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Carnaval aumenta risco de lesões ortopédicas
O Carnaval da Bahia é sinônimo de alegria, multidões e longas horas em pé atrás dos trios elétricos. Mas, junto com a festa, cresce também o número de lesões ortopédicas, que vão desde entorses e distensões musculares até fraturas mais graves. A combinação de esforço físico prolongado, calor intenso, consumo de álcool e uso de calçados inadequados transforma a folia em um período de alerta para os serviços de emergência.
Levantamentos do Ministério da Saúde mostram que, durante grandes festas populares, como o Carnaval, há um aumento significativo nos atendimentos por traumas ortopédicos, especialmente envolvendo pés, tornozelos, joelhos e coluna. Na Bahia, hospitais de referência costumam registrar crescimento expressivo na procura por pronto atendimento por quedas, torções e dores musculares nos dias de festa.
Pés e tornozelos são os mais afetados
Segundo o ortopedista Nivaldo Cardozo, coordenador do serviço de Ortopedia do Hospital Mater Dei Salvador (HMDS) e do Hospital Mater Dei Emec (HMDE), as lesões mais comuns no Carnaval estão diretamente ligadas ao excesso de impacto. “Muitas pessoas passam horas caminhando, pulando e dançando, geralmente sem preparo físico e usando calçados inadequados. Isso sobrecarrega articulações e músculos, principalmente dos membros inferiores”, explica.
Entorses de tornozelo, inflamações no tendão de Aquiles, fascite plantar e dores intensas nos joelhos estão entre as queixas mais frequentes. “O corpo até tenta avisar, mas, no clima da festa, os sinais costumam ser ignorados”, alerta o especialista.
Quedas e empurrões elevam gravidade
Além das lesões por esforço repetitivo, o ambiente de multidão aumenta o risco de acidentes. Empurrões, desníveis no chão, cordas de isolamento e até restos de lixo nas ruas favorecem quedas. “Nesses casos, vemos fraturas de punho, clavícula e, em situações mais graves, fraturas de membros inferiores e coluna”, afirma Nivaldo Cardozo.
O médico destaca que o consumo de álcool agrava o cenário. “O álcool reduz o reflexo e a percepção de risco, aumentando a chance de quedas e movimentos inadequados”, pontua.
Calçado certo faz diferença
Uma das principais orientações dos ortopedistas para curtir o Carnaval com mais segurança é a escolha do calçado. “O ideal é usar tênis ou sapatos fechados, com solado antiderrapante e bom amortecimento. Sandálias rasteiras, chinelos e sapatos sem fixação no calcanhar aumentam muito o risco de torções”, orienta o coordenador de Ortopedia do HMDS.
Roupas confortáveis, pausas para descanso e hidratação adequada também ajudam a prevenir lesões musculares e articulares, especialmente em dias de calor intenso.
Quando procurar atendimento
Dor persistente, inchaço, dificuldade para apoiar o pé, deformidades ou limitação de movimento são sinais de alerta. “Não é normal sentir dor incapacitante após a folia. Insistir pode agravar lesões simples e transformá-las em problemas mais sérios”, ressalta Nivaldo Cardozo.
Para os especialistas, curtir o Carnaval com responsabilidade inclui cuidar do corpo. “O Carnaval é uma maratona física. Quem se prepara e respeita os limites do corpo tem muito mais chances de aproveitar a festa até o fim — e voltar para casa inteiro”, conclui o ortopedista.
Por Cinthya Brandão
