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Agosto Dourado: especialistas reforçam que a amamentação vai muito além da nutrição
Mais do que alimentar o bebê, a amamentação representa um
dos primeiros investimentos na saúde física e emocional de mãe e filho.
Além de fornecer todos os nutrientes necessários para o desenvolvimento
infantil, o leite materno fortalece o sistema imunológico, contribui
para o desenvolvimento cerebral, favorece a construção do vínculo
afetivo e ainda reduz o risco de diversas doenças para a mulher.
Os
benefícios da amamentação também alcançam o desenvolvimento emocional
da criança. Segundo a psicóloga Vladya Lira, professora do curso de
Medicina da Afya Jaboatão, “o contato pele a pele, o olhar, a voz, o
cheiro e a forma como a mãe responde às necessidades do bebê ajudam a
construir uma relação de segurança e confiança. Ao perceber que suas
necessidades são acolhidas de maneira consistente, a criança desenvolve
uma base emocional segura, fundamental para seu crescimento e
desenvolvimento.”
A psicóloga ressalta, porém, que o vínculo
afetivo não depende exclusivamente da amamentação. “Muitas mulheres
enfrentam dificuldades como dor, problemas na pega, baixa produção de
leite ou questões de saúde que podem impedir ou interromper o
aleitamento. Nessas situações, o afeto continua sendo construído por
meio da presença, do acolhimento e da qualidade das interações
cotidianas. Até mesmo a alimentação por mamadeira pode representar um
momento de contato, intimidade e conexão entre mãe e bebê.”
Outro
aspecto essencial é a saúde mental materna, quadros de ansiedade,
depressão pós-parto, privação de sono, excesso de cobranças e falta de
apoio podem tornar esse período mais desafiador. Por isso, a
participação da família é considerada fundamental. Dividir tarefas,
oferecer acolhimento emocional, respeitar o tempo da mãe e evitar
julgamentos contribuem para um ambiente mais saudável e fortalecem o
cuidado com o bebê.
A pediatra Eveline Magalhães, professora da
Afya Garanhuns, incentiva o aleitamento materno como promoção de um
cuidado integral que reúne nutrição, saúde física, desenvolvimento
emocional e apoio familiar. “Mais do que um alimento, a amamentação
representa uma estratégia de promoção da saúde, capaz de gerar
benefícios duradouros para mães, crianças e toda a sociedade.”
A
pediatra reforça que a amamentação faz parte da chamada programação
metabólica, conceito que mostra como os estímulos recebidos nos
primeiros mil dias de vida (da gestação aos dois anos de idade)
influenciam a saúde e o risco de doenças ao longo da vida.
“O
leite materno é um alimento vivo e biologicamente ativo, capaz de se
adaptar às necessidades do bebê em cada fase do desenvolvimento. Além
dos nutrientes, ele contém anticorpos, hormônios, enzimas, células de
defesa e compostos bioativos que fortalecem o sistema imunológico,
favorecem o desenvolvimento cerebral e a maturação intestinal. Entre
seus componentes estão proteínas de alta qualidade, vitaminas, minerais e
os oligossacarídeos do leite humano, que ajudam a formar uma microbiota
intestinal saudável e protegem a criança contra infecções. Nos
primeiros dias após o parto, o colostro se destaca pela alta
concentração de fatores imunológicos, sendo conhecido como a primeira
vacina do bebê”, destaca Eveline.
Por Mario Tavares
