Missão África (fotos: Divulgação UniFG-BA)
Estudantes de Medicina da Bahia trazem bagagem humanitária de expedição à África
Mais de 10 estudantes de Medicina da Bahia participaram da 3ª edição da Missão África, projeto idealizado pela Inspirali, ecossistema que atua na gestão de 15 escolas médicas em diversas regiões do Brasil. A iniciativa contou com estudantes da Universidade Salvador (UNIFACS), do Centro Universitário Ages e do Centro Universitário UniFG, e teve como objetivo levar assistência e atendimento médico a comunidades com pouco ou nenhum acesso a serviços de saúde.
A ação aconteceu nas cidades de Adjarra, Avrankou e Lok-Po, em Benin, na África, neste mês de fevereiro, promovendo mais qualidade de vida para a população local, além de proporcionar aos futuros médicos uma vivência humanitária diferente da rotina em sala de aula.
Para Marcela Monteiro, estudante do nono semestre de Medicina da UniFG, participar da Missão África foi uma experiência que marcou profundamente a sua formação e essência. “Em meio a realidades desafiadoras, compreendo que a Medicina sempre vai além da técnica: ela é presença, é entrega e é compromisso com a vida, mesmo quando os recursos são limitados”. Segundo Marcela, resiliência não é ausência de dor, mas a decisão diária de permanecer firme movida por propósito. “Essa vivência fortaleceu minha sensibilidade, ampliou meu olhar humano e reafirmou meu chamado de servir com responsabilidade e compaixão. Volto dessa missão com a convicção de que, onde muitos enxergam escassez, podemos levar cuidado, dignidade e esperança”, declarou.
Quinto país mais pobre do continente africano, Benin possui uma mortalidade infantil que chega próximo dos 50% no primeiro ano de vida e a expectativa de vida é, em média, de 53 anos. A maioria da população, em extrema pobreza, não possui saneamento básico, pouquíssimos têm energia elétrica e possuem acesso extremamente restrito à educação e saúde, já que não há escolas ou hospitais públicos. Entre as principais enfermidades que o grupo encontrou estiveram doenças prevalentes como hipertensão arterial sistêmica e diabetes melitus, grande prevalência de malária e uma doença endêmica chamada úlcera de Buruli.
Procedimentos cirúrgicos e saúde mental
A Missão atendeu cerca de 5 mil pessoas com cirurgia geral e trauma, atendimentos em ginecologia e obstetrícia, psiquiatria, clínica médica, medicina da família e comunidade, pediatria e geriatria. Um hospital (Centre de Santé de Adjarra), já em funcionamento na região, serviu como base, mas a expedição foi dividida em grupos com diferentes atuações para prestar atendimento aos vilarejos locais. Além de procedimentos cirúrgicos e visitas domiciliares, os missionários também atuaram em um Centro de tratamento para pacientes com problemas de saúde mental.
Durante a Missão, os consultórios foram organizados em galpões ou debaixo de árvores sombreiras próximas ou dentro de paróquias e cada consultório contou com um tradutor de dialetos locais para o francês, colaborador da própria comunidade. Os alunos se comunicaram por meio do francês básico.
“Nas missões que realizamos no Brasil, por mais difícil que sejam, a população tem acesso a medicação e a exames, pois aqui temos o SUS. Já em Benin as pessoas nascem e morrem e não há registro dessas informações. As pessoas por lá não possuem acesso a recursos básicos como alimentação ou água potável, e isso já desencadeia inúmeras enfermidades. Também não possuem dinheiro para comprar medicação. Os remédios que levamos e os atendimentos que conseguimos oferecer são as únicas formas de contato em saúde que estas pessoas terão na vida”, conta Rodrigo Dias Nunes, Diretor de Travessia Humanitária da Inspirali.
Participaram da 3ª edição da Missão África 27 alunos, 4 egressos e 10 professores das escolas UNIFACS, Anhembi Morumbi, UniBH, Faseh, UniSul, Ages e UNIFG. A ação é uma atividade prática e de extensão universitária ao currículo da Inspirali em que participam estudantes que já possuem histórico em ações voluntárias, já participaram e se destacaram em alguma das edições anteriores da Missão Amazônia e estão nos dois últimos anos da graduação.
Por Andréa Castro
