Padre Júlio Lancellotti inaugurou a primeira biblioteca para a população de rua /Foto: Arquivo da paróquia/Divulgação.
Padre Júlio Lancellotti participa de debate do CRB-8 sobre o livro como instrumento de inclusão
O que pode acontecer quando um livro chega às mãos de quem mais precisa? Essa é uma das perguntas que estarão no centro da conversa “Onde o livro alcança a rua”, promovida pelo Conselho Regional de Biblioteconomia do Estado de São Paulo (CRB-8) durante a 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo. O debate acontece no dia 8 de setembro, das 17h às 18h, no estande do Conselho, com a participação do padre Júlio Lancellotti, de Regina Fazioli, vice-presidenta do CRB-8, e de Meire Rose Stankevicius Bassi.
Conhecido por seu trabalho junto à população em situação de vulnerabilidade social, o padre Júlio traz para a Bienal uma experiência que mostra, na prática, como a biblioteca pode ultrapassar as paredes de uma instituição e alcançar pessoas que muitas vezes estão à margem das políticas de acesso à cultura, à educação e à informação. Durante o encontro, ele também falará sobre aporofobia, conceito que se refere à rejeição, à aversão ou à discriminação contra pessoas em situação de pobreza, relacionando o tema aos desafios da inclusão social.
Quando a biblioteca abre caminhos
Um dos momentos da programação será o depoimento de Angélica Rodrigues, que viveu em situação de vulnerabilidade e encontrou na biblioteca uma oportunidade para reconstruir sua trajetória. O acesso aos livros, à internet e às possibilidades oferecidas pelo espaço contribuiu para que ela realizasse cursos profissionalizantes e, posteriormente, ingressasse no ensino superior.
Sua história ajuda a traduzir, em uma experiência concreta, o que os números e as políticas públicas nem sempre conseguem mostrar: uma biblioteca pode ser o começo de uma mudança que vai muito além da leitura.
Para quem chega a uma biblioteca em busca de um livro, pode encontrar também informação, orientação, acesso à internet, oportunidades de formação e, principalmente, a possibilidade de imaginar outros caminhos.
É essa dimensão que o CRB-8 pretende colocar em evidência durante o encontro.
Uma biblioteca que nasce para incluir
A trajetória do padre Júlio também está ligada a uma iniciativa que materializa essa concepção de biblioteca. Em 2025, foi inaugurada, na Mooca, em São Paulo, a Biblioteca Comunitária Wilma Lancellotti, idealizada pelo sacerdote e dedicada especialmente à população em situação de rua.
Instalada no Centro Comunitário Santa Dulce dos Pobres, a biblioteca reúne um acervo de oito mil livros doados, sendo quatro mil mantidos em reserva técnica. O acervo foi catalogado por seis bibliotecárias voluntárias e o espaço conta com o sistema Sophia Biblioteca para organização e gestão.
Quando o livro alcança a rua
Ao trazer essa experiência para a Bienal, o CRB-8 amplia o debate sobre o papel das bibliotecas na sociedade.
Quem tem direito a uma biblioteca?
Para o Conselho, a resposta é inequívoca: todos.
Para a presidenta do CRB-8, Ana Cláudia Martins, garantir o acesso às bibliotecas é também garantir oportunidades. “As bibliotecas são portas de entrada para o conhecimento, a informação, a cultura e a cidadania. Mas elas também podem ser espaços de acolhimento e pertencimento. Temos histórias reais de pessoas que tiveram suas vidas transformadas pela educação, pela leitura e pelo acesso aos livros e às bibliotecas. Quando garantimos esse acesso, não estamos apenas entregando um livro: estamos ampliando possibilidades”, afirma.
Biblioteca escolar é direito: CRB-8 leva debate à Bienal
A conversa integra a programação do CRB-8 na 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que reúne debates sobre temas fundamentais para a sociedade, como a universalização das bibliotecas escolares, o cumprimento da legislação, a valorização do profissional bibliotecário e o fortalecimento das políticas públicas de leitura e a consolidação da biblioteca como um espaço vivo, inclusivo, antirracista e acessível a todos.
Além disso uma agenda cultural rica e diversificada, que inclui apresentações de literatura de cordel, peças de teatro e lançamentos de livros e o sarau Palestina Livre!.
Serviço
28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo
Mesa: “Onde o livro alcança a rua”
Data: 8 de setembro
Horário: 17h às 18h
Local: Estande do CRB-8 – Distrito Anhembi, São Paulo Estande CC 28
Participantes: Padre Júlio Lancellotti, Regina Fazioli e Meire Rose Stankevicius Bassi
Realização: Conselho Regional de Biblioteconomia do Estado de São Paulo (CRB-8)
Por Cristina Aguilera
