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Dramaturgo baiano Tom Machado conquista o 7º Prêmio Solano Trindade com texto sobre Mãe Stella de Oxóssi
Obra que tem como título “Mãe Stella de Oxossi: Aquilo que não se registra o tempo apaga”, (frase da própria Mãe Stella), está entre os três textos selecionados pelo prêmio, que reconhece a produção dramatúrgica de artistas afrodescendentes brasileiros
A dramaturgia baiana ganha destaque nacional com a conquista do ator e dramaturgo Tom Machado, um dos vencedores da 7ª edição do Prêmio Solano Trindade, importante iniciativa de valorização e reconhecimento da criação teatral afro-brasileira. O artista foi premiado pelo texto “Mãe Stella de Oxossi: Aquilo que não se registra o tempo apaga”, obra que coloca em cena a memória, a ancestralidade e a importância de preservar histórias fundamentais para a cultura brasileira.
Promovido pela SP Escola Superior de Teatro – Faculdade das Artes do Palco, instituição vinculada à Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo e criada e gerida pela Associação dos Artistas Amigos da Praça (ADAAP), o prêmio selecionou três textos dramatúrgicos escritos por artistas afrodescendentes brasileiros. A conquista de Tom Machado representa um importante reconhecimento de sua produção artística e da potência da dramaturgia produzida na Bahia.
O lançamento das obras selecionadas acontece no dia 18 de novembro, na SP Escola Superior de Teatro, Campus Brás, em São Paulo, reunindo a produção de autores que contribuem para ampliar a presença, a representatividade e as perspectivas negras na dramaturgia nacional.
Ao escolher Mãe Stella de Oxóssi como figura central de sua criação, Tom Machado estabelece um diálogo com a memória e o legado de uma das mais importantes lideranças religiosas e intelectuais da Bahia. A própria força do título, “Aquilo que não se registra o tempo apaga”, aponta para a urgência de preservar conhecimentos, trajetórias e narrativas que atravessam gerações e constituem o patrimônio cultural brasileiro.
O Prêmio Solano Trindade homenageia o poeta, dramaturgo e diretor pernambucano Solano Trindade (1908-1974), referência da arte e da luta antirracista no Brasil. Artista comprometido com as causas negras, foi criador do Teatro Popular Brasileiro (TPB), grupo formado por operários, trabalhadoras e estudantes, que buscava inspiração nas manifestações culturais populares do País.
Sua atuação também alcançou a dança, com a criação, em meados da década de 1950, do grupo Brasiliana, que se tornou referência e conquistou reconhecimento em apresentações no Brasil e em temporadas internacionais.
A conquista de Tom Machado reafirma a relevância da dramaturgia baiana no cenário nacional e celebra uma criação artística que transforma memória em palavra, história em teatro e ancestralidade em legado.
Por Doris Pinheiro
