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Entre promessas e pressões
Todo início de ano costuma ser marcado por novos recomeços, cobranças pessoais e metas, muitas delas inalcançáveis, responsáveis pelo crescimento silencioso de sintomas como frustrações, ansiedade, insônia e tristeza profunda. Para marcar o período, a Afya, maior grupo de educação e soluções médicas do Brasil, e que na Bahia está presente em Salvador Itabuna, Vitória da Conquista e Guanambi, entra na campanha Janeiro Branco para alertar sobre a necessidade de políticas de cuidado emocional, ações de prevenção e a importância do diálogo e escuta sobre o sofrimento psíquico.
“O início do ano costuma gerar maior vulnerabilidade emocional porque é um momento marcado por balanços pessoais, expectativas futuras e pressão por mudanças. Além disso, fatores como insegurança financeira pós-festas e comparação social intensificada podem elevar a ansiedade e a sensação de inadequação”, destaca a psicóloga e professora da Afya Itabuna, Raquel de Alcântara.
Ainda, segundo a especialista, “a comunicação aberta permite que a pessoa em sofrimento seja acolhida e identificada antes que sua dor se agrave. O ato de verbalizar emoções reduz o isolamento, facilita o acesso ao cuidado e pode prevenir comportamentos autolesivos. Falar é uma forma de pedir ajuda e de criar conexões de suporte. Já a escuta, qualificada e o apoio coletivo fortalecem redes de proteção social, ampliam o sentimento de pertencimento e reduzem a solidão, fatores essenciais na prevenção de transtornos mentais”.
Em Itabuna, por exemplo, o número de atendimentos em saúde mental na rede pública cresceu 23% em 2024, ultrapassando a marca de 3 mil consultas médicas, segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde. Desses, 41% foram de transtornos de ansiedade.
A professora da Afya Itabuna destaca ainda que “Em cidades como Itabuna, onde questões socioeconômicas podem intensificar o sofrimento emocional, iniciativas comunitárias, rodas de conversa e serviços de atenção psicossocial atuam como importantes estratégias de cuidado e prevenção. Nesse cenário, a psicoterapia assume um papel central, pois oferece um espaço seguro para acolhimento, análise das demandas individuais e desenvolvimento de estratégias de enfrentamento”, conclui.
Por Flamarion Reis
