Foto: Léo Melo
Skatepark do Subúrbio: a pista mais bem avaliada do país é também um projeto de transformação social
A capital baiana acaba de ganhar um novo capítulo na sua relação com o esporte urbano. Será inaugurado nesta sexta-feira (3) o Skatepark do Subúrbio, equipamento que integra o conjunto de intervenções urbanas do projeto do VLT de Salvador e Região Metropolitana e que coloca a cidade, definitivamente, no mapa dos grandes circuitos nacionais e internacionais de skate.
Com 7,5 mil metros quadrados área, o novo complexo é o único do Brasil a receber a certificação 4 estrelas, em uma escala que vai até cinco, da World Skate, entidade internacional responsável por regulamentar o esporte em todo o mundo. O selo consolida o equipamento como referência nacional para a modalidade e abre caminho para que Salvador sedie, a partir de agora, campeonatos nacionais, mundiais e até etapas classificatórias para o ranking olímpico.
A força da novidade já se mostra na prática: o Skatepark do Subúrbio estreia recebendo, na sexta-feira (3) e sábado (4), a etapa final do STU National, o maior circuito nacional de skate do Brasil, o mesmo que revelou nomes como Rayssa Leal e Augusto Akio, hoje medalhistas olímpicos. A etapa reunirá eliminatórias masculinas e femininas de Street e Park, com premiação total da temporada de R$ 3 milhões.
Impacto social
Mais que um equipamento esportivo, o Skatepark do Subúrbio é um espaço de transformação social. Tanto Salvador quanto as outras cidades do estado nunca tiveram uma estrutura desse porte para o skate. A ausência de espaços adequados historicamente afastou talentos baianos das competições e, muitas vezes, do próprio esporte. “O esporte era muito carente aqui em Salvador. Foi desvalorizado. Profissionais tiveram que trabalhar com outros empregos. Eu também desisti, em 2007, parei de andar e fui trabalhar, depois entrei para o crime. Mas, larguei tudo e voltei de skate”, conta Júlio Santana, idealizador e professor do projeto social Meninos do Centro, que há cinco anos ensina o esporte a crianças em situação de vulnerabilidade.
Com a nova estrutura, a expectativa entre os praticantes do esporte é reverter esse cenário: mais visibilidade para os atletas do estado deve se traduzir em mais apoio, mais patrocínio e, consequentemente, no surgimento de novos talentos capazes de representar a Bahia em competições nacionais e internacionais. “É muito mais que uma pista de skate, é um espaço de transformação, de oportunidade e de inclusão. É acreditar no potencial dos jovens para que abram novos caminhos para atletas representarem Salvador”, disse a skatista Tifany Brasil.
Para Marília Gabriela Souza, que além de skatista e integrante do coletivo Dendê Crew é arquiteta e urbanista, a instalação do equipamento no Subúrbio de Salvador tem ainda mais importância. “O skatepark vai atender a diferentes faixas etárias, a pessoas de diferentes regiões da cidade. E o mais honroso é que a melhor pista do momento foi entregue para a galera do gueto, a galera da favela, para o Subúrbio de Salvador, onde a gente vai ver o impacto social que ela vai causar”.
Aulas de skate e capacitação profissional
O impacto vai além da pista. O Skatepark do Subúrbio nasce como um equipamento vivo o ano inteiro: com o STU Classes, aulas de skate serão integradas à rede pública de ensino, usando o esporte como incentivo à frequência e ao rendimento escolar; serão realizadas, também, oficinas de capacitação em profissões ligadas à cultura urbana, como fotografia esportiva, edição de vídeo, manutenção de equipamentos e montagem de eventos, criando oportunidades de primeiro emprego para a juventude local.
“O Skatepark do Subúrbio mostra que o VLT vai muito além da mobilidade. É um projeto de transformação social, que devolve à população um espaço de convivência, esporte e oportunidade. Esse é o tipo de obra que muda a relação das pessoas com a cidade, porque vai atrair investimento e visibilidade para os nossos atletas e, principalmente, abrir portas para que crianças e jovens do Subúrbio e de toda a Bahia enxerguem no esporte um caminho real de futuro”, afirmou Eracy LaFuete, presidente da Companhia de Transportes do Estado da Bahia (CTB), responsável pelo VLT de Salvador.
A chegada de eventos de grande porte também deve movimentar a economia local, atraindo marcas patrocinadoras e impulsionando um novo ecossistema ligado ao universo do skate. “Além de o espaço ficar como um legado importante para o skate da nossa cidade e para o skate do Subúrbio, a chegada dele através de um evento de grande porte é fundamental para dar visibilidade ao skate. Muita gente vai ver pela primeira vez o que é skate de alto nível aqui e muitos vão se encantar e, com certeza, vamos ter o surgimento de novos atletas aqui na região”, avaliou Ernesto Belote, presidente da Federação de Skateboard do Estado da Bahia (Feseb).
Por Monique Lobo
