Créd. Ricardo - Buena Onda
Entre paredões, trilhas e o cerrado, Bota Pra Correr celebra sua maior edição na Chapada dos Guimarães
O domingo começou cedo na Chapada dos Guimarães. Antes de o sol nascer, os 1.500 participantes do Bota Pra Correr já se preparavam para encarar os percursos de 12km e 21km de asfalto e 19km de trilha. Apesar do calor e do tempo um pouco abafado, típicos do período de seca na região, os ventos ajudaram a amenizar as temperaturas e os corredores desfrutaram os diferentes tons e paisagens de um dos cenários naturais mais marcantes do Brasil, que está a 800 metros acima do nível do mar.
Na entrada do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, os corredores dos percursos de asfalto largaram rumo à MT 251, estrada que liga a cidade a Cuiabá. Tanto os participantes dos 12km quanto os dos 21km passaram pelos paredões de arenito e pelo Portão do Inferno, onde as formações rochosas de um lado contrastam com o precipício de 150m de altura do outro. Ao longo do caminho, araras azuis acompanharam os corredores e a paisagem se transformava entre campos mais abertos, áreas de mata e formações rochosas que ajudam a contar a história de um território que já foi mar e deserto, a cerca de 150 milhões de anos atrás.
No quilômetro 6, os dois percursos encontraram um Special Point que acabou se transformando em uma verdadeira festa entre os corredores. O espaço contou com duchas para refrescar os atletas, isotônico, água, Guaraná Antarctica e doces locais da Chapada dos Guimarães. A parada também teve apresentação ao vivo do DJ Orun, ajudando a renovar a energia dos participantes antes dos quilômetros finais.
“Venho diretamente de Manaus, Amazonas, essa é a minha primeira vez no BPC e estou representando o Corre de Quinta. Eu quero agradecer a Olympikus. Correr na Chapada dos Guimarães é simplesmente incrível! O visual, a torcida da galera, é tudo muito incrível de se viver. Eu estou vivendo um sonho aqui”, celebra Brenno Pinheiro Marinho, vencedor dos 12km e 3º colocado no Desafio Strava.
Com 21km, o percurso mais longo acumulou 515 metros de altimetria e proporcionou aos corredores um contato ainda maior com a diversidade da vegetação da Chapada. Entre escarpas, vales abertos, áreas de Cerrado e trechos de mata mais fechada, o trajeto revelava novas paisagens a cada trecho e tornava a variação do terreno parte importante da experiência. “Eu estou acostumada a correr no asfalto, mas aqui foi um pouco diferente, porque corri 21km, mas com uma percepção de 26km, quase 30km. A experiência é sempre incrível e maravilhosa. Sempre é um prazer estar com a Olympikus, desta vez na Chapada dos Guimarães. Simplesmente uma experiência incrível, amei”, conta Bárbara Maia, atriz e corredora.
Durante as provas de asfalto, os corredores também participaram de um desafio promovido pelo Strava. A missão foi dar o máximo do corre em um trecho de 1km. No percurso de 12km, o segmento teve início no quilômetro 9. Nos 21km, os atletas encontraram o desafio a partir do quilômetro 18. Os três melhores tempos das categorias feminina e masculina receberam um kit exclusivo do Strava.
“Foi um evento maravilhoso, incrível mesmo. E, para mim, participar do Bota Pra Correr é sempre uma experiência muito diferente, porque só aqui eu consigo viver a corrida de forma divertida, diferente do meu dia-a-dia de treino como corredora profissional. Aqui consigo sentir a alegria e incentivar as pessoas durante o percurso, ver a paisagem, comemorar. O Bota Pra Correr é isso, é o maior festival de corrida, que une a corrida às descobertas de lugares encantadores do nosso país, é um momento de alegria para nós, atletas profissionais”, conta Jéssica Ladeira, atleta patrocinada da Olympikus.
Já na trilha, a experiência foi ainda mais imersiva. Os 19km aconteceram integralmente dentro do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, com passagem por áreas de Cerrado, matas, rios, cachoeiras como a Véu da Noiva, e pelo Morro de São Jerônimo, o ponto mais alto do paque, proporcionando vistas incríveis. Ao longo do percurso, os atletas puderam observar a mudança da vegetação e diferentes espécies de aves, em uma rota que combinou esforço físico e contato direto com a história geológica do local.
“Estou muito feliz pela oportunidade de correr essa prova. A Chapada é um lugar lindo, foi uma prova com percurso bem rolado, bem gostoso de correr. Passamos por estradão, trilha, pedra e bem diversificado. Estou bem feliz”, comemora Tais Damasio, vencedora dos 19km.
