
Foto: Gabriel Gonçalves/Divulgação
Debate sobre transição energética marca último dia de INDEX
Um debate sobre a transição energética marcou o terceiro e último dia de INDEX - A Feira da Indústria da Bahia, nesta sexta-feira (29), no Centro de Convenções de Salvador. Um dos convidados do painel, o diretor de Energia da Braskem, Gustavo Checcucci, esclareceu como o gás natural se insere atualmente na operação industrial da companhia.
“No processo de transição energética, avaliamos o cenário com base em quatro pilares: competitividade do energético que a gente está adquirindo, a confiabilidade dele – e o gás é um energético muito confiável -, o volume de carbono emitido pelo energético, e a flexibilidade - a capacidade de adquirir esse energético e usá-lo nas nossas unidades. Com base nesses quatro pilares, a gente faz a avalisção em prol de transformar nossos ativos para mais eficientes, emitindo menos carbono”, destacou Checcucci.
A transição energética prevê a mudança de sistemas energéticos baseados em combustíveis fósseis (como petróleo, carvão e gás) para fontes de energia renováveis e mais limpas (como solar, eólica, hídrica e biomassa), visando reduzir emissões de gases de efeito estufa e, desta forma, combater as alterações climáticas, aumentar a eficiência energética e garantir a sustentabilidade a longo prazo.
Em sua apresentação, Checcucci, salientou que, para acelerar a utilização do gás natural, é necessário avançar em algumas frentes, como as regulatórias. “Regulamentações estaduais e federais. No entanto, há o que chamamos de mercado livre de gás natural, que iniciou no Brasil há dois ou três anos e trouxe a possibilidade de adquirirmos o gás não necessariamente do mercado regulado, mas de outro fornecedor. Um gás mais competitivo e mais flexível”, pontuou.
Um marco recente na transição energética da Braskem foi a conclusão da migração de seu parque industrial do ABC Paulista para o mercado livre de gás natural, uma matriz energética mais competitiva, flexível, confiável e de baixo carbono. A mudança viabilizou o acesso a diferentes fornecedores em condições mais vantajosas, com oportunidades de redução de custos com gás natural entre 5% e 25% nas unidades migradas em relação ao mercado regulado.
Também presente na discussão, o diretor-presidente da Bahiagás, Luiz Gavazza, ressaltou a competitividade do produto nacional. “O gás vindo de outros cantos do mundo precisa passar por processo de liquefação, que é um processo muito caro. O transporte nos navios metaleiros também é muito caro e o processo de regaseificar também é caro. Então, se a gente aposta no gás nacional, temos mais condições de trazer mais competitividade para o mercado nacional”, afirmou.
Case de sucesso - Mais cedo, a programação da INDEX promoveu o seminário Indústria Baiana Sustentável: Iniciativas que Transformam. As profissionais da Braskem na Bahia, Clarissa Costa Amaral, coordenadora de Produção da Unidade de Aromáticos; e Mariah Britto Lima, engenheira de Processos de Químicos, apresentaram o projeto Maximização do Aproveitamento das Correntes do Flare, que concorreu ao Prêmio FIEB Indústria Baiana Sustentável. A iniciativa consiste em maximizar o aproveitamento das correntes enviadas para o Flare, através da recuperação da corrente de Hidrogênio perdida para o sistema, aumentando a eficiência operacional do compressor de recuperação de gás de flare para 100% da capacidade.
Mariah destacou que o projeto foi de extrema importância para mostrar que é possível associar ganhos ambientais a econômicos. “Este projeto provou que, com trabalho bem feito, as duas vertentes podem caminhar juntas”, ressaltou.
“Eu destacaria também o trabalho conjunto entre diferentes áreas na companhia, com o intuito de encontrar esta solução, que trouxe muitos benefícios”, complementou Clarissa.
Com o projeto, houve redução de mais de 12,4 mil tCO?e/ano, diminuição de 70% da vazão de hidrogênio para o flare, baixa de 4,3 kt no consumo de gás natural, resultando em uma economia de R$ 12 milhões, somente nos primeiros 15 meses de projeto, implementado em 2022. A estimativa é que, atualmente, a economia seja de cerca de R$ 29 milhões.
O flare é um sistema de segurança utilizado nas indústrias químicas, petroquímicas e refinarias, que seguem as mais rigorosas normas nacionais e internacionais de segurança, saúde e proteção ao meio ambiente. Através de duas iniciativas principais, o projeto conseguiu otimizar a recuperação de gases e reduzir perdas no sistema de flare, resultando em benefícios significativos para a empresa e para o meio ambiente.
Por Gabriel Gonçalves