Livro revisita o legado de Juscelino Kubitschek e questiona os custos do desenvolvimentismo brasileiro
Juscelino Kubitschek ocupa um lugar singular na memória política brasileira. Associado ao otimismo, à construção de Brasília, à modernização do país e ao célebre slogan “50 anos em 5”, o ex-presidente é frequentemente lembrado como símbolo de uma época em que o Brasil parecia olhar para o futuro com ambição e confiança.
Mas quais foram os custos econômicos, sociais e institucionais desse projeto de desenvolvimento? E até que ponto a imagem consagrada de JK resiste a uma análise mais crítica de suas escolhas políticas e econômicas?
Essas são algumas das questões propostas por “Juscelino: Uma Crítica ao Desenvolvimentismo”, livro de Lucas Berlanza e Antônio Claret Jr. A obra revisita a trajetória pública de JK a partir de uma leitura crítica do nacional-desenvolvimentismo, analisando como o período marcou profundamente a relação entre Estado, economia, gasto público, inflação, planejamento e crescimento no Brasil.
Sem se limitar a uma biografia tradicional, o livro examina o Plano de Metas, a construção de Brasília, o papel do Estado como indutor do desenvolvimento, os debates econômicos da época e as tensões entre modernização, responsabilidade fiscal e concentração de decisões políticas. A proposta dos autores é olhar para além do mito do presidente carismático e discutir os efeitos duradouros de um modelo que ainda influencia parte importante do pensamento econômico brasileiro.
Ao tratar de temas como intervenção estatal, protecionismo, endividamento, inflação, incentivos públicos e planejamento econômico, “Juscelino: Uma Crítica ao Desenvolvimentismo” dialoga diretamente com debates atuais sobre os caminhos do país. Em um momento em que o Brasil volta a discutir o papel do Estado na indução do crescimento, os limites da política fiscal e os desafios de construir desenvolvimento sustentável, a obra oferece uma contribuição oportuna para leitores interessados em história, economia, política e formação do Brasil contemporâneo.
Mais do que negar a importância histórica de Juscelino Kubitschek, o livro propõe uma pergunta incômoda e necessária: o Brasil aprendeu com os acertos e erros de seu projeto desenvolvimentista ou ainda repete, sob novas formas, dilemas que vêm daquele período?
Por Camila Pessanha
