O Programa Cisternas promove o acesso à água por meio de tecnologias simples e de baixo custo. Francisco Regivaldo, em Morada Nova (CE), é um dos beneficiários. Foto: Marcelo Curia/MDS - Foto: Marcelo Curia/MDS
Programa Cisternas supera 100 mil entregas desde 2023, 88% no Nordeste
Erasmo da Silva
em Boqueirão (PB), Iolanda Santos em Parnarama (MA) e Francisco
Linhares em Senador Pompeu (CE) conhecem bem os efeitos da seca no
semiárido nordestino. Agricultores familiares, eles guardam na memória
os longos períodos de estiagem que sempre integraram a paisagem de suas
cidades. Períodos que costumavam ser acompanhados de aumento da
mortalidade de animais, casos de desnutrição de crianças e perdas
econômicas na lavoura.
Antes,
a gente plantava uma quantidade só para consumo. Hoje, a gente planta
uma quantidade maior, para consumir e vender. Isso gera renda”
Iolanda Santos, agricultora em Parnarama (MA)
Uma
tecnologia social incentivada pelo Governo do Brasil desde 2003, e que
voltou a ser prioridade em 2023, mudou cenários, criou oportunidades e
significou melhoria de renda para os três, além de dezenas de milhares
de outras famílias. O Programa Cisternas fechou 2025 com 104.300
unidades de captação e armazenamento de água entregues desde o início do
atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na comparação
entre os anos de 2025 (48.900) e 2022, quando foram entregues 6,7 mil
cisternas em todo o país, o crescimento é de 630%.
ESTADOS
Do total de estruturas finalizadas desde o início do mandato, 88,6%
estão no Nordeste (confira infográfico). Só em 2025, foram 48.900
entregas, 43 mil na região. Em alguns estados, a evolução é acentuada.
Em Pernambuco, o salto foi de 15 finalizadas em 2022 para 4.400 em 2025,
crescimento de 29.000%. Outros avanços expressivos ocorreram no
Maranhão, de 19 para 701 (3.500%), no Rio Grande do Norte, de 218 para
2.300 (955%), e na Bahia, de 870 para 9.000 (934%).
O
programa tem impactos significativos e diversos, como a redução na
incidência de doenças de veiculação hídrica, da mortalidade infantil, o
aumento e diversificação da produção agroalimentar, por dinamizar a
economia local e gerar renda às famílias beneficiárias”
Vitor Santana, coordenador do programa no Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome
O QUE É
O Programa Cisternas promove o acesso à água por meio de tecnologias
simples e de baixo custo. O público-alvo é composto por famílias da zona
rural com renda per capita de até meio salário mínimo, e equipamentos
públicos rurais atingidos pela seca ou falta regular de água. As
famílias devem estar no Cadastro Único do Governo do Brasil. Pelo Novo
PAC, são mais de 189 mil unidades contratadas na atual gestão, em uma
meta de 219 mil. Há 1.037 municípios contemplados em 19 estados, por
meio de 30 parcerias que somam R$ 1,7 bilhão em aportes. Desde 2003, são
1,34 milhão de unidades entregues.
PRIORIDADE
O semiárido brasileiro é a região prioritária de atendimento. Nela, a
principal tecnologia são as cisternas de placas, que captam e armazenam
água de chuva para uso nos meses mais críticos de estiagem. O programa,
contudo, tem um conjunto extenso de tecnologias sociais. As cisternas
de 16 mil litros são voltadas ao consumo humano, para beber, cozinhar e
escovar os dentes. Tecnologias como as cisternas de 52 mil litros têm o
objetivo de viabilizar a produção de alimentos e suprir a necessidade de
animais. Há ainda vertentes específicas para escolas públicas rurais e
sistemas multiuso, em modelos individuais e comunitários, implementadas
principalmente na região Norte.
AMBIENTE ESCOLAR
Na Ilha de Marajó (PA), 260 cisternas mudaram a realidade do ambiente
de ensino no município de Salvaterra. Abastecidas por poços artesianos,
as escolas da região ficavam muitas vezes sem água quando faltava
energia para as bombas d'água, o que dificultava a limpeza das salas, o
preparo de alimentos e a higiene. Crianças e professores eram obrigados a
voltar para casa. Com as cisternas, a captação no período chuvoso
assegura o fornecimento na seca. "Essa água garante higiene pessoal,
limpeza, irrigação da horta e serve para o nosso consumo e da
comunidade", explica Siane Cristina Lopes, merendeira que recebeu
capacitação para o uso das cisternas. “Aprendemos a limpar a cisterna,
usar os equipamentos e garantir água segura”.
