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Novo Plano Nacional de Educação insere a literatura como meta para estudantes
O Dia Nacional da Educação (28) reforça que diferentes dimensões da vida social — como o esporte, a cultura e a convivência — podem potencializar o processo de aprendizagem. Entre elas, a literatura se destaca como um eixo fundamental, inclusive contemplado nas metas do novo Plano Nacional de Educação (PNE), sancionado neste mês de abril.
O documento orienta que as redes de ensino promovam atividades literárias na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental. Nas creches e pré-escolas, a recomendação é ampliar o acervo das unidades e incentivar práticas diárias de leitura, inclusive com a participação das famílias. Já no ensino fundamental, a proposta é desenvolver projetos pedagógicos que estimulem a formação de leitores, em alinhamento às diretrizes do Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL).
“O novo plano incentiva a leitura literária como prática cotidiana, por meio da leitura dialogada e de atividades criativas que envolvem professores e estudantes. Nesse contexto, a literatura deixa de ser apenas um recurso pedagógico e passa a ocupar um lugar ativo na formação integral, estimulando imaginação, sensibilidade e pensamento crítico”, explica a especialista em Leitura do Grupo Eureka, Malu Carvalho. “Dessa forma, o PNE não apenas enfrenta o desafio da alfabetização na idade certa, mas também contribui para a formação de leitores autônomos, críticos e sensíveis”, complementa.
A ampliação do acesso à leitura literária ainda esbarra na ausência de acervos, tanto nas escolas quanto nas próprias casas dos estudantes, o que reduz as oportunidades de contato contínuo com os livros. Para enfrentar esse desafio, alunos da rede estadual do Rio de Janeiro receberam kits com sete obras literárias, destinados à formação de bibliotecas pessoais. A iniciativa integrou as ações do projeto Sarau Literário, vinculado ao Programa Educação do Amanhã, da Seeduc-RJ (Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro).
O projeto promoveu eventos culturais com as escolas participantes em praças públicas, nos quais os alunos apresentaram atividades artísticas inspiradas nas obras literárias recebidas, como peças teatrais, declamações poéticas, dança, exposições e oficinas. As apresentações ocorreram em espaços abertos e foram prestigiadas por famílias e pela comunidade local.
“Eu gostei muito do livro porque ele fez a gente refletir sobre as várias fases da vida que moldam quem somos hoje. Com meus 15 anos já passei por muita coisa, e foram essas experiências que me fizeram amadurecer”, contou a estudante Daniela Vitória Alves de Jesus, de Campos dos Goytacazes (RJ).
Uma outra iniciativa de distribuição de livros literários, com a finalidade de promover a aprendizagem das crianças, ocorreu em Goiás, com o “Programa AlfaMais”. A entrega dos exemplares ocorreu no início deste ano para cerca de 115 municípios, contemplando cerca de 73 mil estudantes.
“Ler é desvendar o mundo. É a partir da leitura que nós entendemos e compreendemos as relações que se estabelecem ao redor. É como o estudante forma sua visão de mundo, a sua identidade. A leitura tem de estar presente em qualquer ação educacional, é o primeiro passo para a construção do conhecimento”, afirma Marco Saliba, diretor executivo do Grupo Eureka.
Por Lucas Abreu Antônio
