvimento de lideranças, com foco na gestão
de carreiras de executivos e nos impactos das transformações
tecnológicas sobre pessoas e organizações. Top Voice Carreira no
LinkedIn e TEDx speaker, é fundadora e CEO do Instituto de
Desenvolvimento Humano Lippi (IDHL), da Rewmind e da plataforma
AEQUAÇÃO. Atua na interseção entre cognição, emoção, comportamento e
tecnologia, investigando como as mudanças aceleradas do mundo
contemporâneo afetam a capacidade humana de aprender, adaptar-se, tomar
decisões e prosperar. Já impactou mais de 500 mil pessoas em 14 países
por meio de palestras, programas de desenvolvimento, consultorias e
pesquisas voltadas a temas como liderança, saúde mental, cultura
organizacional, gestão emocional nas organizações, sustentabilidade
humana e futuro do trabalho. Autora de 23 livros best-sellers, é mestre e
pesquisadora em Inteligência Artificial e Ciências Cognitivas, com
formação em Neurociências, Psicologia, Biopsicologia, Gestão Emocional
nas Organizações e Mediação de Conflitos. Também é membro do Mind &
Life Institute e do Harvard Medical Center. Sua atuação busca
compreender e desenvolver as capacidades cognitivas e emocionais que
serão decisivas em uma economia cada vez mais influenciada pela
inteligência artificial. Foi reconhecida pela ONU durante o SDG Summit
2023, em Nova York, por iniciativas voltadas ao desenvolvimento humano.
Sobre a editora
A Matrix
Editora atua no mercado editorial brasileiro desde 1999 e consolidou-se
como uma das principais casas publicadoras de não ficção do país. Com
um catálogo diversificado que reúne títulos de desenvolvimento humano,
negócios, saúde, comportamento, história, biografias e atualidades, a
editora é reconhecida por publicar conteúdos voltados à reflexão, ao
conhecimento e à transformação pessoal. Também foi pioneira na criação
do conceito de livro-caixinha, formato que se tornou uma de suas marcas
registradas e ampliou sua presença no mercado editorial brasileiro. Os títulos editados pela Matrix são distribuídos para livrarias de todo o Brasil e também são comercializados no site.
Por
Douglas Ramalho
