Foto: Divulgação
Cirurgia plástica deve movimentar 28 bilhões em 2026
Muito além dos bisturis e espelhos, a cirurgia plástica se consolidou em 2025 como um dos pilares econômicos mais estratégicos do Brasil e deve avançar em 2026. O que era visto como luxo há duas décadas transformou-se em uma potente engrenagem que movimenta cadeias produtivas completas, gera milhares de empregos qualificados e atrai bilhões em investimentos, posicionando o país como referência global em saúde e inovação. Dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) revelam que o setor movimentou R$ 25 bilhões anuais na economia, e tem projeção de chegar a R$ 28 bilhões em 2026 sustentando 420 mil empregos diretos e 1,2 milhão indiretos – números que colocam a plástica como o 5º maior segmento da saúde suplementar.
O Brasil mantém sua liderança mundial com 2,5 milhões de procedimentos anuais (cirúrgicos e não cirúrgicos), atrás apenas dos Estados Unidos, título que alterna entre ambos durante o ano. Este protagonismo não resulta devido a um acaso, mas de três alicerces sólidos: excelência técnica consolidada por três gerações de cirurgiões, investimentos crescentes em tecnologia e uma demanda interna robusta que sustenta o mercado mesmo em cenários econômicos desafiadores. "A cirurgia plástica brasileira é um ativo estratégico nacional, comparável à outras grandes áreas econômicas brasileiras", afirma o Dr. Ezio Carneiro Junior. "Movimentamos uma cadeia que vai da fabricação de próteses à hotelaria, coisa que há anos atrás jamais imaginaríamos. Tudo isso se deve a tecnologia avançada na área de cirurgia plástica que o Brasil demonstra frente ao cenário mundial, nos colocando como líderes no segmento e trazendo diversos imigrantes para realizar procedimentos por aqui."
Cada cirurgia plástica ativa um ecossistema econômico amplo e sofisticado. Hospitais de excelência, centros cirúrgicos acreditados, fabricantes nacionais de próteses mamárias de excelência, indústrias farmacêuticas especializadas em cicatrização avançada e até startups de healthtech – tudo orbita este setor. Uma única lipoaspiração de alta complexidade, por exemplo, demanda 18 profissionais especializados, movimenta até R$ 45 mil em insumos.
O turismo médico brasileiro elevou este impacto a outro patamar. Eestima-se que 14% dos atendimentos realizados sejam de estrangeiros, número que pode chegar à mais de 60 mil pessoas que escolheram o Brasil para cirurgias plásticas e realizaram mais de 80 mil procedimento, injetando R$ 4,2 bilhões na economia. São Paulo concentra 42% deste fluxo, seguido por Rio (28%) e Florianópolis (15%). Europeus, americanos e árabes chegam atraídos pela combinação imbatível de custo 65% inferior aos EUA com taxa de complicações 2,3% inferior à média europeia. "Em uma das pacientes estrangeiras que operamos economizou €78 mil fazendo abdominoplastia com lipo aqui no Brasil", exemplifica Dr. Carneiro. "Ele ficou 12 dias em hotel 5 estrelas, movimentou hospital, clínica de fisio, farmácia, restaurantes, empresas de produtos cirúrgicos (cinta, curativos especiais e outros) e muitos outros setores que envolvem o processo. A agência de turismo médico deu a segurança e excelência que muitos países não conseguem proporcionar e é claro que ela voltou evangelizando amigos e alguns vieram se operar aqui posteriormente." Brinca o médico
A inovação tecnológica coloca o Brasil na vanguarda global e traz número cada vez mais impressionantes para o mercado. Procedimentos reparadores – abdominoplastias pós-bariátricas (87 mil/ano), reconstruções mamárias (52 mil/ano) e correções pós-trauma (34 mil/ano) – geram impacto social mensurável. Pacientes retornam ao trabalho 28 dias mais rápido e apresentam 43% menos absenteísmo nos dois anos seguintes, segundo estudo da FGV. "Uma reconstrução mamária não devolve só o seio, mas a capacidade produtiva de uma mulher. Imagine alguém que sustenta filhos e uma casa. Ela precisa de uma recuperação rápida no pós-cirúrgico, além de segurança que tudo ocorrerá da melhor forma. E isso já fazemos, dando todo apoio necessário, para uma recuperação consolidada.", enfatiza Dr. Carneiro.
O setor também lidera em procedimentos não cirúrgicos, que cresceram 187% desde 2022. Bioestimuladores, ácido hialurônico de 5ª geração e ultrassom microfocado dominam os atendimentos por menor tempo de internação e alta demanda recorrente.
Turismo médico profissionalizado transformou cidades em hubs internacionais. Cada turista médico gasta R$ 68 mil entre cirurgia, hotelaria, alimentação, transporte, medicamentos, acompanhamentos pós-cirurgicos e insumos
A SBCP lançou em 2026 o Selo Excelência Plástica, certificando 1.247 clínicas que seguem 187 padrões de segurança. Anestesia segura caiu para 0,8/100.000 (era 2,1 em 2020). Taxa de infecção caiu 67%.
A perspectiva para o mercado até 2030 é de alcançar R$ 48 bilhões e 800 mil empregos, nos mais variados segmentos. "A cirurgia plástica brasileira é um case global de desenvolvimento econômico pela saúde", finaliza Dr. Ezio Carneiro Junior. "Geramos riqueza, inovação e bem-estar num modelo que países ricos tentam copiar. É o Brasil ensinando o mundo como transformar bisturi em PIB."
Por Melissa Stranieri
