Paulo Grego, CMO da Real Oficial (Crédito: Divulgação)
Produtora de hollywood contrata tiktokers para divulgar filmes = Por Paulo Grego,
Quem assiste os conteúdos do TikTok provavelmente já viu um vídeo de um filme que não estava pensando em assistir. Pode ser uma montagem de um casal de uma saga antiga com uma música que está em alta, uma cena dramática editada como se fosse um meme ou um personagem que voltou a circular anos depois do lançamento. Esses vídeos, conhecidos como fan edits, são feitos por fãs que selecionam cenas, combinam trilhas sonoras e usam efeitos de edição para dar outro sentido a uma história. Em muitos casos, eles conseguem manter um filme presente nas conversas da internet muito depois de sua estreia.
A Lionsgate, estúdio responsável por franquias como Jogos Vorazes, Divergente e Crepúsculo, decidiu levar esse comportamento para dentro de sua estratégia de marketing. Em vez de pedir que sua equipe tentasse reproduzir o estilo desses vídeos, o estúdio foi atrás de quem já fazia isso por conta própria. A empresa no TikTok, procurou cerca de 250 editores na plataforma e selecionou aproximadamente 15 para trabalhar com o estúdio.
Esses criadores passaram a produzir vídeos para as redes sociais da própria marca, com publicações a cada poucos dias. O conteúdo acompanha tanto filmes novos, como The Long Walk, quanto títulos antigos do catálogo, como Divergente. Um dos testes mais relevantes envolveu Crepúsculo: durante a estratégia de relançamento da saga, o estúdio publicou quase 40 edições relacionadas aos filmes.
O que me chama a atenção nesse caso é a decisão de trabalhar com uma linguagem que já existia entre os fãs. A Lionsgate não precisou inventar um novo formato para o TikTok. Ela identificou um tipo de conteúdo que as pessoas já produziam, compartilhavam e consumiam e encontrou uma forma de participar dessa dinâmica.
Muitas marcas ainda começam nas redes pelo próprio produto e tentam encontrar uma maneira de encaixá-lo em uma tendência. O resultado pode até seguir o formato do momento, mas nem sempre tem relação com o que fez aquela tendência ganhar espaço.
No caso dos fan edits, o contexto faz boa parte do trabalho. Quem edita um filme conhece os personagens, entende as relações entre eles e sabe quais cenas provocam reações nos fãs. Também acompanha as referências e as piadas que circulam dentro daquela comunidade. Não é simplesmente cortar cenas e colocar uma música popular por cima, existe uma leitura do conteúdo original e do público que vai assistir à montagem.
Outro fato interessante é o que acontece com os filmes mais antigos, onde normalmente o lançamento concentra uma parte importante do investimento em divulgação e a atenção diminui com o passar do tempo. Porém, nas redes, uma obra pode ganhar novas interpretações e voltar a despertar interesse por motivos que não estavam previstos na campanha original. Um personagem, uma cena ou até uma música podem virar o ponto de partida para que uma nova geração descubra aquele título.
O conteúdo não precisa funcionar como um trailer tradicional para despertar curiosidade. Às vezes, uma montagem que circula entre fãs já é suficiente para colocar o filme de volta na conversa. Isso prova que os vídeos geraram vendas de ingressos, mas mostra uma maneira diferente de manter uma obra em circulação.
Acho que existe uma oportunidade semelhante para marcas de outros setores, embora a estratégia não possa ser copiada de forma automática. Uma empresa de tecnologia pode encontrar pessoas que já produzem tutoriais, explicam recursos ou criam piadas sobre situações comuns de uso de seus produtos. No varejo, consumidores podem desenvolver formas próprias de demonstrar produtos ou compartilhar experiências. Em cada caso, é preciso entender o que já acontece espontaneamente antes de decidir como a marca pode participar.
A escolha do momento, o ritmo da montagem, o contexto e a forma de apresentar uma cena podem mudar completamente a maneira como ela é recebida pelo público. O caso da Lionsgate mostra que vale a pena olhar para quem já está fazendo esse trabalho antes de montar uma estratégia do zero. Nem sempre a melhor ideia vai surgir dentro da empresa, e nem toda colaboração precisa começar com uma campanha pronta.
Para mim, esse é o aprendizado mais interessante, em vez de tentar ensinar os fãs a consumir seus filmes de uma nova maneira, a Lionsgate decidiu trabalhar com pessoas que já sabiam como conversar com eles.
Paulo Grego, é CMO e sócio da Real Oficial, com 21 anos, é empreendedor jovem especializado em conteúdo de vídeo curto, growth e economia de creators. Lidera estratégias de distribuição, campeonatos de cortes, gestão de comunidades de criadores e automação de produção e distribuição de conteúdo. Já esteve à frente de operações que geraram mais de 1 bilhão de visualizações para o Podpah, CBLOL e outras campanhas.
Sobre a Real Oficial
Fundada em agosto de 2025, a Real Oficial é uma startup brasileira presente em mais de 100 países, que usa inteligência artificial voltada à produção e distribuição de conteúdo digital. A plataforma transforma vídeos longos em conteúdos curtos para redes sociais, oferece recursos de edição em massa, Brand Kit, Workspace e tecnologias próprias de análise de vídeo. A empresa também opera campanhas B2B por meio de uma rede de clipadores remunerados por performance. Com mais de 2,5 mil assinantes ativos, a startup projeta superar R$ 1,5 milhão em faturamento em 2026.
