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Estado da Bahia registra salto de 18,9% na Indústria Criativa, com expectativas de um mercado ‘aquecido’ para o Carnaval
O aquecimento da economia criativa no mês de fevereiro, atribuído ao fenômeno do Carnaval, encontra um terreno fértil na Bahia. A categoria, que vem historicamente de uma expansão recorde nos vínculos empregatícios criados na área da ‘Cultura’ (8,8%), segundo a Firjan, trouxe “ventos otimistas” para os empreendedores, que se viram distantes do cenário nacional de retração, avaliado em -7,2%. Os dados foram registrados no “Mapeamento da Indústria Criativa no Brasil” (2022), com os estados da Bahia e Alagoas (0,8%) como as únicas federações à variar positivamente, ainda no triênio de pré-pandemia. O relatório também mostrou uma expansão da área criativa na Bahia, com uma média de 18,9%. Vindo embalada, o novo relatório (2025) da Firjan revelou que o estado segue na 5ª posição com relação a participação dos profissionais de Cultura na indústria criativa. “O
estudo mostra uma Bahia rica em criatividade, mas muita coisa mudou
desde 2017. Embora a indústria gere bilhões em receita, o retorno para o
empreendedor, especialmente o afrodescendente, ainda é fraco, o que
contribui para o cenário de subsistência. Esse produtor é contabilizado
em números, mas segue pouco assistido e sem formação para escalar sua
influência. O que deveria empoderar a cena criativa, principalmente com a
riqueza cultural da comunidade negra, tornou-se um cenário de
'vulnerabilidade invisível', onde as estatísticas mascaram a falta de
suporte real para transformar talento em autonomia financeira”, contrapõe Cynthia Paixão, CEO e fundadora da startup ‘Afrocentrados Conceito’. À frente da Afrocentrados, startup que movimenta mais de meio milhão de reais, com cultura autoral e economia criativa em Salvador, Cynthia explica que a antiga loja colaborativa vem com uma nova proposta de ser o hub de negócios de impacto e inovação afro, aproveitando o mercado aquecido para elevar o empreendedorismo negro para além das estatísticas.
“Queremos aproveitar o período aquecido de pré e pós-Carnaval para
impulsionar essas marcas, de modo que o retorno seja benéfico para a
escalada dos negócios e da comunidade afroempreendedora de Salvador. É
uma das formas que encontramos de empoderar os negócios e
verdadeiramente pertencer à essa expansão da Indústria Criativa na Bahia”, comenta. Com uma trajetória de 5 anos dedicados ao fortalecimento de marcas autorais, a afroempreendedora destaca que a jornada é trilhada de forma independente. Sem o suporte de editais governamentais ou aportes de instituições privadas, Cynthia conta que a Afrocentrados sobreviveu e cresceu através do autofinanciamento e da rede de apoio mútuo entre mulheres e os próprios criativos. “São
anos construindo pontes no braço, sem auxílio externo, que torna cada
avanço um marco de resistência. Entendemos que o ‘afroempreendedor’
requer a formação para escalar, suporte tecnológico e uma rede que gere
impacto real em suas contas. A indústria criativa atrai excelentes
profissionais, mas que se perdem no meio do caminho ou fecham às portas
por não verem seus negócios escalando, mesmo diante do crescimento do
cenário, seja ele local, nacional ou mundial. E a Bahia é a prova de que
o cenário já trouxe bons resultados. Para que essa estatística seja
ainda mais real em nosso meio, decidimos sair do modelo de ‘vitrine’
para um modelo ainda mais eficiente, de aceleração de negócios na
capital”, conta a CEO. A
postura autônoma ganhou contornos de inovação tecnológica ao conectar a
Bahia ao fluxo global da economia criativa que, segundo a UNESCO, movimenta US$ 2,25 bilhões anuais. À fim de romper as barreiras geográficas que muitas vezes limitam o pequeno produtor negro, a Afrocentrados se prepara lançar o primeiro e-commerce do estado exclusivo para marcas negras: a ‘Afrocentrados Hub’. “A
‘Afrocentrados Hub’ nasce para corrigir uma distorção histórica da
economia criativa: a de que o talento negro sustenta estatísticas, mas
não acessa escala. Criatividade sem estrutura vira sobrevivência. Nosso
objetivo é profissionalizar, acelerar e conectar marcas negras a um
mercado real, usando tecnologia, formação e rede como ferramentas de
autonomia financeira”, explica. Desenvolvido em parceria com a plataforma WBuy, a ferramenta está em fase de adesão, permitindo que a estética, criatividade e a identidade baiana alcancem consumidores em qualquer lugar do mundo. A nova fase aposta na integração phygital
(físico + digital) como pilar de sustentabilidade do negócio, unindo o
espaço virtual à tradicional loja física, localizado no piso L2 do
Shopping Bela Vista – que chega com uma estrutura reforçada no
atendimento, gerência e coordenação. Nesse cenário, a Afrocentrados Hub se consolida como marketplace voltado para o incentivo de marcas negras, reunindo empreendimentos autorais e ampliando sua atuação com a chegada de mais três novas marcas à plataforma. A iniciativa atua como um canal estruturado de multicomercialização e visibilidade, conectando empreendedores negros a um mercado amplo e qualificado dentro da indústria criativa. "Os
números mostram crescimento, mas crescimento sem equidade não é
desenvolvimento. A Bahia pulsa criatividade negra, movimenta a economia e
sustenta estatísticas positivas, mas ainda falha em transformar esse
potencial em autonomia financeira para quem está na base da cadeia. A
Afrocentrados e o nosso Hub nasce justamente para romper esse ciclo:
sair da sobrevivência para a escala. Nosso compromisso é transformar
talento em negócios sustentáveis e ‘cultura’, que não para de escalar
profissionalmente na Bahia, em oportunidade para a comunidade
afrobrasileira”, conclui Cynthia.
Por Anna Vilarina