Antes
acontecia de eu chegar para pegar água e ter gado dentro. Eu tangia
para pegar a água para o consumo da casa. Aí, graças a Deus, a gente
ganhou a cisterna do consumo para beber. Passou um tempo, e agora a
gente ganhou essa outra, de produção. A água do córrego vem para cá,
passa por canos e cai na cisterna. Como é uma água que vem do solo, é
mais fertilizada e já ajuda a produzir”
Francisco Regivaldo Assunção,
de Morada Nova (CE)
ENXURRADA
No município cearense de Morada Nova, Francisco Regivaldo Assunção
viu o cotidiano mudar diante das tecnologias sociais do Programa
Cisternas. Antes, nos períodos secos, ele disputava espaço no açude com
animais. Atualmente, não só tem a cisterna que armazena água para o
consumo cotidiano, como conta com uma cisterna de enxurrada para captar
água de um córrego e acumular em outro reservatório para garantir a
produção de frutas e hortaliças.
“Antes
acontecia de eu chegar para pegar água e ter gado dentro. Eu tangia para
pegar a água para o consumo da casa. Aí, graças a Deus, a gente ganhou a
cisterna do consumo para beber. Passou um tempo, e agora a gente ganhou
essa outra, de produção. A água do córrego vem para cá, tipo filtrando.
Depois passa por canos e cai dentro da cisterna. Como é uma água que
vem do solo, é mais fertilizada e já ajuda a produzir. E assim as coisas
vão melhorando, né?”, explicou.
TECNOLOGIA
O conceito de tecnologia social é central. Ele pressupõe participação
dos beneficiários nas diversas etapas. A mão de obra para construir as
estruturas é escolhida na comunidade, para gerar oportunidades de
trabalho e movimentar a economia. Geralmente, as famílias e os pedreiros
passam por formação do próprio programa.
“A
colaboração com a sociedade civil é essencial para alcançar áreas onde o
poder público sozinho não conseguiria chegar. O Programa Cisternas é
exemplo disso. Ele foi uma mudança de paradigma no enfrentamento à seca e
na convivência com o semiárido. Nos ensinou como melhorar condições de
vida, cultivos, saúde, a vida das mulheres nesse bioma. Nós, como
Governo Federal, seguimos juntos para continuar produzindo esse processo
participativo e que nos levou a chegar a mais de um milhão de cisternas
no Semiárido e a expandir para a Amazônia”, disse Lilian Rahal,
secretária de Segurança Alimentar e Nutricional do MDS.
PRODUÇÃO AMPLIADA
A agricultora Iolanda Santos vive na comunidade Paiol, em Parnarama,
no leste maranhense, e sente os resultados do programa de forma direta
no cotidiano. “Antes, a gente plantava uma quantidade só para consumo.
Hoje, a gente planta uma quantidade maior, para consumir e vender. Isso
gera renda”, relatou, lembrando que era comum a comunidade passar até 30
dias diretos sem água por ano. Hoje, há 238 cisternas em Parnarama, 124
entregues entre 2024 e 2025.
ENGRENAGEM PRODUTIVA
O produtor Erasmo da Silva atua na zona rural de Boqueirão, município
do sertão do Cariri, na Paraíba, e avalia que o Programa Cisternas,
articulado com outros programas sociais do Governo do Brasil, melhorou a
segurança hídrica e abriu oportunidades. “O Programa Cisternas foi uma
bênção e ajudou nos quintais produtivos, que permitem que os
agricultores plantem em quantidade e com garantia de compra
governamental via Programa de Aquisição de Alimentos (PAA)”, ressaltou o
morador do município de 18 mil habitantes, que já teve 130 cisternas
entregues entre 2024 e 2025. O PAA destina os produtos comprados da
agricultura familiar a escolas, restaurantes populares, cozinhas
comunitárias e bancos de alimentos.
IMPACTOS
Para
Vitor Santana, coordenador do programa no Ministério do Desenvolvimento
e Assistência Social, Família e Combate, ao longo dos anos a iniciativa
tem se mostrado efetiva não apenas por garantir acesso à água, mas por
outros diversos benefícios correlatos. “O programa tem impactos
significativos e diversos, como a redução na incidência de doenças de
veiculação hídrica, da mortalidade infantil, o aumento e diversificação
da produção agroalimentar, por dinamizar a economia local e gerar renda
às famílias beneficiárias”, resumiu.
Fonte: Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República