O trajeto também incluiu a reabertura da trilha do Elisiário, que foi reconstruída em parceria com o ICMBio, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, e a gestão do Parque Nacional. A trilha permanecerá aberta para uso público como legado da realização do Bota Pra Correr na Chapada dos Guimarães. “Estava com muita saudade dessa trilha, que é muito bonita pela paisagem que ela proporciona. E ela vai ser reaberta depois do Bota Pra Correr. O evento está contribuindo com isso e a gente está super feliz”, conta Natally Boeborora, bióloga, turismóloga, espeleóloga, guia de Turismo de MT, intérprete da natureza, mestre em Ciências Ambientais e remanescente do povo Boe.
Os corredores da modalidade de trilha também encontraram um Special Point no quilômetro 10, com hidratação reforçada. Ao todo, o percurso somou 450 metros de altimetria e exigiu atenção dos participantes em trechos de solo arenoso, travessias de rio e áreas técnicas.
“É o 8º ano que eu participo do Bota Pra Correr. Aqui na Chapada dos Guimarães foi espetacular, diferenciado. O que o Bota Pra Correr representa para mim? É um programa obrigatório na minha agenda. Inclusive, já comprei minhas passagens para o ano que vem. Para mim, o Bota Pra Correr já faz parte da minha vida”, conta Maria Cotinha Bezerra Pereira, vencedora da categoria 60+, nos 12km.
O patrocinador do evento, Smurfit Westrock, também esteve representado por um pelotão de 80 pessoas. O grupo reuniu colaboradores de todo o Brasil vencedores de um desafio interno de corrida promovido pela empresa, além de clientes. A iniciativa repetiu a experiência da edição anterior, quando a participação do time se tornou um dos destaques do Bota Pra Correr.
“Estamos muito felizes em fazer parte da 12ª edição do Bota Pra Correr e de um movimento que conecta esporte, natureza e desenvolvimento humano. Na Smurfit Westrock, acreditamos que o impacto positivo começa pelas pessoas, por isso investimos continuamente em iniciativas voltadas ao bem-estar dos nossos colaboradores. Essa parceria reforça nosso compromisso de colocar as pessoas no centro das decisões e incentivar iniciativas que contribuem para a qualidade de vida e o desenvolvimento humano”, afirma Luciana Souto, diretora de RH e Comunicação da Smurfit Westrock Brasil.
Após cruzarem a linha de chegada, os atletas puderam aproveitar a estrutura montada no estacionamento do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, onde funcionou a arena do evento. O espaço pós-prova recebeu um café da manhã especial com Gatorade e Michelob, área de recovery e a premiação dos primeiros colocados, além de ser ponto de encontro para os corredores descansarem e compartilharem as experiências do percurso.
“O Bota Pra Correr é maravilhoso porque a corrida é só o começo. A gente corre, mas também descobre lugares, conhece pessoas, histórias e culturas que ajudam a entender a diversidade do nosso Brasil. E viver tudo isso na Chapada dos Guimarães foi ainda mais especial, em um lugar de uma beleza e uma riqueza tão únicas. Somos uma marca brasileira, feita por e para brasileiros, e o Bota Pra Correr traduz muito desse nosso jeito de celebrar o Brasil: correndo, descobrindo e vivendo cada destino de perto”, conta Bianca Dallegrave, diretora-executiva de marketing da Olympikus.
A celebração continuou no domingo à noite, na Estância Lagoa das Conchas, com uma festa de confraternização para os inscritos. O encontro reuniu música, bebidas e comidas, e corredores que chegaram de diferentes partes do país e do mundo para viver a experiência na Chapada dos Guimarães. O line-up teve DJ Orun e Transpira Transpira. Como boas vindas, o open bar contou com Corona, Corona Zero, Michelob, Guaraná e Guaraná Zero.
A programação da noite continuou com o Bota Pra Cantar, after oficial do festival em parceria com o Apple Music, player oficial do Bota Pra Correr. O convite era para os chamados “inimigos do fim", que ainda tinham disposição para cantar suas músicas preferidas, dançar e prolongar a comemoração depois da prova.
