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Projeto ALMA forma sua primeira taifeira, a manauara Renata Medeiros
A manauara Renata Medeiros, é a primeira
mulher contratada como Taifeira Marítima pela Aliança Navegação e
Logística após concluir o Projeto ALMA, iniciativa desenvolvida em
parceria com a Capitania dos Portos, em Manaus. Ex-motorista de ônibus
na capital do Amazonas, Renata comenta que nunca combinou com paredes,
horários rígidos ou a ideia de ficar sempre no mesmo lugar, e por isso
decidiu reescrever sua própria rota. A contratação de Renata marca um
passo importante do programa, que foi criado para ampliar diversidade a
bordo e acelerar o desenvolvimento profissional de novas tripulantes.
Antes de chegar ao mar, Renata teve diversas experiências profissionais, desde segurança, garçonete, até motorista de transporte urbano. “Eu sempre busquei movimento, algo que me fizesse crescer, e ampliar meus horizontes”.
A vontade de evoluir levou Renata à
Marinha Mercante. Durante as férias do trabalho, estudou sozinha para o
Curso de Adaptação para Taifeiros (CFAQ-T) e foi aprovada de primeira.
Foi no final do curso que ela ouviu falar do Projeto ALMA, pensado para
oferecer a primeira vivência embarcada, com acompanhamento da
tripulação, remuneração e formação prática. “Quando falaram do programa,
meu coração acelerou. Eu sabia que era a chance de mudar minha vida.
Quando eu recebi a notícia de que tinha sido selecionada, me ajoelhei e
chorei. Para mim, foi Deus abrindo uma porta onde antes não havia
caminho. E agora eu vou completar 41 anos embarcada. Já ganhei o meu
presente”, conta.
“Para a Aliança, a trajetória da Renata traduz o propósito do Projeto ALMA: criar portas reais de entrada, desenvolver talentos femininos e ampliar a diversidade em um setor que historicamente teve pouca participação de mulheres. Hoje, 31% do nosso quadro total na Aliança é composto por mulheres e já alcançamos 34% de participação feminina em cargos de liderança. Sabemos que operamos em um ambiente tradicionalmente masculino, por isso apoiamos iniciativas que visem ampliar a diversidade no setor e seguimos dedicados a ampliar oportunidades reais para mulheres que desejam construir carreira no mar”, comenta Luiza Bublitz, presidente da Aliança Navegação e Logística.
De Manaus ao mar aberto
Apesar de viver às margens dos
rios, Renata mal tinha visto um navio cargueiro antes do treinamento. A
experiência embarcada mudou tudo. A bordo do navio Pedro Álvares Cabral
(PECAB), da Aliança, percorreu o trajeto Manaus – Suape – Pecém – Santos
– Sepetiba – Salvador durante os 30 dias de estágio. Ali, experimentou
pela primeira vez a rotina real de taifeira: auxiliar o cozinheiro,
cuidar da despensa, organizar áreas comuns e garantir o bem-estar da
tripulação. “É sobre acolher. É sobre fazer as pessoas se sentirem bem
onde elas estão. E isso também é responsabilidade e segurança. A gente
precisa viver o navio para saber se é isso mesmo o que a gente quer.
Muita gente fala do cansaço ou da saudade. Para mim, o tempo voava. Eu
trabalhava, descansava e aprendia. Era como se eu estivesse, finalmente,
no meu lugar”, diz.
No caminho, encontrou também inspiração. Na segunda metade da viagem, a operação passou a ser liderada pela comandante Daisy Lima, uma mulher que há 11 anos atua no posto mais alto da embarcação, e soma 19 anos na Aliança e 23 de carreira. “Quando eu soube que a comandante era uma mulher, senti uma força enorme. Me inspirou a olhar mais longe”, explica.
A capitã também guarda boas impressões da nova tripulante:
“Foi muito bom receber alguém como a Renata, que desde o primeiro
dia abraçou a vida no mar e se mostrou comprometida com seu
desenvolvimento. Houve comemoração a bordo quando soubemos que ela foi
contratada. Desejo que siga com esse ânimo e força de vontade, e que seu
caminho seja próspero.”
Um novo horizonte para mulheres na logística
Para Renata, a presença feminina no setor marítimo traz algo indispensável: cuidado, atenção e olhar detalhista. “Já trabalhei em ambientes com 20% de mulheres e a gente sempre se destaca. Não é porque somos exceção. É porque a gente faz com carinho, com atenção. Mulher pode tudo. Quem é mãe, quem cuida de gente, cuida de navio também”.
Como contratada pela Aliança, Renata já planeja seus próximos passos: cursar faculdade, evoluir dentro da carreira e, quem sabe, no futuro, seguir para áreas de náutica ou máquinas. “Eu quero crescer. Esse foi meu primeiro passo”, resume.
Sobre o Projeto ALMA
O projeto ALMA nasceu com o objetivo de formar e inserir mulheres em funções embarcadas de apoio à tripulação, reduzindo barreiras históricas de acesso e qualificando novos talentos para atuar no transporte marítimo de contêineres. A iniciativa inclui formação gratuita, estágio remunerado embarcado, mentoria técnica e possibilidade de contratação.
“Histórias como a da Renata mostram que ampliar a diversidade a bordo não é apenas uma agenda social. É criar novos caminhos para fortalecer ainda mais o setor”, finaliza Bublitz.
Por Juliana Araujo
