Psicólogo, Mestre em Psicologia e escritor Vladimir Nascimento / Foto: Arquivo O Candeeiro
ARTIGO - A INCESSANTE BUSCA POR ÍDOLOS = Por Vladimir Nascimento
É importante e válido ter referências durante o curso da vida. Na infância, principalmente, é saudável ter modelos para se espelhar e se embasar. O problema é quando essas referências são estendidas incessantemente e a pessoa passa a viver em função de incontáveis ídolos, e não da própria vida.
Pessoas que não tem uma sólida autoafirmação insistem numa incessante busca por ídolos, sejam em quaisquer áreas: não vão a um show para apreciar uma boa música e se divertir, mas para idolatrar o cantor; não frequentam uma religião para comungar sua fé, mas porque o líder religioso é uma celebridade; não assistem um espetáculo para se divertir ou apreciar a arte, mas para ver de perto o ator famoso; não vão a um estádio de futebol para torcer pelo time, mas por causa do jogador pop star.
E o mais agravante é que essas “referências” são construídas apenas pelos ditames da moda e da fama. Mesmo que a pessoa seja um cidadão “comum” ontem, basta ser reconhecido pela mídia e elevado à condição de famoso hoje, que o mesmo será incrivelmente venerado e seguido com uma fidelidade canina pelos caçadores de ídolos de plantão.
É incrível como os sites e as revistas sobre o dia a dia das celebridades são mais acessados e vendidos do que os conteúdos que realmente importam e engradecem. Somos levados a discutir e opinar sobre o comportamento de um bando de pessoas presos numa casa, acessível 24 horas por dia; perdemos tempo que poderíamos destinar a outras coisas; veneramos essas pessoas “comuns” como verdadeiros heróis; e quando é decretado o ganhador, o elegemos como uma celebridade nacional.
É preciso, portanto, recondicionar nossos esforços para o que é importante em nossa vida, e deixar de alimentar os egos dessas figuras que enriquecem freneticamente às nossas custas. Se perscrutarmos nossas inúmeras atividades do dia a dia (trabalhamos, estudamos, criamos nossos filhos, pagamos impostos e dívidas, resolvemos problemas pessoais e familiares…) entenderemos que somos os nossos verdadeiros ídolos e heróis, e já não precisaremos mais nos espelhar naquelas falsas referências que nem sabem que existimos. Precisamos então nos desvencilhar dessas rédeas da mídia, procurar nos qualificar e crescer pessoal e profissionalmente, mesmo vivendo num país no qual o conhecimento acadêmico é menos importante que a fama.
Vladimir de Souza Nascimento
Psicólogo, mestre em Psicologia (UFBA), escritor e Palestrante.
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