Além da experiência da corrida, a programação começou ainda no sábado, com a abertura da Vila Bota Pra Correr, na Estância Lagoa das Conchas. O espaço recebeu a retirada de kits, talks, bate-papos, gravação de podcast, feira de artesanato, gastronomia local, ativações de patrocinadores, loja Olympikus, área de recovery, customização de tênis e uma sessão de autógrafos com Vanderlei Cordeiro de Lima, que participou da prova de 12km. “Foi muito prazeroso poder estar aqui, dividir essa experiência, poder correr ao lado de pessoas que nem conheço, que fazem parte do mundo da corrida, que a gente divide os mesmos propósitos dentro da corrida. Quero enaltecer esse privilégio de estar correndo aqui na Chapada, esse lugar maravilhoso que, através do Bota Pra Correr, a gente está conhecendo ainda mais o nosso país maravilhoso. Parabéns a todos que estiveram aqui”, afirma Vanderlei
Na programação de talks, a conversa “Correr com os olhos abertos” reuniu o biólogo e corredor Diogo França e a bióloga e guia de turismo local Natally Boeborora. Na sequência, o encontro “Ciência no Corre” trouxe o Dr. André Castro para falar sobre temas relacionados à preparação e ao desempenho dos atletas. Shubi Guimarães, diretora técnica da prova, conduziu o briefing técnico da prova, enquanto Márcio Callage, CMO da Vulcabras, e Bianca Dallegrave, diretora-executiva de marketing da Olympikus, participaram do talk “O Corre não para”, que abordou o festival, a relação da Olympikus com a comunidade de corredores e as próximas edições do Bota Pra Correr 2027, em Urubici, Santa Catarina, nos dias 04 a 05 de setembro, e em Itamambuca, São Paulo, nos dias 13 e 14 de novembro.
O apresentador, comediante e corredor, Ed Gama, encerrou a programação da Vila BPC no sábado com o talk “Que Bota Pra Correr é esse?”, em uma conversa leve e bem-humorada que divertiu o público e preparou os participantes para o dia de prova. A atividade fez parte de uma tarde de conteúdos sobre corrida, ciência, turismo e as características da Chapada dos Guimarães.
A Vila BPC também aproximou os participantes da cultura e da produção local, com experiências que convidavam o público a passar o dia no espaço e conhecer melhor a região. Dentre os produtos locais estavam Lucileicka Cerâmica, Cachaça Geodésica, Lophophora e Coletivo Bordadeiras da Chapada dos Guimarães, responsáveis pela customização dos troféus desta edição. Entre uma atividade e outra, os corredores puderam experimentar sabores do Mato Grosso, encontrar novos companheiros de prova e começar a viver o destino antes mesmo da largada. O mobiliário do espaço foi desenvolvido pelo artesão local Ademilson.
Criado em 2019 com a proposta de conhecer o Brasil correndo, o Bota Pra Correr chegou à sua 12ª edição mantendo a combinação entre esporte, turismo, cultura e sustentabilidade, reunindo atletas de 25 estados diferentes do Brasil e 3,97% de outras nacionalidades. Ao longo de sua história, o festival já passou por destinos como Jalapão, Pantanal, Alter do Chão, Chapada dos Veadeiros, São Miguel dos Milagres, Costa do Conde, Vale dos Vinhedos, Morretes, Itacaré, Serra do Cipó e Cumbuco.
O Bota Pra Correr também manteve as iniciativas de redução de impacto ambiental durante o evento. Não foram utilizados copos descartáveis, e todos os atletas receberam uma garrafa reutilizável no kit para abastecimento nos pontos de hidratação. Na trilha, os participantes foram orientados a retirar alimentos e suplementos das embalagens originais, evitando a geração de micro resíduos ao longo do percurso. A operação contou ainda com lixeiras de coleta seletiva e encaminhamento dos resíduos para reciclagem por meio de uma cooperativa local.
Realizada pela Olympikus, a 12ª edição do Bota Pra Correr contou com o patrocínio da Smurfit Westrock, líder global de soluções em embalagens sustentáveis, de Strava e Apple Music. Guaraná Antarctica, Michelob, Gatorade, Águas Lebrinha, Dobro, Zerezes, Colorgraf, Döhler, Paz Energy, Alfajores Odara e Uêvo apoiaram a realização do evento. A edição também teve o apoio da Prefeitura Municipal de Chapada dos Guimarães e do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães.
Depois de um fim de semana de celebração ao esporte, esforço físico e paisagens que pareciam mudar a cada quilômetro, o Bota Pra Correr deixou a Chapada dos Guimarães com uma nova trilha reaberta ao público, memórias compartilhadas entre corredores e a sensação de que conhecer o Brasil correndo é também uma forma de se aproximar dele.
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Por Lara Moraes
