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Cirurgia íntima ganha espaço entre mulheres que buscam conforto, autoestima e liberdade ao usar biquíni
Durante o verão, o uso de biquínis e roupas mais leves pode evidenciar um desconforto que, para algumas mulheres, vai além da estética e envolve também questões funcionais relacionadas à região íntima. O incômodo costuma ocorrer em casos de hipertrofia dos pequenos lábios, ou seja, quando há excesso de tecido e eles se projetam além do considerado habitual. Nesses quadros, as queixas não se limitam ao constrangimento e podem incluir dor, irritações frequentes e limitações nas atividades do dia a dia, incluindo momentos de lazer.
A ginecologista Ana Verena Colonnezi explica que essa realidade tem levado mais mulheres a buscar informações sobre a possibilidade da cirurgia íntima, especialmente quando os sintomas interferem na qualidade de vida. Segundo ela, a indicação vai além de uma insatisfação puramente estética.
“O aumento dos pequenos lábios pode favorecer assaduras, infecções de repetição e dor ao usar biquíni ou roupas mais justas, durante a prática de atividade física e até nas relações sexuais. Muitas pacientes relatam sensação constante de atrito, incômodo ao caminhar ou permanecer sentada por muito tempo, além de insegurança com a aparência da região”, afirma Ana Verena.
De acordo com a médica, a cirurgia, conhecida como labioplastia, passa a ser considerada quando há sintomas físicos persistentes ou impacto emocional significativo. “Não se trata de padronizar corpos, mas de avaliar cada caso. A indicação costuma ser feita para mulheres que apresentam dor recorrente, inflamações frequentes, dificuldade para realizar atividades físicas ou prejuízo na vida sexual. Também pode ser indicada quando há grande assimetria que gera desconforto funcional”, esclarece.
A ginecologista reforça que, ao corrigir a assimetria, a cirurgia pode proporcionar também alívio dos sintomas físicos e emocionais associados. Após o procedimento, muitas pacientes relatam aumento da autoestima, maior liberdade para escolher roupas e biquínis e mais conforto nas atividades cotidianas.
Procedimento
Apesar dos benefícios relatados, a médica reforça que a decisão deve ser criteriosa. “É fundamental que a paciente passe por avaliação individualizada, com médico habilitado, para entender se há indicação clínica real. Devem ser considerados o histórico de saúde, as queixas apresentadas e as expectativas em relação ao resultado. Além disso, é indispensável seguir os protocolos de segurança, realizar exames pré-operatórios e respeitar o período de recuperação”, conclui.
O procedimento é realizado, em geral, de forma ambulatorial, com anestesia local e recuperação rápida. Além da redução e harmonização dos pequenos lábios, existem outras abordagens dentro da cirurgia íntima, como correção de flacidez, redução de excesso de gordura na região pubiana e reconstrução do corpo perineal (situação comum em mulheres que passaram por parto normal e apresentam alterações estruturais).
Sobre Ana Verena Colonnezi
Especialista em implantes hormonais, rejuvenescimento íntimo, laser e radiofrequência íntima. Atua na Ginecologia com uma visão integral, regenerativa, estética e funcional, incluindo implantes hormonais, climatério e menopausa, planejamento familiar, protocolos injetáveis e personalizados para a saúde íntima e sexual das mulheres nas diversas fases da vida. Médica graduada pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, pós-graduada em Ginecologia e Obstetrícia no Hospital das Clínicas (Hupes) e especialista em ultrassonografia com título pela Febrasgo. Atende no Hospital da Bahia - Clínica Contorno, Núcleo de Medicina Avançada Tina Batalha e Clínica Diagnocentro. Instagram: @draanaverena.
Por Carolina Cerqueira
