Foto: Divulgação/Magnific
Futebol: estrutura adequada e orientação especializada fazem a diferença na descoberta de novos talentos
Mais
uma Copa do Mundo se passou, mas o debate sobre as condições
necessárias para formar novos talentos no futebol e em outros esportes
segue forte. Apesar da eliminação precoce nesta última edição da maior
competição futebolística do planeta, o Brasil segue liderando o ranking
global de exportação de jogadores de futebol, com mais de 1.450 atletas
atuando fora do país. Os dados foram divulgados recentemente pelo
Observatório do Futebol, do Centro Internacional de Estudos do Esporte
(CIES), na Suíça. Mas apesar disso, até a próxima Copa do Mundo, em
2030, completaremos 28 anos sem levarmos para casa mais uma taça
mundial. O que suscita outro debate: o Brasil tem talentos de sobra, mas
está preparado para descobri-los e desenvolvê-los?
A
profusão para revelar muitos craques no futebol vem especialmente pela
íntima ligação cultural que o brasileiro tem com esse esporte. Entre as
modalidades coletivas, é de longe a mais praticada no país, com a
preferência de 70% da população, segundo pesquisa da plataforma Globo
Gente. Mas apesar de importantes, paixão e talento por si só, não são o
suficiente para se descobrir novos craques.
Estrutura
adequada e orientação especializada fazem toda a diferença, conforme
explica o educador físico, ex-jogador de futebol e proprietário da
Escolinha de Futebol Cacá Braga, Carlos Eurídes Braga. O ex-atleta
conhece bem a difícil caminhada de jovens atletas até o futebol
profissional. "Quando há estrutura adequada fica mais fácil, não só
formar, mas também descobrir novos talentos no esporte", diz ele, que já
passou pelos três grandes times do estado, Vila Nova (1994-1999), Goiás
(1999-2000) e Atlético Goianiense (2005-2006), além de outras grandes
equipes nacionais.
Ele
considera que a estrutura oferecida pelos atuais condomínios favorece o
desenvolvimento de futuros talentos. Por um lado, os pais têm a
comodidade de ter uma escola "dentro” de casa. Por outro, a estrutura
oferecida favorece os treinos.
Atualmente,
só dentro de um condomínio, o Jardins Madri, ele treina cerca 150
crianças e adolescentes, com idades entre três e 14 anos, um trabalho
que já desenvolve há anos e já rendeu frutos. “Temos entre os alunos que
passaram pela nossa escolinha e seguiram a jornada. Hoje, são atletas
já atuando em equipes de base de grandes times, como Santos, Grêmio,
Vila Nova e outros que já atuam profissionalmente”, conta o ex-jogador.
Mais áreas esportivas
Proprietário
da Fair Play Academy Escola de Futebol, o educador físico Gleuton
Junior é outro que aposta no desenvolvimento do esporte dentro dos
condomínios fechados. Ele treina cerca de 80 alunos, com idades entre 2
anos e 15 anos, no Jardins Valência, em Goiânia.
Ele
também destaca que o acesso facilitado e seguro a boas áreas
esportivas, não só traz um bem à saúde coletiva das pessoas, com um
maior incentivo à prática de esportes, mas é também fundamental para a
descoberta e desenvolvimento de novos talentos.
“No
Jardins Valência, por exemplo, o condomínio atende todas as
especificidades para o futebol e também para outras modalidades.
Inclusive trocou recentemente o gramado sintético das quadras de futebol
e agora está perfeito o campo. Isso possibilita com que a gente possa
trabalhar melhor com os alunos, para que eles possam participar de
competições, onde o condomínio cede toda a estrutura e com total
segurança”, destaca o professor de futebol.
Ele
revela que após a Copa do Mundo pretende realizar um torneio interno
inspirado na principal competição internacional de futebol. Segundo o
professor, o fato de os condomínios contarem com quadras esportivas bem
equipadas e com a manutenção sempre em dia, ajuda na organização de
competições para as crianças e adolescentes.
Bom exemplo da França
Apesar
de o Brasil liderar o ranking de exportação de jogadores de futebol, a
França, nos últimos anos, tem sido o país que mais cresceu na quantidade
de formação e descoberta de novos talentos na modalidade. O país,
apesar de não ter levado a taça neste mundial de 2026, chegou às quartas
de final nas quatro últimas edições do torneio internacional, sendo
campeão em 2018 e vice-campeão em 2022.
Segundo dados do Observatório do Futebol do CIES, Desde
2021, o maior aumento em termos absolutos na exportação de jogadores
foi registrado na França (+332 jogadores expatriados ou exportados), com
um crescimento constante (+35% em cinco anos). Mas especialistas do mercado futebolístico afirmam que o país criou
um ambiente que aumenta, ano após ano, a probabilidade de que novos
talentos apareçam — é um sistema de monitoramento, identificação e
desenvolvimento de talentos.
O
que está por trás desse maior protagonismo da França no Futebol
internacional, conforme muitos especialista, é um trabalho consistente,
construído ao longo de décadas, com investimento em categorias de base,
qualificação de profissionais, integração entre clubes e federação, uso
de dados, ciência do esporte e uma visão de desenvolvimento que
ultrapassa os ciclos políticos e esportivos.
Por Anderson Costa
