Alegria de Raíssa na pista de atletismo do Esperia, em São Paulo (Caio Menezes/ Liga Esportiva NESCAU®)
Raíssa Machado se prepara para lutar por duas medalhas em Los Angeles 2028
Por Doro Jr. e Rafael De Marco
O que o norte-americano Robert Garrett e a brasileira Raíssa Machado têm em comum? Ambos venceram importantes provas internacionais no lançamento do disco com pouco tempo de preparação. Ele ganhou a primeira medalha olímpica da história na prova em 1896. Ela faturou o título no Grand Prix de atletismo paralímpico, no final de abril deste ano.
Garrett nunca havia lançado um disco em competições antes de chegar à Grécia. Raíssa é medalhista paralímpica e recordista mundial no dardo e se preparou por apenas um mês no disco, antes de chegar ao alto do pódio em Rabat, no Marrocos, em 25 de abril deste ano, onde também ganhou ouro em sua especialidade.
Com o resultado, o Brasil passa a contar com mais uma opção de medalha nos Jogos Paralímpicos de Los Angeles, pois Raíssa pretende se especializar também no disco e acrescentar essa prova ao dardo na competição que será nos EUA, a terra natal de Garrett, em 2028.
“Os meus treinadores vêm falando que eu nasci para lançar disco também, mas eu não gosto. Na verdade, não gostava. Estou preparada para começar a realmente aprender a lançar o disco e posso dizer que é minha nova paixão”, conta Raíssa, que revela uma terceira possibilidade para a carreira esportiva.
“Estou tentando colocar o arremesso de peso também, mas isso vai ficar para depois. Quero performar primeiro no disco, como já faço no dardo, porque eu não nasci para ser décima colocada, nasci para ser uma recordista, nasci para ser uma das melhores do mundo.”
Raíssa é mais que uma atleta. Exemplo de mulher forte, independente e que hoje é a principal base de apoio para a família. Mas nem sempre foi assim “O esporte me salvou. Eu comecei aos 12 anos e era um bichinho do mato. Tinha medo do que as pessoas poderiam falar em função da minha deficiência. Na verdade, tinha medo do olhar das pessoas, que pode ser muito cruel. Só ia para a escola e ficava em casa. O esporte trouxe o amor próprio que eu não tinha. Foi um professor de educação física que insistiu e não canso de dizer o quanto esse profissional é importante para crianças e jovens”, conta a paratleta.
Inspiração - O tempo passou e a menina que nasceu com má-formação nas pernas saiu da crisálida. Desabrochou. Hoje, inspira meninos e meninas, com e sem deficiência. Embaixadora da Liga Esportiva NESCAU® desde 2023, ela não esconde o quanto gosta da interação com as crianças e jovens. “Hoje, me sinto muito mais incluída quando participo de projetos que incentivam o esporte e ainda mais quando une esporte e paradesporto”, comenta Raíssa, sobre a etapa paulista da competição estudantil, no início de maio.
Reconhecida por incentivar a inclusão por meio do esporte, a Liga Esportiva NESCAU® promoveu a convivência entre participantes com e sem deficiência em um mesmo ambiente, integrando modalidades adaptadas e convencionais , no Clube Esperia, em São Paulo, dia 9 de maio. O evento registrou crescimento de 32% em relação ao ano anterior, reunindo 5.694 crianças e adolescentes inscritos em 23 modalidades esportivas. Em 2025, foram 4.300 participantes. No total, a Liga recebeu 12.154 pessoas — um crescimento de 42% em relação ao ano passado, quando o público foi de 8.537 pessoas — entre crianças, adolescentes, familiares, professores, convidados e equipes envolvidas no evento. Nesta edição, 12% dos inscritos eram pessoas com deficiência, o equivalente a cerca de 700 crianças e adolescentes.
